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Universos e realidades paralelas do entretenimento

Doutor Estranho não é a primeira produção a abordar o assunto!

Por Carla Braga - 03 Nov 2016 às 11:35h

Com a aguardada chegada de Doutor Estranho aos cinemas nacionais nesta semana, filme que introduz a ideia do Plano Astral e de outras dimensões, como a Dimensão do Espelho, ao Universo Cinematográfico da Marvel e discute a ideia de que a Terra pode estar protegida de outras dimensões neste exato momento, decidimos criar uma lista com as melhores produções (séries, filmes e por aí vai) que fazem algo parecido e trabalham, no mundo do entretenimento, com a possibilidade da existência de universos paralelos ou realidades alternativas. Preparado para esta viagem?

Matrix

A franquia Matrix, criada pelas irmãs Lilly e Lana Wachowski, nos oferece um universo paralelo futurístico alarmante, em que o nosso mundo “real” é, de fato, uma realidade simulada por máquinas e serve como ótimo exemplo para ratificar a ideia de que filmes são, excepcionalmente, bons em sustentar duas ideias ao mesmo tempo sem deixar a peteca cair (algo que acontece principalmente no primeiro longa de Matrix)! A trama passa por várias histórias em paralelo ao mesmo tempo em que o visual das produções impressiona e entrega ótimas cenas de ação. Ah, sem falar que os filmes de Matrix realizam uma proeza ainda maior: conseguem entregar uma presença em tela marcante da parte de Keanu Reeves – algo até e desde então inédito. Se, por alguma razão, você ainda não conferiu esta franquia, precisa vê-la agora!

Stranger Things

A série mais em alta (até então) com o público brasileiro em 2016 não poderia ficar de fora desta lista, com o seu Mundo Invertido. Stranger Things, criada para a Netflix pelos irmãos Duffer, introduziu, com a sua primeira temporada, uma série de referências a Steven Spielberg, John Carpenter, Stephen King, Robert Zemeckis, George Lucas e outros, mas o elemento que mais chamou a atenção foi a existência de um Mundo Invertido amedrontador, em que uma criatura misteriosa e sedenta por carne (humana ou não) vive, e que faz referência à Hipótese dos Muitos Mundos, lançada em 1957 pelo cientista Hugh Everrett. Até agora, poucas explicações foram dadas acerca das origens deste mundo paralelo, mas o que já se descobre, assistindo a primeira temporada do seriado, é super empolgante. Quem aí mal pode esperar pelos novos episódios?

Donnie Darko

Sem dúvidas, Donnie Darko deixa sua audiência confusa, mas, ao mesmo tempo, com a sensação de que assistiu a algo especial. Na pele de um adolescente problemático, Jake Gyllenhaal encarna um personagem para o qual são dadas visões proféticas do apocalipse; a mais importante antecipa o final do mundo em alguns dias. Mas a trama do longa debate também questões como viagem no tempo, angústia, esquizofrenia, decadência suburbana e, claro, realidades alternativas, já que o final da produção reverte toda e qualquer ideia introduzida antes dela e sugere a existência de inúmeras timelines paralelas interligadas por buracos de minhoca.

Cidade das Sombras

Uma pérola da ficção científica extremamente subestimada, Cidade das Sombras (1998) nunca achou a sua audiência, mas esta produção, estrelada por Rufus Sewell na pele de um homem mergulhado em uma cidade de origens obscuras e renegada à escuridão da noite, brinca com a ideia de mundos alternativos, já que, revelações no fim da história, sugerem que o personagem de Sewell está imerso em uma realidade acontecendo em paralelo com outra bem maior (e bem mais assustadora), em que entidades misteriosas e maléficas dominam tudo. Cidade das Sombras é assustador de maneiras inesperadas e meche com a nossa estabilidade emocional.

Looper: Assassinos do Futuro

Em Looper: Assassinos do Futuro, o ano é 2074 e viagens no tempo já são possíveis e utilizadas por organizações criminais, que mandam as versões do futuro dos seus alvos de volta no tempo para serem assassinadas pelos loopers. Mas, quando a versão mais velha de um looper é mandada para ser assassinada por ele mesmo, tudo se transforma, claro, e desencadeia uma série de acontecimentos inesperados. A produção possui uma originalidade rara para os dias atuais de Hollywood, viciada em remakes e reboots, e um twist, no mínimo, interessante no final. Looper: Assassinos do Futuro vai virar, facilmente, uma ficção científica futurística clássica nos próximos anos.

O Nevoeiro

Oriundo de um dos contos mais legais de Stepgen King, O Nevoeiro é uma produção claustrofóbica sustentada por uma narrativa primorosa. O longa coloca várias pessoas presas em um supermercado quando um estranho nevoeiro engole as ruas da comunidade local e acaba sugerindo a ideia de dimensões alternativas mais perto do final – infelizmente, mais detalhes estragariam a experiência de conferir esta produção! Mas vale frisar que a conexão com essas dimensões alternativas é criada de forma semelhante com a que acontece em Stranger Things.

Efeito Borboleta

O sci-fi dramático Efeito Borboleta apresenta Ashton Kutcher na pele de um homem, que consegue viajar no tempo através do seu diário e mudar eventos da sua vida. Como foi vítima de vários traumas de infância, agravados por perdas de memória induzida por estresse, o personagem tenta retificar alguns acontecimentos para si mesmo e seus amigos, mas, claro, que há consequências inesperadas para todos. Inúmeras realidades paralelas são criadas, como resultado das mudanças que ele realizou ao viajar para o passado. Efeito Borboleta não é uma das produções com realidades paralelas mais coerente e convincente que existe por aí, mas é, sem dúvidas, uma das mais cativantes.

A Felicidade Não Se Compra

A Felicidade Não Se Compra tem setenta anos de idade, mas possui uma premissa relevante até os dias atuais ao criar um protagonista, que, na iminência de cometer suicídio, recebe a chance de conferir uma realidade alternativa em que ele, simplesmente, não existiu. A produção é, até hoje, uma das mais vistas nos EUA na época do Natal, mas também é recheada de pensamentos filosóficos e espirituais e uma mensagem dramática, mas, no final das contas, positiva.

O Confronto

A ficção científica futurista O Confronto apresenta a ideia de um oficial da Autoridade dos Multiuniversos, vivido por Jet Li, que deveria policiar a atividade das pessoas entre as dimensões, mas que decide eliminar todas as outras versões dele mesmo existentes em outras dimensões para se tornar “The One”. O que torna a produção ainda mais interessante é que temos a chance de conferir Li interpretando duas versões bastante diferentes do personagem, além do fato de indagações acerca das implicações e possibilidades interligadas aos universos paralelos serem levantadas.

Questão de Tempo

Questão de Tempo é uma comédia romântica dramática bem surpreendente, mas o elemento de ficção científica da sua narrativa não é a principal causa para isso, mas sim a forma como a produção é estruturada para fugir dos estereótipos existentes nas estruturas do gênero comédia romântica. O longa, estrelado por Domhnall Gleeson e Rachel McAdams, é sobre conhecer o amor da sua vida e as implicações que vêm junto com isso, sem uma ruptura na metade da história e uma corrida ao aeroporto no final. Mas claro que o fator viagem no tempo torna tudo ainda mais interessante e charmoso ao criar inúmeras possibilidades para o protagonista, como o fato de poder reviver um dia quantas vezes quiser e mudar certos acontecimentos do seu passado – mas, ei, consequências e limites acabarão surgindo pelo caminho!

De Volta Para o Futuro

Todos os três filmes de De Volta Para o Futuro lidam com realidades alternativas graças à existência de um dos geradores paradoxais mais famosos do entretenimento: uma máquina do tempo. A série foi inspirada por várias produções de realidades alternativas e criada por Robert Zemeckis e Bob Gale depois de Gale ter se perguntado se teria se tornado amigo do pai se os dois tivessem frequentado o ensino médio juntos. Inúmeros estúdios rejeitaram a ideia até que Zemeckis emplacou um sucesso nos cinemas e conseguiu alguma fama para si mesmo. No final das contas, a produção foi escolhida pela Universal, contou com Steven Spielberg como produtor executivo e o resto é história!