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Martyrs

Remake de filme cult francês é uma versão light e falha em relação ao original

Por Carla Braga - 06 Mai 2016 às 16:50h

Martyrs – remake norte-americano do filme cult de terror francês de mesmo nome – chegou aos cinemas nacionais nesta semana. Mas quem assistiu e gostou do longa original, lançado em 2008, vai, provavelmente, se decepcionar com a sua nova versão. A produção, dirigida pelos irmãos Kevin e Michael Goetz, é até fiel para os padrões hollywoodianos de fazer remakes, mas comete uma série de deslizes, que passam por erros grotescos de continuidade à amenizações no roteiro.

 

A trama do filme é dividida em três atos – assim como acontece no original. O primeiro tem bastante potencial e ilude os desavisados, que, como não sabem que a história ainda tomará outras duas direções, subentendem que assistirão a um terror psicológico. Martyrs, como um filme focado em uma garotinha assombrada por aparições, que podem ser demoníacas ou fruto de um transtorno de estresse pós-traumático, é legal – ainda não consigo dizer excelente devido às técnicas um tanto precárias dos diretores.

 

 

A dubiedade da figura que assombra a menina Lucie (Ever Prishkulnik) cria uma tensão muito interessante. Infelizmente, após pouco mais de dez minutos de filme, a trama sofre um flashforward, onde será ambientada até o final. Em pouco tempo, Lucie, agora adulta e interpretada por Troian Bellisario, reencontra os responsáveis pelo o seu aprisionamento quando criança e convoca sua amiga de infância Anna (Bailey Noble) para ajudá-la. As duas, agora, são levadas para um dos piores subgêneros do terror: o slasher.

 

Apenas em um subgênero batido como o slasher as protagonistas permaneceriam no local onde podem ser descobertas e sequestradas, a qualquer momento, pelas mesmas pessoas que aprisionaram Lucie quando criança. As duas cometem erros após erros, daqueles que fazem qualquer pessoa se contorcer de indignação, e só tomam a decisão de fugir quando – pasmem – os vilões chegam no encalço delas. Depois de tantos anos com o mesmo clichê, não é mais crível que duas pessoas sejam tão estúpidas em uma situação de risco como a retratada em Martyrs.

 

 

Logo, fica fácil perceber que as decisões idiotas das garotas existem apenas para justificar o que está por vir: o terceiro ato. Agora, o filme dos Goetz é um horror de culto e, finalmente, chega a hora de todos descobrirem quem são os antagonistas e suas motivações bizarras. Mas fica tudo raso, confuso pra caramba e, acima de tudo, corrido. As razões dos vilões são apresentadas com pressa e soam como uma desculpa qualquer que os roteiristas criaram para justificar uma série de torturas – e a gente sabe que não é o caso, já que o filme original teve a mesma premissa e não foi apenas bem sucedido, como se transformou em um cult.

 

A parte final de Martyrs, que deveria ser a melhor e mais gore, acabou amenizada para agradar o público mais mainstream de Hollywood, o que acabou não dando certo. Os problemas dos dois últimos atos somados a uma direção simplória, vide um momento em que Anna atende a ligação de Lucie e fica visível no visor do celular que a ligação ainda está chamando enquanto as personagens conversam, e a um roteiro fraco e tosco leva o filme a um ridículo não intencional. 

 

4

Ruim

Prós
  • A ideia de agrupar três subgêneros de terror em um só filme é interessante
  • O primeiro arco da trama é ótimo
Contras
  • A premissa para os vilões serem vilões não convence
  • A melhor parte do filme, a primeira, dura menos de 15 minutos
  • O longa contém inúmeros clichês de terror, erros de continuidade e desfechos questionáveis

4

Ruim

Prós
  • A ideia de agrupar três subgêneros de terror em um só filme é interessante
  • O primeiro arco da trama é ótimo
Contras
  • A premissa para os vilões serem vilões não convence
  • A melhor parte do filme, a primeira, dura menos de 15 minutos
  • O longa contém inúmeros clichês de terror, erros de continuidade e desfechos questionáveis
Antes de Watchmen: Espectral
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