X

Capitão América: Guerra Civil 3D

Filme entretêm e diverte mesmo com algumas coisas deslocadas

Por Rafael Sanzio - 28 Abr 2016 às 16:47h

A hype é algo bem perigoso. O termo é utilizado para descrever a expectativa generalizada diante de algo que irá acontecer ou ser criado. No caso do cinema é a expectativa criada em conjunto por um filme que será lançado. Eu percebo dois problemas nisso – pode haver mais, claro – um deles é a decepção e o filme não superar as suas expectativas. O outro problema pode não ser tão problema assim, e falo da hype cegando o fã, fazendo-o desconsiderar alguns defeitos do filme. Capitão América: Guerra Civil criou uma hype enorme sobre o Homem-Aranha e de como ele se sairia no filme. Será que sua adição valeu a pena?

 

Após um incidente durante uma ação dos Vingadores, uma parte do mundo não vê mais o time do Capitão América (Chris Evans) como heróis. Encarando uma dura realidade, Tony Stark (Robert Downey Jr.) acaba apoiando o governo sobre um ato de controle dos Vingadores, onde os heróis seriam supervisionados e teriam diretrizes a seguir. A questão é bastante delicada e divide o grupo, que corre o risco de enfrentar uns aos outros depois do ressurgimento do Soldado Invernal (Sebastian Stan).

 

No começo mencionei o Homem-Aranha, mas vamos por partes, sim? Primeiro vamos comentar a adaptação do arco dos quadrinhos para o cinema. Mesmo com um universo cinematográfico bem integrado era impossível, no estado atual, uma adaptação fiel à Guerra Civil de Mark Millar. Coube então aos roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely tentar extrair a essência do conflito, que envolvia a pergunta: o quanto os heróis são responsáveis pelas catástrofes que tentam evitar? Uma proposta semelhante à Batman vs Superman – A Origem da Justiça (estão vendo que nem precisava assistir ao filme para sacar essa semelhança?). Os lados do conflito são bem explorados, e alguns personagens são apresentados de forma satisfatória para integrar à história – Pantera Negra (Chadwick Boseman) foi um ótimo exemplo disso. Além disso, o elenco principal teve a oportunidade de expor o seu lado e pequenos arcos foram bem explorados, como o relacionamento entre o Visão (Paul Bettany) e a Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen).

 

 

Mas nem tudo são flores, visto que apesar de interessante a progressão da trama de Zemo (Daniel Brühl), ela parecia completamente deslocada com o filme. Acredito que essa sensação se deve ao fato do próprio personagem não ter sido caracterizado como um vilão típico de super-heróis e cada vez que ele aparecia não existia o impacto visual. Acrescenta-se o fato de sua motivação ter sido revelada de forma bem piegas. E na necessidade de angariar personagens para a luta – porque nos quadrinhos isso era fácil, bastava ter um desenhista para desenhar todos – eles trouxeram o Homem-Aranha (Tom Holland). E sinceramente, para mim não funcionou o personagem ser inserido na história sem uma origem. Não me levem a mal, as cenas e o próprio personagem ficaram bons e possuem bastante potencial, contudo, temos uma nova versão do Peter Parker, bem mais jovem e por isso, não consegue se utilizar dos diversos outros filmes que a Sony produziu. Pensem por um instante, se não tivesse sido o Homem-Aranha, tivesse sido outro herói aleatório, aquela convocação teria sido coerente, alguém que surge do nada entrando no jogo? Até mesmo o Homem-Formiga (Paul Rudd) pareceu forçado na trama, já que o levaram numa boa para a Alemanha – se ao menos a trêta tivesse sido nos EUA.

 

Apesar disso é divertido ver a pancadaria clássica entre os heróis e cada um tendo a oportunidade de mostrar seus poderes e diferentes personagens brigando entre si – no também clássico questionamento dos fãs: “tal personagem ganharia de tal personagem?”. É evidente essa infantilidade da briga sem sentido na sequência do aeroporto, onde a estratégia e furtividade vai para o espaço e indo ao cúmulo de uma corrida para bater de frente um no outro, mas pelo menos as discussões políticas e morais existiram no começo da trama. Contudo, vale a menção pelo bom trabalho dos diretores Anthony e Joe Russo, com um bom desenvolvimento das cenas e ângulos utilizados e com a já excelente coreografia de combate, vista em Capitão América 2: O Soldado Invernal, dando realismo aos golpes e sequências de ação.

 

Os efeitos especiais estão bem integrados ao filme, com uma boa utilização dos poderes do Homem-Aranha e dos demais personagens – Homem-Formiga também rouba a cena em alguns momentos. O 3D parece bom no início do filme, mas depois se destaca pouco – aos menos este filme é bastante claro.

 

Capitão América: Guerra Civil dá um pouco do que pode ser a grande reunião de heróis em Vingadores: Guerra Infinita. Tanto em relação as vantagens quanto aos perigos de querer inserir heróis na história sem uma base mais forte – por isso é importante manter o universo cinematográfico integrado e com mais ligações entre os filmes. O conflito entre os heróis foi bastante divertido e não houve o sentimento de decepção ao sair do cinema.

 

8.8

Ótimo

Prós
  • Homem-Aranha e Pantera Negra se destacam como novos personagens
  • A trama conseguiu colocar de forma coerente o ponto de vista de cada um no conflito
  • Combate mostrando os poderes de cada herói é divertido e emocionante
Contras
  • Peter Parker não se integrou bem na história do conflito, o que demonstra que era necessário uma história de origem para essa nova versão
  • Apesar de interessante, a trama de Zemo parece deslocada do clima de super-herói do filme
  • O 3D, sem muitas surpresas, é dispensável

8.8

Ótimo

Prós
  • Homem-Aranha e Pantera Negra se destacam como novos personagens
  • A trama conseguiu colocar de forma coerente o ponto de vista de cada um no conflito
  • Combate mostrando os poderes de cada herói é divertido e emocionante
Contras
  • Peter Parker não se integrou bem na história do conflito, o que demonstra que era necessário uma história de origem para essa nova versão
  • Apesar de interessante, a trama de Zemo parece deslocada do clima de super-herói do filme
  • O 3D, sem muitas surpresas, é dispensável
Antes de Watchmen: Espectral
Antes de Watchmen: Espectral
Antes de Watchmen: Espectral
Críticas