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O Regresso

Iñárritu entrega um ótimo filme e aproveita para entregar um Oscar para DiCaprio

Por Rafael Sanzio - 04 Fev 2016 às 18:30h

O que um homem é capaz de fazer para sobreviver? Em Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) temos um homem resistindo bravamente à morte como personalidade e lutando para se destacar por si só. Em O Regresso, o diretor Alejandro González Iñárritu mostra de maneira primorosa, e de forma bastante crua, a literal luta pela sobrevivência de um homem e sua busca pela vingança.

 

Baseado parcialmente no romance de Michael Punke e escrito por Mark L. Smith e Alejandro G. Iñárritu, a trama é ambientada em 1822 e acompanha Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), um caçador que é atacado por um urso e deixado para morrer por seus companheiros.

 

O que se segue é uma trama que se desenvolve e separa-se em três pontos de vista. O do homem sem nada à perder, buscando forças para sobreviver; a de um pai em busca de sua filha; e a de um homem ganancioso. Acompanhar essas histórias em quase três horas de filme é bastante interessante. Iñárritu retrata bem a solidão e angústia de Glass, à medida que seu martírio continua – não há desculpas para que haja falas, portanto, o elemento dos sonhos dá as pistas para o passado do personagem e o quanto ele é afetado por suas perdas. Contudo, é mais interessante perceber que não é o ódio que move Glass, você espera ver em seu sofrimento a visão do causador daquilo tudo, porém, apenas as imagens de sua família o cercam e o encorajam.

 

O filme retrata a época sem floreios e com uma visão crível e com um senso de urgência e perigo constantes. O ataque dos índios não é algo ensaiado ao lado de um forte, é sujo, sangrento e aterrorizante. Com isso, voltam os planos sequências, de uma forma que é perceptível suas transições, mas são usados com propósito. A fotografia de Emmanuel Lubezki se destaca novamente, não só pelos planos, mas pela beleza dos enquadramentos.

 

 

Iñárritu optou, de certa forma, pela quebra da quarta parede em alguns aspectos. Há uma boa quantidade de cenas onde a câmera quase vira um espectador presente na trama – não com o personagem interagindo com ela, mas ela recebendo o bafo gelado dos atores, sujando-se com lama e sangue durante as cenas de ação e até levando um “chega pra lá” de Tom Hardy. Parece até mesmo que foi uma opção do diretor de apenas deixar, tecnicamente, a ação do momento mais real, contudo, quem assistir ao filme perceberá que o significado é ainda maior.

 

E chegamos ao momento da interpretação no qual todos esperam que Leonardo DiCaprio leve o Oscar. Ele merece? Sim. A atuação do ator parece utilizar-se do Método de Ações Físicas de Constantin Stanislaski, já que não dá para ler emoções em DiCaprio, apenas movimentos e ações que exprimem as emoções requeridas – tanto que não dá para perceber as emoções acerca do seu personagem ao personagem de Hardy. Mas seu trabalho físico e processo são excepcionais. Tom Hardy realmente possui um jeito único de atuação e de proferir suas falas, mas nota-se a diferença entre suas interpretações nos filmes. O restante do elenco compõe de forma satisfatória a história e o ambiente, além disso, a maquiagem faz um belo trabalho e deixa alguns atores irreconhecíveis – boa sorte em achar o Lukas Haas.

 

Iñárritu não se repete, como muitos estavam achando que ia acontecer “um Birdman no oeste” com vários planos sequência. Com isso, o diretor mexicano volta aos indicados ao Oscar e provavelmente levará várias estatuetas. A qualidade interpretativa e técnica está excepcional e isso é retratado no resultado final.

 

10

Masterpiece

Prós
  • A história se desenvolve de forma interessante e prende o espectador tanto na trama como na época
  • Leonardo DiCaprio transborda talento e o sofrimento é praticamente real
  • Paisagens belíssimas, enquadramentos inspirados e planos arrebatadores
  • A direção de Iñárritu acerta novamente e cria momentos memoráveis
  • Maquiagem e efeitos especiais fazem um excelente trabalho de imersão do público
Contras

10

Masterpiece

Prós
  • A história se desenvolve de forma interessante e prende o espectador tanto na trama como na época
  • Leonardo DiCaprio transborda talento e o sofrimento é praticamente real
  • Paisagens belíssimas, enquadramentos inspirados e planos arrebatadores
  • A direção de Iñárritu acerta novamente e cria momentos memoráveis
  • Maquiagem e efeitos especiais fazem um excelente trabalho de imersão do público
Contras
Antes de Watchmen: Espectral
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