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Penny Dreadful – 3ª Temporada

Série estrelada por Eva Green chega ao fim de forma épica, porém prematura

Por Carla Braga - 21 Jun 2016 às 16:49h

Quem acompanha o Fique Ligado sabe que somos fãs de Penny Dreadful por aqui. Assim, ficamos tão desnorteados e melancólicos como qualquer outro fã ao descobrir que o terceiro e mais recente ano da série de John Logan foi também o seu último. Pois é, The Blessed Dark, exibido neste último domingo (19), finalizou a história do quarteto principal do programa. Mas, apesar da terceira temporada ter sido excepcional e a melhor da história do seriado, ela não precisava ter sido a última, e a ausência de uma pessoa em particular ecoou nos dois últimos episódios.  

A decisão de separar os personagens principais em séries é vista, comumente, como um ato desesperado por novas ideias e oportunidades para histórias, que não aconteceriam no cenário original do programa. Medidas assim acontecem, geralmente, nas últimas temporadas das séries quando de tudo já foi feito. Portanto, a separação do quarteto principal de Penny Dreadful foi algo suspeito, mas não necessariamente negativo. Afinal, a equipe de roteiristas comandada por Logan foi mais do que competente ao tornar cada uma das tramas isoladas interessantes por si só. No entanto, isso era necessário mesmo na terceira temporada?

Não! A mente criativa de Logan já provou ser mais do que astuta e poderia ter retardado por, pelo menos, uma temporada a separação e consequente reunião dos personagens para o fim inevitável, que acontece em The Blessed Dark. Porém,por motivos que jamais saberemos, Logan alega que sua série sempre foi idealizada para apenas três temporadas.

Apesar de prematura, a separação foi uma ideia inteligente. Penny Dreadful conseguiu distanciar fisicamente seus personagens principais sem fazer com que o senso de que são um grupo, uma unidade, se perdesse. Até mesmo a trama de Ethan Chandler (Josh Hartnett), ambientada em um Estados Unidos sem lei e com elementos clássicos de faroeste, mantém-se interligada com a de Vanessa Ives (Eva Green) e surpreende quem achou que ficaria entediado. Além de Kaetenay (Wes Studi) e Hecate Poole (Sarah Greene) e seus respectivos relacionamentos com Ethan, o mistério e resolução criados em volta da figura do pai de Ethan é um dos pontos altos não só da temporada, mas da série.

A trama de John Clare (Rory Kinnear), que sempre foi a mais problemática para o programa, toma um rumo bem-vindo ainda mais humano e acaba de forma poética e coerente – sem criar aquela sensação chata de que foi tudo resolvido às pressas. Por outro lado, a imersão de Dr. Jekyl, e como o personagem se desenvolve na trama de Victor Frankenstein (Harry Treadaway), parece um pouco sem sentido para uma última temporada.

A melhor das tramas isoladas (antes de mencionar a de Vanessa) é, sem dúvidas, a de Lily (Billie Piper) e Dorian Gray (Reeve Carney). Com a ascensão de Lily a uma revolucionária feminista ao lado de um Gray incialmente inebriado por poder, mas rapidamente entediado e a consequente queda da personagem foi interessante de acompanhar. O monólogo dado à Billie Piper sobre a dor, raiva e a perda de uma criança no passado de Lily é um dos melhores momentos da atriz na série. Essa trama em particular poderia ter rendido toda uma outra temporada, e ficamos sem saber ao certo o que acontecerá com uma personagem tão importante.

Por outro lado, a trama de Vanessa Ives (Eva Green) é desenvolvida desde o primeiro episódio e é finalizada de forma triste, porém coerente. Essa trama, que é a principal, envolve vários personagens novos e interessantes, como a Dra. Seward (Patti LuPone) e o seu assistente Renfield (Samuel Barnett), mas o seu enfoque é em Vanessa e seu novo interesse romântico, o Dr. Alexander Sweet, vivido por Christian Camargo, e a face humana de Drácula – que já havia dado a cara de leve na primeira temporada. Com um personagem tão maléfico se aproximando cada vez mais de Vanessa e, portanto, despertando a escuridão dela, a cidade vai ficando cada vez mais macabra, o que rendeu um visual enevoado e macabro, com humanos/vampiros e corpos pendurados como em açougues, que foi um dos melhores já criados para a estética visual de Penny Dreadful.  

No entanto, apesar da personagem de Eva Green servir como a força motivadora para o final dos tempos, ela mal aparece nos episódios focados nisso. A ausência da atriz nos dois últimos capítulos da série, enquanto algo positivo para o desenvolvimento dos demais personagens, priva a sua personagem e situação do seu significado pretendido. O pouco tempo de tela de Green nos dois episódios finais cria um certo desequilíbrio e ecoa na mente de quem os assiste. É dessa forma, infelizmente, que uma temporada tão sublime finaliza uma das melhores séries no ar da atualidade. Prepare-se para ver uma excelente temporada, com um final deveras melancólico.

 

9.6

Incrível

Prós
  • A estética de produção e criaturas horrendas nunca estiveram tão bem feitas
  • Vários novos personagens secundários interessantes para as tramas
  • Roteiristas conseguiram sustentar as tramas isoladas de igual para igual e manter tudo interessante e concatenado com o todo
  • As atuações dos personagens principais continuam excelentes e um dos pontos altos da série – talvez melhor e mais alto do que nunca
Contras
  • Alguns personagens ainda tinham pano para outras mangas
  • Desperdiçou possíveis temporadas dividindo o quarteto principal neste ano
  • Vanessa Ives está ausente logo nos episódios finais apesar de ser parte principal dos acontecimentos
Antes de Watchmen: Espectral
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