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The Walking Dead – 6ª Temporada

Depois de reclamações, roteiristas mostram a verdadeira enrolação no final

Por Rafael Sanzio - 04 Abr 2016 às 16:49h

Já falamos sobre as críticas negativas da primeira metade da sexta temporada de The Walking Dead aqui, deixando claro que era leviano dizer que os roteiristas estavam enrolando ao contar a trama, já que o tempo que eles dedicaram aos habitantes de Alexandria era importante para o desenvolvimento de novos personagens. Neste domingo, 3 de abril, foi ao ar a season finale com mais de uma hora de duração, Last Day on Earth, e infelizmente a última cena decidiu se o último episódio da temporada foi uma completa perda de tempo. O texto abaixo pode conter SPOILERS da sexta temporada.

 

Antes de focarmos nossa atenção ao último episódio, vale destacar alguns acontecimentos nessa segunda metade da temporada (lembrando que nossa opinião sobre os primeiros oito episódios está no link acima).

 

A fonte de boa parte da história continua com um pé nos quadrinhos, então temos vários elementos que se destacam para aqueles que acompanham a revista de Robert Kirkman. Contudo, a série trata de moldar os acontecimentos ao seu próprio ritmo e mudando os rumos de vários personagens – alguns diriam que por medo ou receio outros diriam para justamente entregar algo novo para o público leitor da HQ, um universo alternativo por assim dizer. Acredito que estamos lidando com as duas coisas, porém, é certo que essas mudanças aconteçam antes mesmo da série passar do gibi, para que não aconteça o mesmo que acontecerá com Game of Thrones e a sensação de receber um spoiler dos livros a cada novo episódio.

 

Mas essas mudanças são coerentes? Até o momento sim. Mesmo a morte de Denise (Merrit Wiver) serviu para chocar muito mais que uma morte de Abraham (Michael Cudlitz), que naquele momento da história poderia ter tido sua morte festeja pelo público. O visual de Jesus (Tom Payne) não ficou lá muito parecido com o original – visto a rejuvenescida que o personagem ganhou – mas ele traz uma nova dinâmica aos acontecimentos, que agora contam com lutadores marciais.

 

 

Em termos de trama, a série consegue ainda criar dilemas e momentos tensos. Um ponto que até então não havia sido levantado de forma coletiva: a perda da humanidade. Em Not Tomorrow Yet, a história é carregada de tons sombrios e de como uma chacina silenciosa pode ser devastadora para a alma. O único problema desse mote é que a direção decidiu não ser tão visceral na execução do plano, não mostrando os personagens mortos se debatendo enquanto eram assassinados e nem destacaram o golpe final – com essa decisão muito do peso daquelas ações podem ter passado desapercebido para o telespectador.

 

A atriz Melissa McBribe ganhou a oportunidade de fazer uma nova reviravolta em sua personagem Carol: de dona de casa oprimida para assassina fria e calculista para uma criatura cheia de remorso e traumatizada. Essa trilha na história deixa-nos intrigados para a “cura” da personagem, deveria ela voltar a ser uma assassina sem remorso ou ela deveria encontrar a paz?

 

Mas o que dizer do bendito episódio final? Tivemos um vislumbre da terceira “facção” desse novo mundo que a série está conhecendo – para quem leu os quadrinhos sabe que provavelmente o pessoal à cavalo deve ser da turma do Reino. Mas o episódio com mais de uma hora serviu como uma história de despedidas, com alguns personagens fechando seus arcos para entrar na fila de possíveis mortos e uma lição de humildade para Rick (Andrew Lincoln) que se achava o fodão.

 

Sabemos que muitos de nós assistíamos ao episódio apenas para a fatídica aparição de Negan (Jeffrey Dean Morgan), porque sabíamos o que ela acarretaria e a própria trama parecia nos entregar esse momento de forma lenta e saboreando nossa atenção. A cena final foi extremamente tensa e climática, tão boa ou melhor que sua versão em quadrinhos. Jeffrey encarnou de forma satisfatória o boca suja e sádico Negan e a cena foi, até chegar em sua conclusão, perfeita. Mas aí os produtores cometem o maior erro da temporada, que foi justamente vestir a carapuça de embromadores que parte do público – aquele que não gostou do mistério da morte de Glenn (Steven Yeun) – estavam os acusando.

 

No final, não mostrar quem foi o escolhido para ter o encontro com Lucille foi um tiro no pé no quesito qualidade, porque com certeza eles terão a grande audiência para seu retorno, mas a criação de um quadro perfeito e um final dramático foi descartada para ter um lucro no futuro. Fora esse final caça-níquel, a sexta temporada de The Walking Dead foi boa.

 

 

7.6

Bom

Prós
  • O desenvolvimento da personagem Carol está intrigante
  • A cena final com Negan foi bastante tensa e impactante
  • As adaptações dos quadrinhos estão boas e coerentes com o ritmo do programa
  • A série não ficou apenas nos personagens principais, dando a oportunidade de Alexandria brilhar
Contras
  • Apesar das novas tramas, série tem seus momentos monótonos
  • A season finale criou uma expectativa que por puro caça-níquel não foi finalizada
  • Os efeitos de computação gráfica estão fracos, principalmente quando são usados para reproduzir as horas de zumbis
Antes de Watchmen: Espectral
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