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Batman vs Superman – A Origem da Justiça 3D

Tanto tempo de filme e mesmo assim não deram um bom motivo para o embate

Por Rafael Sanzio - 24 Mar 2016 às 22:10h

Por mais que Batman vs Superman – A Origem da Justiça tenha vendido bem em sua pré-venda isso não significa que a qualidade do filme é excelente – que o diga Os Dez Mandamentos, não é mesmo? E começar uma crítica dessa forma não é um bom sinal, não é? O filme de Zack Snyder tem cerca de duas horas e quarenta e cinco minutos, mas durante todo esse tempo quase nenhuma cena se destaca, reinando o marasmo e a falta de um bom motivo para tudo estar acontecendo.

 

A trama mostra que a presença do Super-Homem (Henry Cavill) dividiu o planeta, de um lado há aqueles que acreditam que o alienígena é uma entidade boa e que veio para proteger a humanidade. Já do outro lado, muitos não gostam de ter um ser com super poderes sem nenhum tipo de controle voando pelo mundo. Quando uma arma que pode deter o alienígena é descoberta, os ânimos chegam ao extremo e o embate entre dois grandes heróis se inicia.

 

Interessante como o filme assume uma proposta semelhante à trama de Capitão América: Guerra Civil, lidando com as consequências dos atos dos super-heróis na sociedade. Contudo, o roteiro de Chris Terrio e David S. Goyer falha miseravelmente em adaptar de uma forma plausível a obra de Frank Miller, Batman – O Cavaleiro das Trevas. O que temos aqui não é um Batman (Ben Affleck) querendo dar uma lição de humildade e enganar um velho amigo (mesmo com Miller forçando a barra), e sim um Batman mimado que luta pelo seu ego ferido por não ser o mais fodão do pedaço. O maior detetive do mundo acabou virando o maior cego do mundo, deixando a raiva tomar conta de suas decisões e tendo um envelhecimento que não gerou nenhuma experiência para o personagem.

 

O problema e a solução do filme está justamente aí, no tipo de Batman que estamos lidando. Não é o velho da Graphic Novel, é um garoto como a própria Mulher-Maravilha (Gal Gadot) classifica – mas com certeza sem a mesma intenção que coloco aqui. E que no final tem suas motivações estilhaçadas com uma simples frase... que filhinho da mamãe problemático, não é? Para você perceber que a construção da trama do Homem Morcego foi bastante superficial e sem uma verdadeira força que fizesse com que o público ficasse um pouco do lado dele – sério, só quem realmente já não gosta do Super-Homem irá vibrar com o Batman dando uma surra nele. Deveríamos ter desconfiado do que estava vindo por aí logo com a história do Homem Morcego sendo contada (pela milésima vez nos cinemas), Thomas Wayne (Jeffrey Dean Morgan) reagindo ao assalto? Não senhor! Não é à toa que essa versão do Batman virou um psicopata que não está nem aí para os bandidos.

 

Realmente os trailers mostraram bastante coisa, mas não entregaram como seria o desenvolvimento do filme. Zack Snyder divide bem os núcleos entre o trio principal: Batman, Lex Luthor (Jesse Eisenberg) e Super-Homem. Mas o faz de maneira lenta e sem momentos impactantes. O plano mirabolante do vilão é tão incompreensível quanto forçado – Luthor solta várias baboseiras teóricas que não é de se impressionar que o próprio personagem se perde em seus pensamentos, contudo, entre todos os Lex Luthors que existiram, esse foi o mais eficaz. Outro erro no filme foram os pesadelos. Sabe-se lá o que Snyder queria trazer para a história com as suas viagens, mas não impressionou e a mensagem poderia ter sido entregue de outra forma. As referências do universo DC Comics não são tão impactantes como as da Marvel, pelo único e exclusivo fato desse mesmo universo não estar bem construído nos cinemas como na concorrente, ou seja, esses multiversos mais atrapalham do que ajudam para manter o interesse do público.

 

 

Por sinal, Snyder também não impressiona com a sua direção. Os combates são bastante duros, com uma movimentação engessada – e particularmente na sequência do Batman do deserto, está muito mal dirigida, com soldados esperando para serem socados ou desarmados. Além disso, temos o velho problema com o figurino e maquiagem, no caso do Homem Morcego, o eterno esquecimento de que sem a bendita máscara ele deveria estar com os olhos com tinta preta e o elmo deveria ao menos parecer com algo metálico e não uma borracha, porque desse jeito fica difícil de acreditar que aquele troço segura um tiro de bala.

 

Vale destacar o trabalho de Hans Zimmer na composição da música, em particular para o tema de Lex Luthor. Há uma classe e ao mesmo tempo um nervosismo nos instrumentos que marcam bem a personalidade do vilão e empolgam o público para o início de suas cenas. Dito isso, Jesse Eisenberg criou um bom Lex Luthor, há um pouco de Mark Zuckerberg e Gene Hackman em sua atuação. Henry Cavill é o Super-Homem, e tivemos um filme inteiro dele para já conhecermos o seu trabalho e nos acostumarmos... mas e Ben Affleck? Apesar de trocentos filmes do Homem Morcego, no final das contas, não há uma certeza de qual cronologia ele vem e com isso não temos uma real intimidade com o personagem e com Affleck, que tem de trabalhar com o que lhe é entregue. Sendo realista, esse Batman é um baixinho borrachudo e anabolizado. O uniforme ficou esquisito e com certeza o ator não teve reais cenas para poder se destacar – a única que chama a atenção é a da destruição de Metrópolis, mas mesmo ela erra em algumas coisas que impedem que aprovamos o momento. Por exemplo, ele dentro da fumaça de um prédio caído deveria virar o Gasparzinho de tão branco.

 

Laurence Fishburne se transforma no alívio cômico como um pseudochefe rabugento e Jeremy Irons não tem tempo o suficiente para virar um Alfred digno de nota, mas faz um bom trabalho. Amy Adams não é ofuscada por Gal Gadot e tem bastante tempo em tela, o que demonstra que esse ainda é o filme do Super-Homem. Por falar em Gadot, realmente ela se destaca e entrega um bom suspense para a Mulher-Maravilha e o que seu filme pode trazer para nós.

 

Batman vs Superman – A Origem da Justiça carece de cenas interessantes e as interessantes perderam sua força devido ao marketing exagerado – não é à toa que a Mulher-Maravilha surpreendeu, visto que pouco foi mostrado da personagem nos vídeos promocionais. O resultado final foi bem abaixo do esperado, já que o que chamou a atenção foi o embate proveniente dos quadrinhos, porém, a adaptação para a realidade dos personagens nos cinemas foi terrível.

 

5.7

Aceitável

Prós
  • A trilha de Hans Zimmer tem bons momentos, principalmente com a música tema de Lex Luthor
  • O Lex Luthor de Jesse Eisenberg é divertido, apesar do exagero na loucura
  • Contrariando as expectativas o filme tem mesmo uma vibe de sequência de O Homem de Aço e não um filme do Batman
Contras
  • O desenvolver da história é monótono e não há cenas que surpreendam
  • As referências do universo DC Comics não são tão impactantes como as da Marvel
  • A direção do filme é bastante fraca, com sequências de luta engessadas e mal coreografadas
  • O filme apesar de longo é bem superficial e não consegue criar uma identificação entre os novos personagens e o público
  • A adaptação da história de O Cavaleiro das Trevas não foi bem feita e transformou o Batman em um idiota
Antes de Watchmen: Espectral
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