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A Série Divergente: Convergente

Um futuro bem malfeito por sinal

Por Rafael Sanzio - 12 Mar 2016 às 09:59h

Depois de ter-se criado a tendência de trilogias virarem tetralogias para dar um final melhor a uma saga literária adapta aos cinemas, é impossível não achar que na verdade o interesse ali é espremer o lucro antes de acabar com o gerador de dinheiro. A Série Divergente: Convergente, adaptação cinematográfica do livro de Veronica Roth, nada mais é do que uma parte 1 disfarçada. Há sim elementos suficientes apresentados para se considerar um filme por si só, sem ter a impressão de estar faltando algo, porém, percebe-se uma injeção de clichês para manter a trama no lugar.

 

Nesta trama esticada, Jeanine (Kate Winslet) foi deposta e agora quem controla Chicago é a sem facção Evelyn (Naomi Watts). Enquanto os julgamentos ocorrem, Tris (Shailene Woodley) tem outra preocupação: atender ao chamado feito pela mensagem além dos muros da cidade. Com a ajuda dos seus amigos a divergente descobrirá um mundo devastado e maior do que ela esperava, e uma verdade que pode acabar com tudo que ela conquistou até agora.

 

Logo no começo do filme já percebemos o caminho que a produção iria seguir e o quão clichê iria se tornar, bem como a preguiça no roteiro de Noah Oppenheim, Adam Cooper e Bill Collage. Temos pessoas que planejam uma fuga e visivelmente não estão equipadas para uma viagem longa, temos outras pessoas que em meio a um tiroteio se permitem parar e ficar olhando para a paisagem, temos uma inversão de valores que praticamente traz de volta a Jeanine para o filme e um novo subalterno/vilão que nem chama a atenção.

 

 

Um dos maiores problemas do filme é recriar o futuro e as possíveis engenhocas descritas por Roth em seu livro. A execução é péssima. Temos naves e o visual das estruturas da cidade até são bacanas, mas os atores estão rodeados de chroma key dignos de X-Men Origens: Wolverine e outros efeitos especiais toscos como a gelatina que cobre os personagens na hora da “limpeza” do corpo deles.

 

Sobrevivendo aos efeitos, a trama também não se sustenta através de sua originalidade. A jornada de Tris como rato de laboratório é tão sem graça que Quatro (Theo James) se destaca, sendo o elemento que trará algum movimento à história - tem até uma cena de ação que tenta chegar ao patamar da cena do elevador em Capitão América: O Soldado Invernal.

 

Miles Teller chama mais atenção por causa do seu personagem do que por sua interpretação (por sinal, o ator parece que está se lixando para o filme) e Naomi Watts se esforça para entregar algo além de uma mera substituta de Jeanine. Jeff Daniels marca presença e traz o carisma necessário ao personagem David, contudo, o caminhar da história já entrega o óbvio.

 

A Série Divergente: Convergente tem um roteiro preguiçoso e traz soluções fáceis demais para forçar o desenvolvimento da história – Tris sendo uma expert na utilização de novas tecnologias, fugas impossíveis sendo possíveis, acidentes e batidas dando apenas ferimentos leves, e uma grande ameaça sendo apenas uma baboseira sem muitas sequelas no final das contas. O filme não tem cara de primeira parte, mas bem que poderia ter sido a última.

 

3.5

Ruim

Prós
  • Quatro ganha mais cenas de ação e elas sem bem bacanas
Contras
  • Efeitos especiais tenebrosos não conseguiram recriar o futuro de Roth
  • Roteiro preguiçoso e força demais para que a trama possa se desenvolver
  • A saga de Tris neste filme é bem sem graça
  • O plano mirabolante do vilão foi frágil apenas porque os roteiristas quiseram
Antes de Watchmen: Espectral
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