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Rua Cloverfield, 10

Filme cria uma boa tensão, mas deixa no ar a conexão

Por Rafael Sanzio - 08 Abr 2016 às 17:11h

Produzido de forma secreta e sem alardes, Rua Cloverfield, 10 é descrito como um derivado do filme Cloverfield de 2008. Com essa premissa o longa metragem prende nossa atenção que fica bastante esperançosa por referências, contudo, o que é entregue é algo que decepciona e ao mesmo tempo intriga.

 

A trama acompanha a jovem Michelle (Mary Elizabeth Winstead), recém saída de um relacionamento e acaba presa em outro bem mais tenebroso. Após um acidente na estrada, ela se vê dentro de um bunker na companhia do seu “salvador”, Howard (John Goodman) que diz que o mundo acima deles foi atacado e está completamente contaminado.

 

O roteiro de Josh Campbell, Matthew Stuecken e Damien Chazelle nos dá uma sensação de Além da Imaginação, com a situação inusitada que os personagens são colocados e o viés de ficção científica graças às teorias da conspiração de Howard – além do fato de estarmos crentes que se trata do mesmo universo do filme de 2008.

 

A história cria uma boa tensão, desde as inferências criadas pelos barulhos misteriosos quanto ao próprio mistério dentro daquele bunker e os motivos que o levaram a ser construído. Em um momento estamos apoiando um personagem, em outro, estamos surpresos pela guinada nos eventos.

 

 

E a condução dessa trama fica bem mais envolvente com as atuações de Mary Elizabeth Winstead e John Goodman, principalmente de Goodman. Vemos que nitidamente o personagem é louco, mas em alguns momentos dá para interpretarmos como alguém apenas incompreendido. Winstead faz caras e bocas que condizem com a situação da protagonista acuada e arisca.

 

A direção de Dan Trachtenberg é bastante eficiente e o ritmo do filme não cai, com o equilíbrio da suavidade de algumas cenas do cotidiano, com o mistério e as tensões entre os três indivíduos no bunker.

 

O sentimento quanto ao ato final do filme é controverso. Por um lado temos uma descarrilhada para o fantasioso e a criação de uma protagonista de ação que até então não estava bem convencida nesse papel – mas tudo se explica com a questão sobrevivência. E pelo outro, temos um real desfecho que em muitas produções do gênero escolheriam o caminho mais fácil e corriqueiro para finalizar a história.

 

Rua Cloverfield, 10 ao menos entrega algo semelhante ao que O Nevoeiro fez, contudo, peca em conectar-se com a trama de 2008 e fica a dúvida se realmente se trata de um derivado. Se for o caso, ainda sim, explica alguns acontecimentos do filme principal, só que sem o charme de realmente confirmar isso.

 

8.9

Ótimo

Prós
  • Há bons momentos na história e pequenas reviravoltas que mantém nosso interesse na trama
  • Apesar da simplicidade do filme, quando são necessários efeitos especiais bons, ele entrega
  • John Goodman está sensacional como o volátil e misterioso Howard.
Contras
  • Semelhanças com outro filme, também no final, desagradam pela falta de criatividade
  • O final entrega uma forçada na sorte e capacidades físicas da protagonista, além de uma evolução piegas
  • Bem que a história poderia ter uma confirmação mais clara que esteva no mesmo universo de Cloverfield
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