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Arquivo X – 10ª Temporada

Retorno da série perde a oportunidade de ter um significado

Por Rafael Sanzio - 25 Fev 2016 às 11:35h

Nove temporadas. Arquivo X, série de suspense e ficção científica criada por Chris Carter e lançado na Fox em 1993. O programa sempre teve momentos altos e sua baixa ocorreu nas últimas temporadas. Chegando ao fim em 2002, com um final bem controverso e que não respondia a todas as questões levantadas na saga da conspiração alienígena criada desde 1993. Quatorze anos depois, a velha trupe volta para uma 10ª temporada, e o que poderia ter sido um retorno fantástico, acaba sendo um show de vergonha pelos seus participantes.

 

Praticamente 14 anos depois dos eventos da última temporada, Scully (Gillian Anderson) e Mulder (David Duchovny) se reencontram após um bom tempo separados. A reunião ocorre devido a um apresentador de TV que alega ter provas de uma conspiração alienígena, fazendo com que a dupla de investigadores volte a trabalhar juntos e mais uma vez, enfrentem velhos inimigos e esbarrem nos típicos casos estranhos que estavam acostumados.

 

Eu não sei o que Chris Carter estava pensando quando surgiu a ideia desse retorno da série, mas trazer esses ícones da TV de volta aos holofotes não deveria ser tratado de forma leviana. São apenas seis episódios (uma diferença enorme com as outras temporadas, que tinham mais de 20 em boa parte delas), para contar o que aconteceu na vida desses dois queridos personagens. E o que ele escolheu fazer? Criar literalmente uma mini temporada como nos velhos tempos, com direito a episódios no início e no fim que envolvem a conspiração alienígena, mas com os episódios paralelos no meio que trazem os encontros estranhos e esquisitos que o programa sempre teve.

 

 

Não me interprete mal, o que temos aqui é uma genuína volta da série Arquivo X, com seus episódios mais sérios, mas também, com outros carregados no humor – quem se lembra, ou quem fez a maratona da série, sabe do que estou falando. Porém, seis episódios são poucos para entregar algo que valha a pena, se você fragmentar a história. Ou seja, tivemos quatro episódios que não adicionaram, de forma satisfatória, um conteúdo significativo à trama principal e quando eles buscavam mesclar os elementos interessantes sobre os personagens e com o que estava acontecendo, não dava certo, vide o drama de Scully no episódio Home Again não combinar em nada com a história do Homem Lixo (até que eles tentam, mas não dá para engolir). Para eu não me repetir, leia aqui minha opinião sobre os dois primeiros episódios.

 

Por causa desse formato, os episódios com a conspiração são ridículos e apressados demais, não dando ao público o tempo necessário para realmente entender ou se importar com o que está acontecendo (ao que parecer Carter se apoia na nossa memória de toda a conspiração proveniente de nove temporadas para fazer isso). O último episódio, My Struggle II, carece dessa falta de conteúdo que poderia ter sido embasada com um aprofundamento maior da trama durante esta temporada.

 

O episódio piloto sofreu com as atuações enferrujadas e a aparente forçada de barra ao querer dar uma importância maior a uma trama que nem era isso tudo, comparado ao que eles já enfrentaram. Porém, o elenco vai se acostumando com o cenário criado e temos um retorno interessante, ainda esquisito com a idade avançada de David Duchovny e Gillian Anderson – não pela aparência, mas pela atuação e no caso de Gillian, sua voz rouca. O surgimento dos agentes mais jovens é bem interessante, mas ao mesmo tempo uma solução clichê. O que não dá mesmo para aguentar é a performance de Joel McHale. É impossível dar credibilidade ao seu papel como o jornalista Tad O’Malley.

 

Sem contar a desculpa esfarrapada para o retorno do Canceroso (William B. Davis), a trama da 10ª temporada é bastante forçada e não traz nada de novo e o que traz, não é satisfatório ao que toda franquia Arquivo X criou. O que nos leva a duas opções para entender os planos de Chris Cater: Ou ele quis fazer uma paródia de sua própria série ou ele nunca pretendeu fazer apenas a 10ª temporada e, na verdade, quer alavancar várias para, finalmente, entregar as respostas que precisamos (se é que precisamos, preferia imaginar que Mulder e Scully viveram felizes para sempre com a ameaça de invasão alienígena prevista para 2012 acontecendo).

 

5.1

Ruim

Prós
  • Os efeitos especiais estão bem melhores
  • Apesar das falhas da 10ª temporada, a vibe Arquivo X continua
Contras
  • David Duchovny e Gillian Anderson não estão na melhor de suas performances
  • Chris Carter perde a oportunidade de trazer uma trama mais densa e que entregasse um significado maior ao público
  • Os episódios baseados na conspiração alienígena são forçados e tentam se apoiar em uma trama abordada à 14 anos atrás

5.1

Ruim

Prós
  • Os efeitos especiais estão bem melhores
  • Apesar das falhas da 10ª temporada, a vibe Arquivo X continua
Contras
  • David Duchovny e Gillian Anderson não estão na melhor de suas performances
  • Chris Carter perde a oportunidade de trazer uma trama mais densa e que entregasse um significado maior ao público
  • Os episódios baseados na conspiração alienígena são forçados e tentam se apoiar em uma trama abordada à 14 anos atrás
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