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Agent Carter – 2ª Temporada

Los Angeles tem muito mais gente esquisita do que Nova York

Por Rafael Sanzio - 02 Mar 2016 às 16:58h

A volta da série Agent Carter mostrou que houve bons resultados com o primeiro ano, contudo, para deixar a mesmice de lado, os idealizadores do programa resolveram dar novos ares a agente e colocá-la em Los Angeles. O resultado é uma trama bem mais fantástica do que a espionagem da primeira temporada e com uma pegada bem mais de ficção científica.

 

Neste segundo ano, Peggy Carter (Hayley Atwell) é designada para ajudar Daniel Sousa (Enver Gjoj) em uma misteriosa missão em Los Angeles. Logo a agente descobre uma organização secreta que detém o poder de manipular os eventos do país e com meios para conseguir controlar uma força incrível e perigosa.

 

O que antes era uma série de espionagem contra espiões russos se transformou em uma ensolarada aventura, com a habitual espionagem, porém, com uma pegada bem mais misteriosa e um pouco de terror em seus últimos episódios. A história investiu no desenvolvimento do lado amoroso de Carter, além de expor mais a vida de Edwin Jarvis (James D’Arcy).

 

O novo ano apresentou novos personagens e deu mais espaço para outros, criando novas dinâmicas e tendo até mesmo uma temporada mais carismática. Dr. Samberly (Matt Braunger), o cientista querendo o reconhecimento. Rose (Lesley Boone), a secretária dura na queda. Whitney Frost (Wynn Everett), a vilã incompreendida. Joseph Manfredi (Ken Marino), o mafioso louco. O roteiro confere humor e cria uma boa dose de suspense, à medida que a ficção científica vai se inserindo em cada episódio, com o estudo da Matéria Zero e as criações que ela pode gerar – me lembrou bastante o simbionte que criou o Venom, mas ele está com a Sony. Mas também se assemelha ao obelisco tratado em outra série da Marvel, Agents of S.H.I.E.L.D.

 

 

Trazendo para um lado bem mais fantástico, a zona de conforto em relação aos efeitos especiais foi balançada. Com isso, a série chega bem perto de parecer tosca, mas apenas derrapa no último episódio, Hollywood Ending. Literalmente o episódio se torna em um final hollywoodiano, com direito a efeitos quase que da época, com um cabo de força ridículo e uma máquina cenográfica de criar fendas no espaço/tempo bem pobre de detalhes. Em contra partida, o uso dos poderes de Frost nas pessoas chega a ser aterrorizante.

 

O destaque vai para as atuações. Os nossos conhecidos atores não entregam nada de novo, apenas James D’Arcy que tem a oportunidade de demonstrar um lado mais agressivo e sombrio do seu personagem. Lotte Verbeek como Ana Jarvis assume um papel interessante na trama e compõe de forma satisfatória o casal Jarvis, causando surpresa por seu jeito contrário do que se esperava. Bridget Regan faz um excelente trabalho como a espiã Dottie Underwood, com seu jeito dissimulado e aparentemente sem revelar demais de sua personalidade, apenas ironias e sarcasmos – fora que ela demonstra mais uma vez nessa temporada as semelhanças com as táticas de combate da Viúva Negra. Kurtwood Smith tem uma ótima presença na tela e traz aquele tipo de vilão que temos nojo por ser tão escroto, enquanto que Ken Marino vem com um mafioso psicopata, mas que tem muitas tiradas, e acredito que improvisações, hilárias.

 

Apesar dos rumores sobre o fim da série, a possibilidade de uma terceira temporada é alta e gancho é que não falta. O final da década de 40, versão quadrinhos, está bem adaptado pela ABC e Marvel Entertainment e a escolha por trazer algo ainda mais fantástico foi uma mudança bem interessante e injetou um pouco mais de vida ao programa. Falta agora tentar adivinhar o próximo passo, seria o momento de revelar os primeiros super-heróis, a criação de uma nova agência ou de abordar a época que Hank Pym, o Homem-Formiga, junto com a Vespa, trabalharam para a S.H.I.E.L.D.?

 

 

8.5

Ótimo

Prós
  • A atuação de Bridget Regan está muito bacana e reforça a importância da personagem na nova temporada
  • Ken Marino e Kurtwood Smith fizeram um bom trabalho na série
  • A vilã Whitney Frost ficou bem desenvolvida, com os efeitos especiais - menos no último episódio - bem aplicados
  • Interessante mudança de tom para o programa, acrescentando mais suspense e até terror
Contras
  • Hollywood Ending tem um final com efeitos especiais bem toscos
  • Trama, apesar de interessante, não faz tantas ligações com o universo Marvel
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