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Agents of S.H.I.E.L.D. – 3ª Temporada

Várias despedidas e tom mais sério para a aventura

Por Rafael Sanzio - 23 Mai 2016 às 13:59h

Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. é uma série de aventura e espionagem no universo cinematográfico da Marvel Studios, só que na telinha. Ela não tem nenhuma força para moldar os eventos do que acontece nos filmes do estúdio, mas encontra por si só uma força para manter sua trama interessante e impactante, mesmo que seja esquisito ver o mundo ameaçado e os Vingadores sequer serem cogitados... nenhum deles. Essa é a grande trava na coerência da ambientação do programa, eles são influenciados por tudo que acontece nos filmes, mas com certeza, por razões orçamentárias, ninguém dos filmes pode aparecer por lá... bem, ninguém com o cachê alto. A 3ª temporada veio para cortar essa dependência de uma vez por todas, há sim as referências, mas todo o arco envolve apenas a S.H.I.E.L.D. e o problema com os Inumanos, que com a incerteza do filme, fica cada vez mais claro que possa ser algo “original” da série – e que se os filmes utilizarem, terão que admitir de onde veio.

 

As consequências da liberação da Terrígena no oceano, os casos de Inumanos sendo “acordados” aumentam – graças a pessoas que utilizam óleo de peixe. Com isso, mais mal-entendidos e danos colaterais de um Inumano solto sem controlar seus poderes acontecem pelo mundo e a S.H.I.E.L.D. se esforça para evitar maiores desastres. Contudo, não é só a agência secreta que lida com esses casos, o próprio governo entra na jogada, com sua própria solução para o surgimento dos Inumanos. Enquanto as duas agências brigam, a H.I.D.R.A. finalmente consegue chegar próxima ao seu verdadeiro plano desde sua criação, trazer um deus para o planeta Terra.

 

Impressiona como a série consegue trabalhar vários arcos e temas em uma temporada só. Temos o problema envolvendo os novos Inumanos e como lidar com eles; Não podemos esquecer que é nessa temporada que saberemos o que aconteceu com a agente Simmons (Elizabeth Henstridge); tem ainda Grant Ward (Brett Dalton) com seu plano para dominar a H.I.D.R.A.; há o monstrão Lash que mata Inumanos e depois o suspense para descobrir quem é ele; depois o negócio fica bem mais sombrio, com a chegada do Inumano Colmeia e ainda outro mistério envolvendo a previsão da morte de um membro da equipe.

 

 

Muita coisa não? O que pode ser dito é que o início focou na trama da outra agência do governo e o Inumano assassino de Inumanos. Por um lado, temos mais um motivo para dar credibilidade ao ato de registro de pessoas “aprimoradas”, mas nesse caso entra no quesito alienígenas entre nós e assim temos um pouco do que poderia ter sido os mutantes nas mãos da Marvel. Nota-se a solidificação dessa raça na trama da série, e eles fazem um bom trabalho em apresentar novos personagens nesse padrão – os Inumanos não tem lá muitos personagens conhecidos ou legais como os X-Men, mas deve-se trabalhar com o que tem.

 

Se você não aguentava mais a H.I.D.R.A. como vilã principal, essa temporada fecha finalmente esta história e de forma bastante razoável. Foi divertido por um tempo, mas o “Hail, Hydra” já foi ultrapassado. A saída definitiva não ficou apenas para os antagonistas, mas também para alguns heróis, contudo, ainda falta colhões para os roteiristas em retirar os atores que começaram a série – mesmo que o episódio Ascension fique brincando com os seus sentimentos na cara dura.

 

O enredo da temporada tem um bom desenvolvimento, seguindo uma trilha, mas não deixando de surpreender com o caminho que muda para algo inesperado ou ao menos inusitado. Você tem uma sensação de pequenos arcos fechados dentro da temporada e pequenas peças que integrarão outro arco fechado que dará o clímax da 3ª temporada. E isso tudo sem muita enrolação, apesar de alguns episódios acrescentarem pouco à série ou não oferecem nada de impactante para ficar registrado como um bom episódio, como aconteceu com Watchdogs, que apesar de dar pistas da trama principal, a história do irmão de Mack (Henry Simmons) ter sido algo desnecessário, já que Mack já está bastante humanizado e conhecer o passado dele só seria interessante se trouxesse algo interessante. Outro episódio que não deu certo, e olha que ele é importante para a história, foi Parting Shot, que simplesmente foi mal executado e as transições entre o interrogatório e a trama do episódio não ficaram boas e sem graça. No fim, ficou nítido que foi forçado uma plot para que uma série derivada pudesse ser criada (e que no fim, foi cancelada). Failed Experiments tem uma participação muito tosca dos alienígenas Kree, e uma falsa participação de Wakanda.

 

 

Em contrapartida também há bons episódios. Os que brincam com o suspense ou giram em torno do mistério trabalham bem esses elementos. Como a verdadeira identidade de Lash e o episódio The Singularity, que deu uma ótima vibe de “Invasores de Corpos”.

 

Os efeitos especiais, à medida em que aumenta os personagens com poderes, consegue se manter em um bom nível. O problema maior não está na computação gráfica, e sim no design de produção e maquiagem. Lash ficou no limiar do ridículo, mantendo-se ameaçador, contudo, os alienígenas Kree são toscos. O verdadeiro visual do vilão Colmeia foi uma excelente surpresa e muito bem dirigida a cena. É nítida a desculpa esfarrapada para não criar uma variedade de Inumanos com poderes diferentes em Ascension, vamos todos deixar todo mundo deformado. Mesmo criando minions, os combates tendem a não ser mortais na maioria das vezes, o que pode começar a preocupar no quesito “estamos virando Power Rangers como Arrow”, a diferença é que aqui o clima não permite essa comparação, apesar dos constantes combates corpo-a-corpo.

 

O elenco da série teve várias oportunidades para trabalhar o desenvolvimento dos personagens, desde Jemma virando sobrevivente e depois passando por um tempo traumatizada à Daisy (Chloe Bennet) que já tinha sua história definida, mas acrescentou algumas coisas pesadas ao seu currículo. De todos, acredito que Ming-Na Wen já deu tudo que tinha que dar para a série, podendo ser um dos membros principais a sair de alguma forma.

 

Marvel’ Agents of S.H.I.E.L.D. apenas cresce em escala e produção, demonstrando que pode surpreender em termos de efeitos especiais e bons episódios com uma pitada de suspense e intriga. Mesmo assim, o visual ainda é de uma série descompromissada, mas pelo menos em seu tom ela tenta equilibrar isso.

 

8.3

Ótimo

Prós
  • A 3ª temporada está recheada de subtramas interessantes e que concedem boas reviravoltas e suspense
  • Os Inumanos são praticamente de Agents of S.H.I.E.L.D. e eles utilizam bem essa exclusividade
  • A produção da série ainda surpreende com alguns efeitos especiais
  • Apesar de ter humor, o tom da trama cresce em maturidade e nos perigos, ao menos para os personagens coadjuvantes
Contras
  • Quando eles erram na maquiagem e visual, eles erram para valer, como foi o caso dos Kree
  • O desgin de produção ainda peca em vários sentidos, deixando o programa longe de uma maturidade visual

8.3

Ótimo

Prós
  • A 3ª temporada está recheada de subtramas interessantes e que concedem boas reviravoltas e suspense
  • Os Inumanos são praticamente de Agents of S.H.I.E.L.D. e eles utilizam bem essa exclusividade
  • A produção da série ainda surpreende com alguns efeitos especiais
  • Apesar de ter humor, o tom da trama cresce em maturidade e nos perigos, ao menos para os personagens coadjuvantes
Contras
  • Quando eles erram na maquiagem e visual, eles erram para valer, como foi o caso dos Kree
  • O desgin de produção ainda peca em vários sentidos, deixando o programa longe de uma maturidade visual
Antes de Watchmen: Espectral
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