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O Quarto de Jack

Brie Larson e Jacob Tremblay elevam ainda mais a história com suas atuações

Por Carla Braga - 22 Fev 2016 às 11:58h

O Quarto de Jack, thriller com uma pegada inesperadamente aventuresca, do diretor Lenny Abrahamson (Frank), é excelente por duas razões: a primeira por contar com Emma Donoghue, a própria autora do livro no qual se inspira, como roteirista e a segunda por contar com dois atores de protagonistas excepcionais. Juntos, Brie Larson e o novato Jacob Tremblay entregam performances texturizadas e capazes de transformar uma realidade ultrajante em um conto de sobrevivência tenso e crível.

 

A excepcionalidade do roteiro reside no fato de Donoghue ter-se mantido fiel ao seu livro, ou seja, narrado a história a partir do ponto de vista de Jack (Tremblay), uma criança de cinco anos prestes a fazer aniversário e resultado de uma sequência repetitiva de estupros, já que sua mãe, a Ma (Larson), é uma mulher mantida refém há sete anos dentro de um quarto por um homem conhecido apenas como o Velho Nick (Sean Bridges).

 

 

Como é narrado por uma criança de cinco anos, a trama começa com uma compreensão limitada e peculiar do mundo. Afinal, como explicar para Jack que existe uma realidade fora do quarto sem frustrá-lo? Desse modo, a personagem de Larson guia o filho através de uma rotina entediante, mas funcional ao longo do dia: exercícios, refeições, assepsia e trancar-se no armário para não ver o Velho Nick chegar.

 

Apesar de deixar claro que Nick estupra Ma, Abrahamson nos revela este fato através da concepção de uma criança amedrontada dentro de um armário. Ou seja, como espectador, sabemos mais do que Jack, mas permanecemos presos dentro da sua compreensão limitada acerca do ranger da cama. E a soma dessas duas camadas de apreensão tão diferentes é o ponto alto da direção de Abrahamson.

 

O jogo muda quando Jack completa seis anos, e Ma decide que está na hora do filho aprender sobre a verdade que os cerca. É aqui que a atuação de Trembley nos pega por completo. O menino, nascido em 2006 no Canadá, pode muito bem ser uma criança prodígio, já que sua atuação é de um nível tão elevado, que parece ser impossível. Na sequência em que o garoto coloca o plano da personagem de Larson em execução, a expressão do seu rosto, ao enxergar um céu diferente pela primeira vez na vida, é digna de qualquer premiação e vai muito além da maturidade que sua idade permitiria normalmente.

 

 

Outro detalhe interessante em O Quarto de Jack é o trabalho de fotografia feito por Danny Cohen. A princípio, tons de cinza permeiam as cenas para ratificar as condições monótonas, que circulam os protagonistas, e isso vale à pena quando ocorre uma mudança abrupta para exteriores claros e brilhantes nas cenas seguintes.

 

Com duas etapas bastante divergentes na narrativa, fica claro que a segunda metade da trama não corresponde ao extremo nível de suspense da primeira. No entanto, a trama ainda mantém um apelo interessante e repleto de elementos não convencionais até o seu desfecho, graças ao seu ponto de vista. No saldo total, O Quarto de Jack é um filme cru, que opta pela tensão ao invés da dramatização, e colhe ótimos frutos graças a essa escolha.

 

9

Incrível

Prós
  • A relação entre mãe e filho é estabelecida de forma emocionante na primeira parte do filme
  • As atuações de Brie Larson e Jacob Tremblay são excelentes
  • O longa decide ser um thriller ao invés de um drama, algo inovador para o tema
  • O roteiro toma direções inovadores e interessantes para a trama
Contras
  • A segunda parte da narrativa não é tão boa quanto a primeira
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