Por Cibelle Ferraz
“Hoje temos quadrinhos voltados para livrarias como nunca tivemos. Ao mesmo tempo em que não possuímos uma renovação dos leitores, também temos essa valorização dos quadrinhos em livrarias que abre portas para muitos autores nacionais.”. Essa é a opinião do ilustrador, arte-educador e design Lederly Mendonça, em relação ao mercado das HQs nacionais. Cearense, iniciou a aptidão por desenhos aos 11 anos de idade, em meio a influência de Pato Donald, Jaspion e Changeman. Hoje, ministra aulas e recentemente lançou A Espetacular Arte de Desenhar Quadrinhos, um guia tanto para iniciantes como aos mais avançados sobre a arte de produzir revistas. Nesta entrevista, o artista dá dicas, comenta o cenário dos profissionais no Brasil e fala sobre a criação de personagens e projetos autorais.

1. Lederly Mendonça fala um pouco do começo de sua carreira desde como professor até trabalhos como quadrinista.
A minha história não é muito diferente da maioria dos desenhistas. Como toda criança, também já tinha minha aptidão artística e rabiscava os cadernos de escola e os de “desenho” que minha mãe comprava. Assim, sempre tive esse incentivo em casa. Descobri os quadrinhos com o Pato Donald, depois veio a Turma da Mônica, em seguida os super-heróis “liderados” pelo Incrível Hulk e os saudosos Jaspion e Changeman. Nessa época, aos 10/11 anos comecei a criar meus primeiros personagens que me seguem até hoje. E o resto é história: desenhei personagens Disney para mesas de aniversário, ingressei numa prefeitura da região metropolitana de Fortaleza como ilustrador, “evoluí” para diretor de arte e designer gráfico trabalhando em agências de propaganda, fiz faculdade de Artes Plásticas e hoje atuo praticamente como arte-educador.
2. Destaque o ou os trabalhos importantes em sua carreira no universo dos quadrinhos que você realizou?
Até o lançamento do meu livro, a correria do dia-a-dia não me deixava pensar muito na minha produção de quadrinhos. Esse tempo todo de profissão praticamente foi dedicado ao trabalho publicitário e à pesquisa acadêmica para aplicação em meus projetos próprios e na minha sala de aula. Mas durante esses 20 anos em que estou envolvido com quadrinhos, vim desenvolvendo duas séries que estão agora “redondinhas” para serem apresentadas ao público. Até então, elas só tinham saído como fanzines. A primeira é uma série em 10 volumes que conta a história do “Kitson” e a sua jornada para recuperar um artefato místico; e a segunda é um mangá adolescente intitulado “Na Maior Curtição”, que mostra a transição do ensino fundamental para o médio e como isso afeta as vidas dos personagens.

3. Você lançou recentemente o livro A Espetacular Arte de Desenhar Quadrinhos o qual fala da produção de uma história em quadrinhos. De que forma o livro pode contribuir para o leitor criar sua própria HQ?
O livro A Espetacular Arte de Desenhar Quadrinhos surgiu da necessidade de trabalhar os meus cursos de quadrinhos com material próprio e não mais apostila montada a partir de bibliografia. A partir daí, o livro ganhou um alcance maior, para qualquer pessoa interessada em desenhar. Eu já tinha intenção de utilizar a metalinguagem como recurso narrativo e a decisão de ampliar o público do livro só serviu para seguir em frente com essa ideia. Quanto à contribuição... trata-se de um material acessível para qualquer amante do desenho, mas não de um material básico. O cara vai ter que ralar um pouco, mas isso foi pensado justamente para que o livro pudesse dar a sua cota de contribuição em meio a outros excelentes livros que tratam do ensino de quadrinhos. Começamos com dois capítulos que mostram como desenhar a anatomia feminina e masculina. Segue para o capítulo de criação de personagens e, nesse ponto, o desenhista já começa a caminhar com as próprias pernas, já que mostro como se faz e ele tem que criar um personagem se quiser seguir em frente. O quarto episódio fala de cenografia, seguido de produção de roteiros, quadrinização e ferramentas de trabalho.
4. Como está sendo a receptividade do público brasileiro diante este livro?
Muito boa! Principalmente entre os quadrinhistas aqui de Fortaleza e do Ceará em geral. Fico muito feliz, porque todos abraçaram esta obra como sendo também sua. Não é um lançamento só meu, é um lançamento que representa toda uma galera aqui de Fortaleza, que abre mais um caminho de possibilidades. E entre o público a receptividade também tem sido ótima!

5. O leitor conseguirá absorver tantos aspectos técnicos e roteirístico sobre arte de desenhar?
O universo e a linguagem dos quadrinhos oferecem um leque imenso de possibilidades e o meu livro apresenta pouco mais de 1% desse leque. A ideia é que o leitor tenha no meu livro um bom pontapé inicial, que ele possa desenvolver seus próprios quadrinhos a partir de suas próprias ideias. Exatamente por isso que ele não precisará reproduzir cada desenho do livro para absorver seu conteúdo. Ele fará isso na medida em que coloca no papel suas próprias ideias. Com a prática e a “ralação” diária, o leitor conseguirá absorver todos os ensinamentos “jedi” do livro e alçará vôos ainda mais altos.
6. Como é conciliar vida de arte-educador como desenhista?
Um pouco complicado. Tanto é que estou agora forçando-me a produzir, porque senão vou ficar velhinho esperando ter tempo para desenhar e não verei meus personagens sendo produzidos. Mas é uma correria boa, não tenho do que reclamar e não faria outra coisa da vida.

7. Avalie o cenário nacional dos profissionais e principiantes no ramo dos quadrinhos, mangás e demais.
As novas tecnologias, a internet e o fácil acesso à informação facilitaram um pouco a produção de quadrinhos. Por outro lado, o mercado brasileiro vive de colecionadores. Perdemos aquele leitor ocasional que compra uma revista para ler no ônibus e pode vir a se tornar um colecionador. Em parte isso é culpa dos próprios quadrinhos que são publicados por aqui, com anos e anos de cronologia complicada para pesquisar que afugenta até o mais empolgado dos aspirantes. Veja o caso do filme Homem de Ferro... O cara sai do cinema louco para ler alguma coisa e o que encontra nas bancas é um personagem completamente diferente do que ele viu no cinema. Mas nem tudo é só má notícia! Hoje temos quadrinhos voltados para livrarias como nunca tivemos. Não adianta o quadrinhista iniciante pensar numa série com 400 capítulos!! O cara tem que entender que o mercado não suporta uma estrutura desse tamanho. Então quando for pensar numa obra, pense numa história fechada, num projeto consistente, que fica mais fácil vender.
8. O mangá ultimamente vem crescendo muito entre o público, acontece da mesma forma com os que desejam aprender esse estilo de desenho?
Sim. Mas já começo a perceber um equilíbrio. Vejo que o mangá já massificou e compartilha espaço com os outros estilos de quadrinhos. Não é mais um fenômeno, mas ainda vende muito dada a sua natureza mais acessível e finita, pelo menos a grande maioria das séries. Você compra já sabendo que vai chegar ao fim.

9. O que você ainda almeja realizar no universo dos quadrinhos?
Estou começando a sair um pouco mais da sala de aula agora e quero colocar para fora todos os meus projetos que venho desenvolvendo ao longo dos anos.
10. Em que você se inspira quando desenha uma história? Tem algum ídolo como referência?
A inspiração vem de todos os lados, músicas, filmes, livros, quadrinhos... Mas costumo ir beber muito na fonte da história da arte. Entender como foi criado todo o aparato visual que temos à disposição hoje e como utilizar isso para contar boas histórias. Então você deve imaginar a quantidade imensa de ídolos!!!

11. Fale de seus próximos e futuros projetos.
Na fila, estou finalizando um projeto para um livro de ilustração publicitária. Quero lançar o segundo volume de A Espetacular Arte de Desenhar Quadrinhos, dessa vez focando nos aspectos visuais da narrativa, como luz e sombra e cores. Tem também o mangá “Na Maior Curtição” e quando observar uma situação favorável, começar a lançar os volumes do Kitson. Acho que é isso!
Aproveite, conheça mais alguns dos trabalhos de Lederly Mendoça na galeria a seguir ou acesse o site http://lederly.com.br/.
Nome: José rodrigues
Comentário: gostei do seu trabalho,sou um autodidata e tenho 160 histórias de uma turma de 22 personagens infantil criado por mim, falta os dezenhos, e tudo está jogado no fundo do ármario, não sei o que fazer com essas histórias
Nome: natannael silva de souza
Comentário: esse cara é fera em todos os desenhos