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A Piada Mortal

Adaptação animada possui um inconveniente curta de 27 minutos

Por Rafael Sanzio - 15 Ago 2016 às 11:53h

Quando anunciaram a adaptação para animação de A Piada Mortal e sua classificação etária, para maiores de 18 anos, houve muita esperança quanto ao resultado. Contudo, Brian Azzarello resolveu dar mais substância a personagem Bárbara Gordon para a trama, e ao tentar fazê-lo, cria uma história que não consegue se unir de maneira satisfatória à adaptação que deveria estar acontecendo ali.

A trama, baseada na obra de Alan Moore e Brian Bolland, envolve o que parece ser o derradeiro embate entre Coringa (voz sensacional de Mark Hamill) e Batman (voz de Kevin Conroy). Mas antes disso, temos uma frustrada Batgirl, que não entende porque seu mentor não a trata como uma igual.

Ok, eu entendo, para quem não acompanha quase nada de Batman seria necessário demonstrar a importância da personagem Batgirl para trama e o quanto a atitude do Coringa feriu à todos. Contudo, não se gasta 27 minutos de uma animação de 76 minutos para isso. A primeira parte da obra é bastante dispensável, principalmente por criar um enredo fechado que não possui nenhuma ligação direta para a segunda parte – pode até ser uma maneira de demonstrar a força da personagem e como ela reagiria a caras obsessivos, mas comparar o pífio Paris Franz ao Coringa, é de forçar a barra. Como conteúdo próprio acerca da Batgirl, funciona, mas A Piada Mortal é sobre o Coringa e o Batman e como os dois são parecidos e como o vilão ficou louco.

Agora, quem não conhece a personagem pode se relacionar com ela e sentir mais a sua dor. E o restante da obra foi bem adaptada, com suas licenças poéticas ali e aqui, adicionando bem mais ação e lutas. Infelizmente, mesmo com a classificação etária, o que ganhamos é um pouco de morte mais explicita e alguns palavrões – nada extraordinário. Isso se deve ao fato que os traços da animação não se comparam a arte de Brian Bolland, que com seus desenhos encrosta a insanidade do Coringa em cada personagem do circo, e as expressões de cada personagem são bastante visíveis. Os desenhos da animação são bastante reconhecíveis, como o clássico Batman: The Animated Series dos anos 90, contudo, esse estilo de desenho não está pronto para representar A Piada Mortal. Há apenas dois momentos que conseguem essa proeza, mas são nitidamente baseados no esforço de animar o que foi feito na revista em quadrinhos.

A animação também conseguiu criar uma forma dúbia de terminar a história de A Piada Mortal como a própria obra de Moore fez em seu tempo, mas aqui é bem mais focado no som do que nas imagens – preste bem atenção acerca da ausência dele. Por falar em sons, vale ressaltar o esmero e trabalho incrível de dublagem do ator Mark Hamill – para quem não liga o nome à pessoa, ele é ninguém menos que o Luke Skywalker da franquia Star Wars. O cara é excelente e realmente merece o posto de uma das vozes principais do Palhaço do Crime.

A Piada Mortal sofreu uma baixa de qualidade ao acrescentar mais coisas do que devia – provavelmente para ter um tempo de história significativa – mas Azzarello errou ao dar tempo demais e história em demasia para a Batgirl. Serviu ao seu propósito, mas desvirtuou a atenção ao que deveria ser o tema principal da obra do qual estava sendo adaptada.

6.5

Aceitável

Prós
  • A segunda parte da animação retrata bem a obra de Alan Moore
  • Mark Hamill faz um excelente trabalho na dublagem do Coringa
Contras
  • A primeira parte, com a história da Batgirl, é desnecessariamente longa
  • Os traços da animação não conseguem trazer o esquisito e desconfortante mundo do Coringa apresentado nos desenhos de Bolland

6.5

Aceitável

Prós
  • A segunda parte da animação retrata bem a obra de Alan Moore
  • Mark Hamill faz um excelente trabalho na dublagem do Coringa
Contras
  • A primeira parte, com a história da Batgirl, é desnecessariamente longa
  • Os traços da animação não conseguem trazer o esquisito e desconfortante mundo do Coringa apresentado nos desenhos de Bolland
Antes de Watchmen: Espectral
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