X

Quando as Luzes se Apagam

Quando o monstro caricato dá mais medo que o novo

Por Rafael Sanzio - 19 Ago 2016 às 11:04h

David F. Sandberg dirigiu um curta-metragem chamado Lights Out e chamou a atenção de muita gente nas redes sociais, além de garantir vários prêmios em festivais de terror. Chamou tanto a atenção que o filme foi adaptado para os cinemas, sob a tutela da Warner e produção do já gabaritado no gênero, James Wan (Invocação do Mal, Sobrenatural). Com isso, Quando as Luzes se Apagam traz alguns elementos criativos de um diretor de baixo orçamento, mas ainda se entrega a alguns clichês.

A trama envolve uma família atormentada por uma criatura das sombras com ligações profundas com a mãe das crianças, Sophie (Maria Bello). O caçula Martin (Gabriel Bateman) já não suporta viver na mesma casa que o monstro e recorre a distante irmã, Rebecca (Teresa Palmer) para lhe ajudar na fuga. O problema é que não há como fugir da escuridão e os dois devem pensar em um plano para salvar a mãe das garras da criatura.

Eric Heisserer e Sandberg cuidaram do roteiro e foi uma boa adaptação da situação tensa explorada no curta-metragem. Só que dessa vez, acrescentasse o tom agressivo e quase demoníaco à criatura para fazer jus aos filmes do gênero para garantir bilheteria e lucro. As medidas que os dois tomaram, seja no roteiro quanto na direção, foram bem acertadas. Diana (o nome da criatura), é uma entidade bastante presente no filme e não é tímida, o que acerta no quesito periculosidade do filme – muitos filmes demoram demais para apresentar uma criatura ativa. Isso se deve ao fato de entendermos de imediato o quão o monstro é perigoso.

É engraçado perceber como Sandberg equilibra-se entre o clichê e a originalidade. Há muitas cenas diferentes do comum, dando aquele toque especial à criatura e como ela interage com o ambiente. Contudo, há também aquelas coisas habituais de alguns filmes de terror, principalmente a cena final com a câmera nos personagens e saindo para o alto. O monstro em si quando está em sua versão das sombras é bem impactante, mas quando sua forma é revelada, é decepcionante pois é algo bastante genérico. Mas é legal também ver algumas reações inteligentes de personagens ao perigo, o que é bem raro em filmes do tipo.

O diretor optou pela utilização de efeitos práticos e o mínimo de computação gráfica – acostumado com orçamentos baixos. Isso dá personalidade a produção e ao mesmo tempo gerou cenas mais reais. A trilha sonora contribui com as sequências, mas não é tão assustadora quanto as próprias cenas – há as batidas fortes, mas você já vai estar se assustando com o momento gerado.

O elenco está muito bem para o filme desse gênero. Teresa Palmer é uma ótima protagonista, principalmente pelo roteiro ajudar na construção da personagem, deixando-a forte e independente. Alexander DiPersia está no mínimo, “fofo”, como o esforçado namorado que acompanha Rebecca pelos cantos. A única queda de qualidade vem do ator mirim Gabriel Bateman, que não basta ser simpático, precisa melhorar nas expressões – e olha que dão falas significativas para o garoto e momentos tensos. A protagonista do curta, Lotta Losten (esposa do diretor), faz uma participação especial na produção e o resultado é diferente do esperado.

Quando as Luzes se Apagam é uma ideia bacana que teve que vestir-se como um filme de terror básico, com seus momentos e algumas situações comuns ao gênero para agradar ao público adolescente cativo. Contudo, ele tem boas sacadas e momentos interessantes e diferentes do usual. É para ficar de olho no diretor David F. Sandberg e ver se ele conseguirá fazer uma sequência de Annabelle bem melhor que o original.

 

7.7

Bom

Prós
  • A protagonista é uma personagem forte, independente e com uma boa interpretação de Teresa Palmer
  • David F. Sandeberg é um bom diretor e sabe aproveitar o orçamento que tem
  • O tipo de monstro do filme entrega boas cenas criativas
Contras
  • Alguns clichês do gênero estão presentes no filme e um é vergonhosamente reconhecível
  • Erraram na concepção da verdadeira forma da criatura, deixando-a genérica e sem atrativos

7.7

Bom

Prós
  • A protagonista é uma personagem forte, independente e com uma boa interpretação de Teresa Palmer
  • David F. Sandeberg é um bom diretor e sabe aproveitar o orçamento que tem
  • O tipo de monstro do filme entrega boas cenas criativas
Contras
  • Alguns clichês do gênero estão presentes no filme e um é vergonhosamente reconhecível
  • Erraram na concepção da verdadeira forma da criatura, deixando-a genérica e sem atrativos
Antes de Watchmen: Espectral
Antes de Watchmen: Espectral
Antes de Watchmen: Espectral
Críticas