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A Garota Dinamarquesa

Filme revela história fascinante com uma delicadeza quase palpável

Por Carla Braga - 14 Fev 2016 às 16:11h

Os acontecimentos de A Garota Dinamarquesa não são, exatamente, fiéis à realidade, mas as essências de Lili Elbe e Gerda Weneger, figuras tão marcantes e transgressoras para a época em que viveram, estão presentes e mais do que honradas nesta produção de Tom Hooper. O filme, que colocou seus protagonistas Eddie Redmayne e Alicia Vikander na disputa pelo Oscar, trata o assunto (vide Lili) com a delicadeza e o respeito necessários.

 

Imaginar que uma figura como Lili Elbe, uma mulher transexual, existiu no começo do século passado é um tanto chocante. A coragem que Einar Weneger, um pintor dinamarquês de certo renome nos anos 20, teve foi, no mínimo, admirável. Afinal, se ainda lidamos com preconceito, ignorância e relutância acerca do assunto em pleno século 21, imagine Einar – o primeiro homem a realizar uma cirurgia de mudança de sexo de que a história e a ciência têm conhecimento.

 

A Garota Dinamarquesa baseia-se no livro homônimo de David Ebershoff, de 2001, uma obra de ficção. Ou seja, para melhor entender os acontecimentos exatos da vida de Lili, é melhor ler a sua autobiografia, chamada Man into Woman: The First Sex Change. No entanto, o fato do longa ser uma ficção não diminui a sua beleza. Lucinda Coxon fez um trabalho excelente ao adaptar o livro de Ebershoff para os cinemas, e, logo de início, somos cativados não só pelos personagens principais, mas pela relação que eles possuem.

 

 

O pouco que se encontra na Internet sobre Gerda (Vikander) aponta que a também pintora foi uma mulher de personalidade forte, que apoiou e até incentivou o seu marido na “brincadeira” de vesti-lo de mulher . O que Gerda não imaginou foi que a diversão, que a ajudou nas suas pinturas, sempre foi um desejo, até então reprimido, do seu marido. Essa difícil constatação é retratada de forma espetacular pela atriz sueca, que, de certa forma, chega a ofuscar o trabalho de Redmayne, o verdadeiro protagonista da história.

 

O trabalho de Redmayne como Lili também está espetacular, porém diferente do da sua colega de trabalho. A diferença reside no fato de que Lili possuía uma construção diferente e precisava de uma abordagem mais delicada do que Gerda, algo que o ator britânico percebeu, sagazmente, e foi mais do que bem sucedido na tarefa. Desse modo, a personagem mais voluntariosa acaba se destancado mais do que a mais delicada.

 

 

A Garota Dinamarquesa surpreende porque, além de narrar a história da primeira mulher transexual, é uma análise profunda sobre casamentos. De certa forma, é irônico, já que, à medida que a transição de Einar para Lili aproxima os dois como indivíduos, também os separa como marido e mulher. A relação intrínseca e simbiótica dos dois me lembrou um pouco de Persona, um dos melhores filmes do gênio Ingmar Bergman; e esta referência por si só anuncia águas turbulentas pela frente.

 

Até que ponto é válido para a sua própria identidade e bem-estar entregar-se tanto para alguém a fim de ajudá-lo? O filme de Hooper parece fazer este questionamento, a toda hora, de forma simpática e bem humorada.

 

9.6

Incrível

Prós
  • Os trabalhos de direção de arte e figurino chamaram atenção do começo ao fim do filme
  • A ambientação de Copenhague nos anos 20 ficou linda e verossímil
  • O roteiro imerge, facilmente, o público na vida de personagens tão interessantes
  • Nomes tão importantes para a história, Lili e Gerda contaram com intérpretes absurdamente talentosos
Contras
  • Por tratar-se de uma produção sobre personagens reais, seria mais coerente narrar os fatos de forma mais próxima à verdadeira história, algo que não acontece

9.6

Incrível

Prós
  • Os trabalhos de direção de arte e figurino chamaram atenção do começo ao fim do filme
  • A ambientação de Copenhague nos anos 20 ficou linda e verossímil
  • O roteiro imerge, facilmente, o público na vida de personagens tão interessantes
  • Nomes tão importantes para a história, Lili e Gerda contaram com intérpretes absurdamente talentosos
Contras
  • Por tratar-se de uma produção sobre personagens reais, seria mais coerente narrar os fatos de forma mais próxima à verdadeira história, algo que não acontece
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