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A Escolha

Tão melado quanto todos os outros

Por Ayrla Melo - 04 Fev 2016 às 13:56h

Quem já assistiu ao menos um filme baseado em algum romance de Nicholas Sparks sabe o que esperar ao assistir A Escolha. Mesmo assim, é sempre bom lembrar que o longa trata-se de mais um filme onde o homem é a figura central (algumas vezes, atormentada) e, de uma forma ou de outra, perfeito demais, passando bem longe da realidade e ajudando a reforçar aquela ideia de príncipe encantado.

 

Mais uma vez, o décimo primeiro filme baseado em um livro do autor já citado, nos mostra um romance melado entre personagens brancos que parecem vir de uma região mais tradicionalista dos EUA, com incríveis cenários naturais ao fundo e diálogos tão açucarados quanto as músicas que tocam para embalar uma cena ou outra.  

 

Como “homem que será transformado pelo amor” da vez, temos Travis (Benjamin Walker): um veterinário garanhão que foge de compromissos e, ao que tudo indica, consegue tudo o que quer. Já na outra ponta do romance, temos Gabby (Teresa Palmer): uma aspirante a médica “que não é como as outras”, mas, do primeiro ato ao fim do filme, ela inexplicavelmente esquece que é preciso estudar muito para conseguir ser médica um dia. (Imagem 2)

 

 

Existe alguma coisa nesses filmes que têm o dedo de Sparks que eu, como telespectadora, não consigo engolir, seja o romance tórrido e eterno ou os diálogos que, em alguns momentos, parecem repentinamente sem sentido e depois voltam ao normal (o “normal” Nicholas Sparks de ser), seja pelo estranho sotaque sulista norte-americano do britânico Walker, seja por essa ilusão de que estar em um relacionamento é basicamente seguir a sequência: conquista dramática que supera obstáculos, felicidade para todos os lados, superação de um drama muito sério e, por fim, felicidade eterna... até subirem os créditos.

 

Todos esses filmes originários dos livros de Nicholas Sparks seguem mais ou menos essa mesma fórmula que, para muitos, parece ser infalível. Quase sempre, os atores têm seu mérito no sucesso desses longas e, aqui, Travis e Gabby pouco convencem como um casal eternamente apaixonado, diferentemente de Diário de Uma Paixão, uma das mais famosas adaptações do autor, onde Ryan Gosling  e Rachel McAdams são ícones de um romance que, para mim, é incomparavelmente mais envolvente e marcante.

 

Contudo, é claro que você vai se deparar com uma boa fotografia, animais fofos, dar algumas risadas e intercalar tudo isso com muito drama para desesperar seu coração. Eu inclusive, derramei algumas lágrimas, afinal de contas, não é porque é irreal e açucarado que deixa de emocionar. (Imagem 3)

 

6

Aceitável

Prós
  • Apesar de tudo, pode emocionar
  • É um romance baseado em uma obra de Nicholas Sparks
Contras
  • Diálogos surreais
  • Personagens pouco convincentes
  • Trilha sonora irrelevante
Antes de Watchmen: Espectral
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Críticas