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É Remake ou Reboot?

Decidimos responder a pergunta que não quer calar!

Por Carla Braga - 13 Set 2016 às 15:55h

Na realidade cinematográfica avessa a riscos em que vivemos, ideias originais têm se tornado pontuais, e os filmes têm se transformado, quase exclusivamente, em repaginações de materiais já existentes. Nesse contexto, há duas palavras-chave fundamentais em alta: remake e reboot. Mas, apesar de serem usadas de maneira indistinta as vezes, elas possuem significados bastante diferentes, gerando confusão. Que tal aprender com a gente a diferença entre esses dois termos, que não saem da boca do povo, e poder tirar a dúvida dos amigos nas discussões sobre filmes e séries?

Remake

A priori, um remake homenageia e honra a sua fonte original e sua existência justifica-se em uma possível modernização de estilo de direção, tema, diálogo, visual e por aí vai. A ideia é pegar algo legal, mantendo o seu formato original, ao mesmo tempo em que o torna mais apelativo para um específico público para capitalizar em cima disso. Ou seja, quando Hollywood compra os direitos de um filme estrangeiro bem-sucedido ela quer lucrar em cima de uma ideia e formato, que já deram certo, deixando-os mais apelativos para o público norte-americano, que possui a fama de odiar ler legenda.

Os remakes podem ter muitas ou poucas mudanças em relação à produção original. O remake de Psicose, por exemplo, que Gus Van Sant lançou em 1998, é um ótimo exemplo de quando um remake é extremamente fiel ao original, pois contém tomadas após tomadas iguais às do clássico de 1960, de Alfred Hitchcock. Mas é quando um remake possui muitas mudanças na sua estrutura e história que a confusão se aplica, já que isso o distancia da obra inicial. Por isso é bom manter em mente que, apesar das diferenças, como de locação ou ambientação temporal, se a estrutura narrativa e os personagens forem os mesmos, trata-se de um remake.

Outra característica dos remakes é que eles costumam acontecer com maior incidência no modelo cinematográfico, focando melhor em uma única produção do que em uma franquia, mas isso não impede que remakes de séries sejam feitos, como The Killing, que adaptou a série dinamarquesa Forbrydelsen, e Shameless que é um remake de uma série homônima britânica.

Já os exemplos de filmes são vários, como Godzilla (o primeiro de 1954 e o segundo de 2014), um remake bem diferente do original devido ao longo intervalo de tempo entre as duas produções; Carrie, a Estranha (o primeiro de 1976 e o segundo de 2013); A Fantástica Fábrica de Chocolate (o primeiro de 1971 e o segundo de 2005), Oldboy (o primeiro de 2003 e o segundo de 2013); Vanilla Sky (o filme de 2001 é um remake de Abre los Ojos, de 1997); Os Infiltrados (o primeiro de 2002 e o segundo de  2006); Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (o primeiro de 2009 e o segundo de 2011) e tantos outros!

Reboot

Já um reboot implica em uma revisão completa do material de origem e, muitas vezes, transforma algo único e singular em uma franquia (interminável). Assim como acontece com os remakes, o grau de intensidade das transformações varia, mas aqui o grau vai de muito para MUITO, já que o título, muitas vezes, é o único elemento restante do original. Um reboot pode manter alguns ou todos os nomes dos personagens, elementos da trama, temas e por aí vai, mas é preciso frisar que um reboot, como o nome já sugere, significa começar do zero basicamente, sem se basear em um filme específico.

Um reboot costuma descosturar o seu material de origem até chegar no seu cerne para achar os seus elementos mais básicos – serão eles que farão a conexão entre a nova produção com a antiga. Reboots podem ser feitos a partir de antigas franquias ou produções isoladas de filmes, séries ou jogos e, muitas vezes, contam histórias inéditas inseridas em um universo comum à fonte original. Ou seja, não estão presos a tramas narrativas ou personagens, tendo a liberdade de manter ou não personagens e tramas originais.

Exemplos de reboots são: Planetas dos Macacos, de 1968, que ganhou uma franquia nova em 2001; a franquia O Espetacular Homem-Aranha que, em 2012, deu um reboot na franquia O Homem Aranha; Batman Begins, que, em 2005, partiu do zero para recontar a história do Morcego; Caça-Fantasmas, que colocou um quarteto de mulheres neste ano para fazer um reboot para a franquia dos anos 80 Os Caça-Fantasmas; Star Wars: O Despertar da Força; O Homem de Aço; Star Trek, que, em 2009, deu um reboot na franquia criada, originalmente, para a televisão nos anos 60; Mad Max, que manteve o protagonista-título, mas inseriu uma protagonista inédita, a Furiosa; os exemplos são muitos.

Com isso, a gente espera ter sanado as dúvidas de vocês. Agora é hora de ir ajudar as amigos, que ainda devem estar confusos!