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Deadpool

Diretor e roteiristas merecem todas as chimichangas que pedirem

Por Rafael Sanzio - 11 Fev 2016 às 17:59h

Ryan Reynolds não estava indo lá muito bem em sua tentativa de entrar no universo dos quadrinhos no cinema. Lanterna Verde foi um fiasco e quando finalmente pôde interpretar Deadpool, bem, não foi bem a melhor adaptação de todas em X-Men Origens: Wolverine. Contudo, após anos tentando adaptar de forma fiel seu personagem preferido, Deadpool, – e até admitido pelo criador do mutante, Robert Liefield, que ele imaginava o personagem da Marvel como Ryan Reynolds – o ator finalmente conseguiu lançar o filme Deadpool, não por causa de sua persistência, mas por causa de um teste vazado que explodiu a internet.

 

Wade Wilson (Reynolds) é um ex-militar que vive de um serviço incomum de dar uma lição em caras piores que ele. Sua vida não é um luxo, mas ele tem a namorada perfeita... para ele. Contudo, quando Wilson é diagnosticado com vários cânceres terminais, é de se esperar que tudo vire uma merda, principalmente quando o protagonista acha que é uma boa servir de cobaia em um experimento liderado por várias pessoas de má índole. Transformado em uma coisa horrível de se ver, mas com poderes especiais, Wilson, agora autoproclamado Deadpool, procura sua vingança.

 

O marketing do filme dirigido por Tim Miller foi um show à parte, fazendo com que esquecêssemos que o estúdio responsável pela adaptação era a Fox Film, o terror dos filmes baseados em histórias em quadrinhos. Com isso, dava para saber que estava vindo algo cheio da zoeira característica do personagem e a esperança que a quarta parede seria quebrada de forma espetacular – estava na hora de alguém tirar a coroa de Ferris Bueller ou termos nosso próprio Bueller no universo dos super-heróis. Porém, existia a conhecida limitação, é uma história de origem! Vamos ter que passar por uma lengalenga de motivações até chegar ao Deadpool que conhecemos. Bem, senhoras e senhores, Rhett Reese e Paul Wernick são mesmo os heróis do filme, como os créditos iniciais deixaram bem claro – literalmente. Deadpool não é um cara convencional e contar sua história de forma linear seria um sacrilégio! Então temos uma história contada pelo próprio Deadpool, em seu próprio ritmo, dando chance a ação e ao romance – um romance que toda a censura 18 anos nos EUA permite.

 

 

Se você mergulhou no mundo do personagem e foi ousado em firmar o pé para ter sua liberdade criativa, então, é melhor mergulhar de cabeça – e foi o que Tim Miller fez. É óbvio que não apenas os roteiristas tiveram influência no clima do filme, mas Miller e Ryan Reynolds abraçaram a história e o Deadpool e trouxeram uma das melhores adaptações de quadrinhos para a telona. A facilidade em fazer isso está ligada a ousadia de realmente fazer a adaptação, já que o cânone do personagem é bem insano, mas trazê-lo para o cinema pode colocar de lado esse lado sério da adaptação e segurar firme na adaptação da personalidade do mercenário tagarela e na sua quebra da quarta parede. Felizmente isso acontece de forma fantástica, com várias referências e piadas às custas do próprio Ryan Reynolds – sim, eles mencionam isso mesmo. Fora as referências ao mundo real e aos filmes da Marvel que deixariam o Capitão América louco.

 

Se os efeitos especiais falham um pouco aqui ou ali, as cenas de ação estão muito bem coreografadas e as lutas abusam para mostrar como um filme do Wolverine deveria ser – isso compensa alguns Deadpools em CGI que não ficam lá muito bem em algumas sequências. A trilha sonora combina com o filme e o personagem, deixando a batida na sua cabeça pós-sessão.

 

Ryan Reynolds é Deadpool. Mesma coisa que acontece com Robert Downey Jr. e o Homem de Ferro acontece com Reynolds e o mercenário. Esse personagem tem uma ligação com o ator e o ator está bem aberto em abraçar a loucura tosca e por vez constrangedora do anti-herói. O restante do elenco é descrito também exatamente como nos créditos iniciais, com um vilão meia-boca interpretado por Ed Skrein e um braço direito sem muitas camadas por parte da Gina Carano. Mas os membros do X-Men são uma ótima surpresa, conferindo aos diálogos ótimas referências e finalmente um bom Colossus (Andre Tricoteux), porém, não tão bem adaptado, visto que ele ficou ingênuo demais e russo demais. Morena Baccarin e T.J. Miller fazem uma boa dupla com Reynolds.

 

Deadpool parece um filme de improviso com super-heróis, sangue e decapitações – de várias coisas... além de sexo. A ousadia dos envolvidos no projeto deve ser bem paga com uma boa bilheteria, ou assim esperamos, já que o Wade Wilson ainda tem muito para nos presentear e crossovers fantásticos para nos fazer imaginar.

 

 

 

8.9

Ótimo

Prós
  • Sem medo de tirar onda com filmes, atores e histórias
  • Censura 18 anos nos EUA
  • Compartilhamento do universo complicado dos X-Men nos cinemas
  • Melhor adaptação do personagem Colossus até agora, apesar de alguns exageros
  • Roteiro engraçado e cheio de referências, além da maravilhosa quebra da quarta parede
  • Melhor adaptação do Deadpool aos cinemas que o personagem poderia ter, até sair a sequência
Contras
  • Alguns efeitos especiais nos movimentos do personagem não ficaram bem
  • O vilão é bem dispensável, aguardando alguém bem melhor e impactante

8.9

Ótimo

Prós
  • Sem medo de tirar onda com filmes, atores e histórias
  • Censura 18 anos nos EUA
  • Compartilhamento do universo complicado dos X-Men nos cinemas
  • Melhor adaptação do personagem Colossus até agora, apesar de alguns exageros
  • Roteiro engraçado e cheio de referências, além da maravilhosa quebra da quarta parede
  • Melhor adaptação do Deadpool aos cinemas que o personagem poderia ter, até sair a sequência
Contras
  • Alguns efeitos especiais nos movimentos do personagem não ficaram bem
  • O vilão é bem dispensável, aguardando alguém bem melhor e impactante
Antes de Watchmen: Espectral
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