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The Walking Dead – 7ª Temporada: Primeiras Impressões

Pessoal enrola até quando não tem intenção

Por Rafael Sanzio - 24 Out 2016 às 10:43h

Muita gente ficou revoltada com o final da sexta temporada de The Walking Dead – a enrolação de todo o momento para no fim não saber quem foi a vítima de Negan (Jeffrey Dean Morgan). Foi uma jogada desnecessária dos produtores da série porque, dessa forma, não fizeram o público aguardar ansioso e sim com raiva a nova temporada. E nesse domingo, 23 de outubro, eis que vai ao ar o primeiro episódio da sétima temporada, The Day Will Come When You Won’t Be. Para darmos uma primeira impressão condizente ao que estamos sentindo, é necessário o SPOILER – portanto, cuidado.

Há dois pontos de vista dentro do tipo de telespectador que devemos evidenciar: aquele que lê a HQ e aquele que só acompanha a série. Para quem se encaixa no segundo tipo há de se achar que ele esteja sofrendo junto com os personagens o seu momento fatídico, não sabendo quem irá sucumbir (se por acaso ele também escapou dos spoilers e pistas que as redes sociais dão) e genuinamente o contexto criado pelos roteiristas faz uma ótima tortura para esses telespectadores. E assim, a imortalidade criada em torno de Glenn (Steven Yeun) deixou esse público desarmado para o que estava por vir. Enquanto isso há o primeiro grupo.

Quem já acompanha os quadrinhos assiste a série baseado no que sabe das histórias de Robert Kirkman e até tinha boas pistas de quem sucumbiria, baseado em quem já estava morto nos quadrinhos. Então cada momento de angústia, na verdade, foi uma enrolação.

Das duas formas, os roteiristas erraram ao segurar a morte para a sétima temporada, pois o impacto da morte de Glenn... e ok, Abraham (Michael Cudlitz) definitivamente não é a mesma coisa do que acompanha-los durante uma temporada inteira e ter que dar adeus para eles e remoer esse fato enquanto espera a volta da série. Serem mortos agora, bem, mal dá para começar a se lembrar do porquê achávamos os personagens legais e de suas atitudes para nos importar com eles. O impacto seria bem maior, nesse primeiro episódio, se o morto fosse o Daryl (Norman Reedus), porque ele sim ganhou um status de personagem mais querido que se mantém entre os hiatos do programa.

Mas não foi isso o que aconteceu e o que aconteceu foi um exagero em manter a expectativa. Ao invés de começar com a tortura psicológica, lá vai querer focar na angústia de Rick (Andrew Lincoln) sobre o que já aconteceu, enquanto pistas – nem sequer são pistas e sim provocações de quem poderia ter morrido – povoam sua mente. Além disso, há um bate papo desnecessário entre ele e Negan porque a própria execução, e o que vem a seguir, já são o suficiente para quebrar um homem e essa enrolação do machado foi apenas uma desculpa para ter os flashbacks. Uma execução (belo momento para usar o termo) mais direta da cena seria algo bem mais impactante e não brincaria com os já irritados telespectadores.

Graficamente, tirando o visual do rosto de Glenn após o primeiro golpe (homenagem ao visual que ficou na HQ), as execuções foram bem sem graça. Após o primeiro golpe, as cabeças não foram tão esmagadas assim – será que estou tão insensível assim?

Porém, todo o episódio serviu para mostrar que o ator Jeffrey Dean Morgan está muito bem como o vilão Negan e que ele promete estar bem na pele do personagem – com certeza não temos um novo Governador aqui pessoal. E o extra que o roteirista Scott M. Gimple acrescentou ao colocar Rick na posição de cortar fora o braço de Carl (Chandler Riggs) foi algo que naturalmente se encaixou na personalidade de Negan, contudo e infelizmente, parece que o relacionamento existente entre os dois será voltado para Daryl.

Decepcionante por um lado, por ser previsível e ainda querer enrolar, mas gratificante por ver a atuação de Jeffrey. Não dá para realizar o tom da série neste primeiro episódio, pois sente-se como uma continuação que finalmente fechou seu ciclo, mas como Negan alertou: “as coisas mudaram”. Vamos ver!