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Presságios de um Crime

Assinatura de brasileiro na direção pode ser difícil de engolir no gênero

Por Rafael Sanzio - 26 Fev 2016 às 14:15h

O brasileiro Afonso Poyart (2 Coelhos) entra em Hollywood na direção de Presságios de um Crime, filme de suspense policial com Anthony Hopkins e Colin Farrell. A façanha se deu graças à sua direção no filme nacional 2 Coelhos, que por sua vez, tinha uma pegada bastante norte-americana. Nunca é fácil impor sua assinatura quando você não tem total controle sobre a obra, contudo, Poyart admitiu que o filme pode ser considerado 70% seu. Então, a culpa é 70% dele ou dos produtores por causa dos 30% que ficaram de fora?

 

Dr. John Clancy (Hopkins) é um médium que ajudava o FBI em alguns casos com suas habilidades e que se afastou após um evento trágico. Contudo, uma série de assassinatos chama a atenção do agente Joe Merriwther (Jeffrey Dean Morgan) e que não vê alternativa se não contatar novamente seu amigo, John, para lhe ajudar no caso. O que eles começarão a perceber é que todos os seus passos estavam sendo previstos por alguém tão bom ou melhor que John.

 

O problema principal do filme logo em seu começo é a demora na definição de seu tom. A trilha sonora não ajuda na preparação do público e nem ao menos combina com o que está sendo apresentado. Fora as atuações bem características de um filme policial genérico, além de uma vergonhosa direção que contém erros de continuidade e um exagero incrível no uso das câmeras – a cena na frente da casa do Dr. John e mais de, talvez, sete ângulos diferentes em poucos segundos é ridícula por esse uso desnecessário de equipamentos para mostrar um atendimento de uma porta.

 

 

Sobrevivendo a esse começo indefinido, você começa a se ligar à história, já que percebe que o interessante na trama escrita por Sean Bailey e Ted Griffin não são os assassinatos e a investigação em si, mas os personagens envolvidos e o motivo pelo qual o assassino está fazendo o que está fazendo. Por um lado, se ganha bastante no drama e Poyart dirige muito bem esses momentos emocionantes, como a cena no hospital e a na igreja, contudo, perde-se na própria ação do filme e nas expectativas que um suspense policial geraria, na famosa pergunta “Quem é o assassino?”. Essa falha no quesito ação também expõe algumas forçadas no roteiro para que a trama se desenvolva e que fica difícil de achar que o FBI seria assim tão incompetente ou inconsequente.

 

O jeito como é desenvolvido o poder das visões mais erra do que acerta. Ele opta por pequenas cenas, que com certeza possuem seus significados, mas fica parecendo uma imersão de cenas de clipes musicais – Minority Report foi bem mais eficiente nesse quesito, por exemplo. Contudo, há boas ideias, como a multiplicação para demonstrar os diversos caminhos que podem ser percorridos – o problema é que isso lembra perigosamente um filme estrelado por Nicolas Cage, O Vidente, aí já viu, não é?

 

Quanto ao elenco, é perceptível o quão experiente Anthony Hopkins é. Você poderia imaginar que um filme não tão badalado ou chamativo poderia caracterizar naquele típico filme “estou aqui para pagar minha conta de luz”, mas não é o que acontece. Hopkins atua bem e traz nuances ao seu personagem e interação com os outros. Quanto ao elenco de apoio, Jeffrey Dean Morgan e Abbie Cornish encarnam os policiais genéricos, mas ao menos Morgan consegue uma ótima cena dramática. Quanto a Colin Farrell, ele não fica tanto em cena para analisar sua atuação, porém, ele cria uma boa dinâmica com Hopkins.

 

Presságios de um Crime é uma estreia de Afonso Poyart bem fraca e sem destaque na direção de um filme em Hollywood. A sensação de um filme sob encomenda é bem perceptível, mas ao menos há cenas dramáticas bem dirigidas. Só que não o suficiente para garantir uma ida ao cinema.

 

6.4

Aceitável

Prós
  • Afonso Poyart dirige bem algumas cenas dramáticas
  • O filme tem uma boa premissa e uma discussão interessante sobre a vida e a morte
Contras
  • Os presságios são mal executados e ficam parecendo, em sua maioria, recortes de clipes musicais
  • Primeiro ato do filme não se define e é mal dirigido
  • A atuação de Abbie Cornish é terrível

6.4

Aceitável

Prós
  • Afonso Poyart dirige bem algumas cenas dramáticas
  • O filme tem uma boa premissa e uma discussão interessante sobre a vida e a morte
Contras
  • Os presságios são mal executados e ficam parecendo, em sua maioria, recortes de clipes musicais
  • Primeiro ato do filme não se define e é mal dirigido
  • A atuação de Abbie Cornish é terrível
Antes de Watchmen: Espectral
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