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Alice Através do Espelho

Continuação exagera na computação gráfica e deixa história um pouco de lado

Por Carla Braga - 26 Mai 2016 às 17:42h

A notícia de que Alice no País das Maravilhas ganharia uma sequência após arrecadar US$ 1 bilhão ao redor do mundo em 2010 (mesmo tendo recebido péssimas críticas) fez alguns levantarem suas sobrancelhas para as motivações da Disney. Afinal, uma continuação era, artisticamente, necessária? Mas Alice Através do Espelho, que chegou aos cinemas nesta semana, é, de fato, inspirado em outro livro de Lewis Carroll que dá continuidade às aventuras de Alice. Com um material esperando para ser adaptado, não é tão impensável assim que o famoso estúdio tenha tentado repetir o sucesso (lucro) do primeiro filme.  

 

Mas você já leu o segundo livro de Carroll para Alice? Enquanto que o livro que inicia a história é uma obra singular, comumente conhecida e bem recebida pela literatura infantil, o segundo volume é uma criação peculiar, maluca e linda, que não é, facilmente, desencarnada da sua fonte original para ser remodelada em um formato mais corporativo. Seis anos se passaram então para o estúdio conseguir criar o segundo filme da franquia, mas, apesar de ter bebido de uma fonte riquíssima, a Disney não conseguiu justificar a existência desta produção.

 

 

Alice Através do Espelho é texturizado com camadas e mais camadas de computação gráfica (CGI lá fora) ao ponto de dar agonia e passar a sensação de estarmos contemplando uma pintura por cima de outra. Os cenários, que se somam para criar o universo tão importante para o filme, também são, em maioria, chapados e sem profundidade - esqueci ao longo do filme que estava o assistindo em 3D, por exemplo. Um erro imperdoável, já que, se você deseja criar uma produção preenchida por computação gráfica, crie visuais impecáveis, que justifiquem esta medida. Tudo é exageradamente falso, quando não precisava ser. 

 

Além disso, a direção não impressiona. O filme não contou com Tim Burton, diretor de Alice no Páis das Maravilhas, o que não é tão lamentável assim, já que o longa de 2010 está longe de ser um dos melhores do renomado cineasta. Ao invés do famoso nome, James Bobin assumiu a tarefa duplamente difícil de dar continuidade a um trabalho inciado por outra pessoa e preencher sapatos tão conhecidos como os de Burton. Infelizmente, Bobin seguiu o caminho da imitação, ou seja, de primeira, não se percebe que este longa foi dirigido por uma pessoa diferente. Para o bem ou para o mal. Alice Através do Espelho imita o estilo saturado do seu antecessor.

 

 

Mas nem tudo está perdido. Os personagens secundários quase todos serão esquecidos assim que você sair do cinema (com exceção dos fofíssimos segundos do Tempo), mas os protagonistas, com destaque para Mia Wasikowska mais uma vez no papel de Alice e para Sacha Baron Cohen como a personificação do Tempo, estão impecáveis e merecem ser assistidos por si só. Tempo (Cohen) é um personagem construído de forma admirável que recebeu um ator a sua altura e a Alice de Wasikowska continua determinada e forte, com uma atriz ainda mais focada em passar credibilidade a sua personagem. Ah, e os dois são os que têm o melhor visual - os figurinos usados por Alice são super interessantes e a fusão de homem/máquina em Tempo ficou bem interessante. 

 

Com um visual mais coerente para o universo de Carroll e uma história mais recheada de conteúdo, Alice Através do Espelho poderia ter ido muito mais longe. A trama possui bastante potencial e é construída de forma interessante sem deixar todos confusos com suas linhas de tempo diferentes, mas faltou mostrar melhor o porquê dela estar escapando da sua própria realidade, faltou uma melhor motivação para ela iniciar sua saga pelo tempo, faltou um quê de maluquice na personalidade do Chapeleiro Maluco (Jhonny Depp) e faltou construir um universo mais coerente com os dos livros. De qualquer forma, o Alice Através do Espelho é uma aventura e tanto e, com tanta computação gráfica, fica até difícil não ser imergido no seu universo, principalmente, para o público infantil. 

 

 

6.9

Aceitável

Prós
  • Consegue abordar viagens no tempo sem deixar tudo confuso
  • Sacha Baron Cohen rouba a cena como Tempo, um dos personagens principais do filme
  • Mia Wasikowska volta mais madura e determinada para dar vida à Alice
Contras
  • O Chapeleiro Maluco perde um pouco do seu nonsense
  • Os personagens secundários, principalmente os gráficos, são apenas adereços para o visual do filme
  • O roteiro poderia ter construído melhor as motivações dos personagens principais
  • Os visuais são exageradamente gráficos e, as vezes, chapados e sem profundidade

6.9

Aceitável

Prós
  • Consegue abordar viagens no tempo sem deixar tudo confuso
  • Sacha Baron Cohen rouba a cena como Tempo, um dos personagens principais do filme
  • Mia Wasikowska volta mais madura e determinada para dar vida à Alice
Contras
  • O Chapeleiro Maluco perde um pouco do seu nonsense
  • Os personagens secundários, principalmente os gráficos, são apenas adereços para o visual do filme
  • O roteiro poderia ter construído melhor as motivações dos personagens principais
  • Os visuais são exageradamente gráficos e, as vezes, chapados e sem profundidade
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