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As Memórias de Marnie

Prepare os lencinhos para assistir ao novo e emocionante filme do Studio Ghibli

Por Carla Braga - 23 Fev 2016 às 16:47h

Em 2014, Hayao Miyazaki anunciou a sua aposentadoria. Seis meses depois, foi a vez de Isao Takahata fazer o mesmo. Com a saída dos seus dois co-fundadores, o futuro do legendário Studio Ghibli ficou incerto, culminando no anúncio de uma pausa e no surgimento de rumores de que a empresa nunca produzirá outro filme novamente. Desse modo, As Memórias de Marnie (Omoide no Mânî), que só chegou ao Brasil em 2016, pode muito bem ter sido a última produção do estúdio e o fim de uma era para a animação tradicional.

 

Dirigido por Hiromasa Yonebayashi, discípulo e visto, antes da pausa do estúdio, como sucessor natural de Miyazaki, As Memórias de Marnie possui a sutileza tradicional das histórias criadas pelo Studio Ghibli. Sua plot mistura arte com memórias e sobrenatural, e os papéis que estas três características desempenham no crescimento de uma criança são, definitivamente, familiares ao estúdio.

 

 

Como o típico filme Ghibli que é, As Memórias de Marnie começa com uma criança saindo do seu cotidiano e migrando para um novo local. Anna é uma menina de 12 anos e com asma mandada por sua mãe adotiva para a casa de familiares no interior durante o verão na esperança de que o ar fresco e arredores litorâneos melhorem sua saúde e a faça conectar-se melhor com outras pessoas. Rapidamente, a garota é atraída por uma casa do lago abandonada, mas, ao mesmo tempo, habitada por uma jovem loira de feições europeias.

 

A menina se chama Marnie e possui olhos azuis parecidos com o de Anna. A dupla estabelece uma conexão profunda, apesar de serem bastante diferentes, para não dizer que são o oposto uma da outra. A ligação estabelecida pelas duas personagens é antiga, ultrapassa barreiras como o tempo e espaço e torna-se, aos nossos olhos, um tipo misterioso de amor – a natureza dessa ligação é o principal mistério e a melhor parte do longa.

 

 

O roteiro adapta o livro infantil homônimo ao filme, escrito pelo britânico Joan G Robinson, e sustenta bem o mistério sobre a identidade de Marnie até o fim da trama. Várias opções são sugeridas durante a narrativa e detalhes sutis são entregues ao longo da história – basta ficar atento a eles para entender um pouco o que está acontecendo. De qualquer forma, o emocionante final da história esclarece qualquer dúvida que seja e deixa qualquer um soluçando incontrolavelmente com a delicadeza da sua natureza.

 

É impossível não se apegar às histórias das duas personagens principais e ao que o amor criado entre elas significa para cada uma delas. Como um todo, As Memórias de Marnie não é uma nova obra-prima do Studio Ghibli (não ultrapassa em qualidade O Conto da Princesa Kaguya, por exemplo, último filme de Takahata), mas possui uma história emocionante e vale à pena ser visto e revisto algumas vezes na vida para aquela dosagem, as vezes necessária, de amor e esperança na humanidade. Afinal, é especialidade do Studio Ghibli nos deixar revigorados e com a sensação de que o mundo não é tão ruim assim, e não é diferente com a sua última produção. 

 

9.2

Incrível

Prós
  • O tom sobrenatural que permeia a história torna tudo mais interessante
  • A trama possui a sutileza e delicadeza tradicionais às histórias narradas pelo Studio Ghibli
  • A conexão estabelecida entre as protagonistas é emocionante e faz até mesmo os menos chorosos derramarem algumas lágrimas
Contras
  • A história é linda, mas ainda fica aquém das narradas pelo mestre Hayao Miyazaki

9.2

Incrível

Prós
  • O tom sobrenatural que permeia a história torna tudo mais interessante
  • A trama possui a sutileza e delicadeza tradicionais às histórias narradas pelo Studio Ghibli
  • A conexão estabelecida entre as protagonistas é emocionante e faz até mesmo os menos chorosos derramarem algumas lágrimas
Contras
  • A história é linda, mas ainda fica aquém das narradas pelo mestre Hayao Miyazaki
Antes de Watchmen: Espectral
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