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Brooklyn

Romance possui nuances dramáticas inteligentes e uma protagonista fenomenal

Por Carla Braga - 12 Fev 2016 às 16:50h

Para aqueles que estão à procura de um drama, emocionalmente, avassalador, Brooklyn não é a escolha ideal. Mas isso não implica que o filme de John Crowley protagonizado por Saoirse Ronan, indicada ao Oscar por este papel, não seja um ótimo filme. A jornada de Eilis, uma jovem irlandesa com muitos sonhos e poucas oportunidades onde vive e que se muda para Nova York nos anos 50, é um romance de bastante bom gosto e profundidade emocional, fisgando até os espectadores menos sentimentais.

 

O tom da trama é acolhedor de começo a fim e nos revela a transição da protagonista de jovem para a fase adulta no curso de apenas um ano da sua vida. O título deste longa pode se referir ao bairro onde a protagonista passa a morar uma vez nos Estados Unidos, mas não se deixe enganar. Brooklyn gira em torno, predominantemente, de Eilis. Com tomadas inteligentes, focando no rosto infantil, mas decidido de Ronan, Crowley passa a informação desejada de que Eilis, apesar de crescida, ainda está em formação.

 

 

A personagem foi o primeiro papel de Ronan, que tem apenas 21 anos, na pele de uma protagonista adulta – apesar dela ainda parecer muito incerta e em formação durante a narrativa. Desse modo, é fácil perceber que a pouca idade e incrível talento para a atuação de Ronan foi a combinação perfeita para a criação de uma Eilis marcante. A atriz, que nasceu em Nova York de pais irlandeses e se mudou para a terra natal deles ainda criança, não só tem o background ideal para dar vida à Eilis, mas também o talento. Ronan mereceu a indicação ao Oscar e, se receber a honra, não seria nada mais do que justo.

 

O roteiro é de Nick Hornby (Educação), que adaptou o romance de Colm Tóibín para os cinemas. Como não li o romance, não posso comparar as duas obras, mas algo presente na narrativa do longa cria a sensação de estarmos vendo uma adaptação. As cartas que Eilis troca com a irmã mais velha Rose (Fiona Glascott) são interessantes não apenar criar o tom da história, mas também para nos aproximar da tímida e de poucas palavras protagonista.

 

 

A saga de Eilis em Nova York nos fisga facilmente. Uma vez lá, a jovem começa a trabalhar em uma loja de departamentos, imerge em aulas noturnas para realizar o seu sonho profissional e conhece um rapaz e possível interesse amoroso. A relação entre os dois, Eilis e Tony (Emory Cohen), é interessante de se acompanhar, pois é bastante parecida com as histórias de amor da primeira metade do século passado que estamos familiarizados. Primeiro, os dois se conhecem em um baile, depois começam a caminhar juntos no caminho para casa e, em seguida, saem para jantar. Por mais restringentes que fossem as normas para um jovem casal na época, Brooklyn cria uma sensação interessante de saudosismo e curiosidade.

 

No saldo total, Brooklyn é uma carta de amor para todos os imigrantes, principalmente, os que estão em Nova York. Assim como uma doença que te deixa abalado, a saudade de casa te deixará melancólico e até mal fisicamente, mas, uma vez superada, também te ajudará a crescer e a se tornar algo totalmente novo e empolgante. Brooklyn é um romance que, sem a rotineira parte cômica dos seus colegas, tem espaço para trabalhar temáticas atípicas para o gênero e muito bem-vindas.

 

9.5

Incrível

Prós
  • Apesar de ser um romance, a história, em nenhum momento, fixa-se apenas nisso ou torna-se superficial
  • A história de amor é criada de forma inteligente e convence o espectador
  • A história é inspiradora e até feminista - mesmo ambientada nos anos 50
  • Saoirse Ronan está adorável, relacionável e, acima de tudo, excelente no papel principal
Contras
  • Como o filme está na corrida ao Oscar, muitos podem checá-lo na esperença de ver um drama, e, portanto, se decepcionar

9.5

Incrível

Prós
  • Apesar de ser um romance, a história, em nenhum momento, fixa-se apenas nisso ou torna-se superficial
  • A história de amor é criada de forma inteligente e convence o espectador
  • A história é inspiradora e até feminista - mesmo ambientada nos anos 50
  • Saoirse Ronan está adorável, relacionável e, acima de tudo, excelente no papel principal
Contras
  • Como o filme está na corrida ao Oscar, muitos podem checá-lo na esperença de ver um drama, e, portanto, se decepcionar
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