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Os principais detalhes já revelados do mundo da magia nos EUA

Animais Fantásticos e Onde Habitam será ambientado em NY em 1926!

Por Carla Braga - 07 Nov 2016 às 16:51h

Publicado em 2001 durante a época (que pareceu uma eternidade) entre o lançamento de Harry Potter e o Cálice de Fogo e Harry Potter e a Ordem da Fênix, Animais Fantásticos e Onde Habitam foi idealizado por J.K. Rowling como um livro bônus (ao lado de O Quidditch Através Dos Tempos) guia “escrito” por Newt Scamander. O que ninguém imaginou na época é que um simples livrinho, que lista as criaturas catalogadas pelo personagem aventureiro, viraria uma franquia estrelada por Eddie Redmayne ambientada nos Estados Unidos.

Cá estamos em pleno 2016 bombardeados por materiais de divulgação do primeiro (do que serão três) filmes de Animais Fantásticos e Onde Habitam, mas pouco sabemos acerca da sua trama, mesmo um pouco antes da sua chegada aos cinemas, que acontecerá no dia 17 de novembro, já que os materiais de divulgação não têm soltado muitas informações acerca do universo mágico da América do Norte, em que a história está inserida!

Portanto, decidimos fazer uma verdadeira investigação sobre o pouco que existe online, e o Pottermore, claramente, mostrou-se ser a fonte mais rica de informações, com textos longos publicados por Rowling para criar uma contextualização antes da chegada dos filmes. Se você quiser saber um pouco mais acerca do universo mágico da América do Norte para não ficar tão perdido na hora de conferir o longa, continue lendo esta matéria!

A magia já existia antes do "descobrimento" da América

Apesar da América ter sido intitulada de “Novo Mundo” pelos exploradores do século 17, os bruxos já conheciam o continente bem antes dos trouxas (aliás, no-majs, como as pessoas sem magia são chamadas na América do Norte) terem iniciado as grandes navegações. Várias formas de viagens, através de vassouras, aparatação e etc, conectaram as mais variadas comunidades mágicas desde a Idade Média até os dias atuais! Ou seja, os bruxos nativo-americanos, africanos e europeus já se conheciam desde muito antes dos no-majs europeus terem conhecido as civilizações da América e África.

Na comunidade nativo-americana, algumas bruxas e bruxos eram aceitos pelas suas tribos, ganhando reputação por possuírem habilidades de cura ou de caça. No entanto, outros eram segregados pelas suas crenças e, muitas vezes, taxados como possuídos por espíritos maldosos! A comunidade mágica nativo-americana era particularmente boa em magias de animais e plantas, com poções muito mais sofisticadas do que as que existiam na mesma época na Europa, mas a principal diferença entre a prática mágica dessas duas comunidades era a varinha – ou a sua ausência na América –, já que a varinha mágica foi originada na Europa.

Logo, charmes e transfigurações eram extremamente difíceis para a comunidade mágica nativo-americana, que não possuía um objeto que conseguisse direcionar de forma precisa e mais poderosa a magia para obter certos resultados.

Bruxos europeus vieram para a América em massa no século 17

À medida que os trouxas europeus começaram a emigrar para a América no século 17, mais bruxos e bruxas da Europa também vieram para o continente. Alguns bruxos emigraram à procura de novas aventuras, mas a maioria viajou como foragida, as vezes perseguida por trouxas ou por outro bruxo, outras vezes pelas autoridades mágicas. Esses bruxos, que vieram foragidos, tentaram se camuflar entre a comunidade não mágica ou entre a população mágica nativo-americana, que foi bastante receptiva e protetora em relação a eles.

De qualquer forma, ficou bem claro para esses bruxos que a realidade da América seria bem mais dura do que a da Europa, já que não existiam lojas para comprar ingredientes (tinham que procurá-los em plantas exóticas para eles) e nem escolas de magia renomadas, além de que os no-majs puritanos se acusavam, constantemente, de bruxaria, o que deixavam os bruxos do Novo Mundo sempre com uma pulga atrás da orelha em relação a eles.

A existência dos Scourers

Apesar de todas as dificuldades mencionadas acima, a principal problemática dos bruxos do Novo Mundo era a existência dos scourers (desordeiros em português). Como a comunidade mágica norte-americana era pequena, ainda não existia um mecanismo de aplicação de lei próprio, o que gerou espaço para a formação de um bando de mercenários inescrupulosos mágicos, formado por várias nacionalidades estrangeiras, que criou uma força tarefa brutal, temida e comprometida em caçar não apenas criminosos conhecidos, mas qualquer um que valesse um real.

Com a passagem do tempo, os scourers ou desordeiros se tornaram ainda mais corruptos, autoritários e numerosos. Os piores scourers amavam torturas e derramamento de sangue e chegavam ao ponto de traficar bruxos! No final do século 17, eles já haviam se multiplicado pelo continente e existem evidências de que eles vendiam no-majs inocentes como bruxos para coletar recompensas dos membros mais extremistas da comunidade no-maj. Provavelmente, os vilões de Animais Fantásticos e Onde Habitam são scourers ou descendentes deles!

Os julgamentos de bruxas em Salem

Os famosos julgamentos de bruxas em Salem, que ocorreram entre 1692 e 1693, foram uma tragédia para a comunidade mágica como um todo; e os historiadores mágicos acreditam que, entre os jurados puritanos, existiam, pelo menos, dois scourers conhecidos. Várias das assassinadas eram bruxas, mas inocentes dos crimes dos quais foram acusadas e outras apenas no-majs, mas igualmente inocentes.

O infeliz acontecimento desencadeou em vários bruxos deixando a América do Norte e em outros decidindo não morar lá. Até o começo do século 20, havia menos bruxos na América do que em outros locais, como África, Ásia e Europa, como resultado da mancha que Salem deixou na história do local. Isso também desencadeou no aumento da porcentagem de bruxos nascidos de famílias no-majs, que acabaram descobrindo a comunidade mágica eventualmente e se relacionando com famílias de “puro sangue”. O resultado foi uma sociedade mágica muito mais misturada e que não se importa muito com o fato de ser puro sangue ou não – algo que nem sempre acontece na Europa, por exemplo.

A origem do ódio aos bruxos na América do Norte

Como resultado de Salem, surgiu o Congresso Mágico dos Estados Unidos da América em 1693, que criou, pela primeira vez, leis para a comunidade mágica e que julgou e exilou da comunidade mágica os scourers que traíram o seu próprio povo. Os scourers acusados de morte, tráfico de bruxos, tortura e várias outras formas de crueldade foram executados pelos seus crimes, mas vários conseguiram desaparecer no mundo dos no-majs.

Os scourers que conseguiram fugir se casaram com no-majs e criaram famílias, em que crianças mágicas foram superadas em número por crianças no-maj para manter os scourers anônimos. Esses scourers ressentidos, recalcados e exilados do seu mundo passaram para seus descendentes uma convicção absoluta de que a magia é real e de que bruxos e bruxas deveriam ser exterminados! Logo, historiadores chegaram à conclusão de que no-majs norte-americanos são mais difíceis de serem enganados pelos bruxos e pela magia em geral; e isso tem tido repercussões de longo alcance sobre a forma como a comunidade mágica norte-americana é governada.

A Lei de Rappaport

Após um escândalo, envolvendo a filha de Emily Rappaport, a 15ª presidente do Congresso Mágico dos Estados Unidos da América, foi instituída uma lei, a Lei de Rappaport, em 1790, que criou uma segregação total entre a comunidade mágica e a no-maj. A segregação foi tão rígida que proibiu bruxos de se tornarem amigos ou de se envolverem romanticamente com um no-maj e limitou a comunicação com no-majs apenas para atividades diárias extremamente necessárias; e as penalidades para quem não respeitasse a lei eram graves.

A Lei de Rappaport acabou alargando a diferença cultural entre a comunidade mágica norte-americana e a europeia. Na Europa, sempre existiu um nível de cooperação e comunicação entre o governo no-maj e o mágico, e bruxos sempre puderam se casar ou se tornarem amigos de no-majs. Mas, na América do Norte, os no-majs foram pintados, cada vez mais, como inimigos. Ou seja, a lei acabou levando a comunidade mágica norte-americana, que já lidava com uma suspeita inconveniente do mundo no-maj, ainda mais para o submundo. 

Escola de Magia e Bruxaria de Ilvermorny

A maior e mais respeitada escoda de magia dos Estados Unidos se chama Ilvermorny e foi fundada no século 17 por uma jovem irlandesa chamada Isolt, que foi sequestrada por sua tia Gormalaith Gaunt e escapou para iniciar uma nova vida na América do Norte. Lá, após salvar dois jovens bruxos órfãos, ela fundou uma pequena escola de magia, Ilvermorny, que cresceu e se tornou o equivalente à Hogwarts nos EUA. Localizada no pico mais alto do Monte Greylock, a escola permanece escondida dos olhos no-maj graças a uma série de encantamentos poderosos que, às vezes, manifestam-se como um denso nevoeiro. Se liga no vídeo animado, que foi divulgado para esclarecer sobre a criação de Ilvermorny: 

A magia na América do Norte de 1920

Nos anos 20, a comunidade mágica estadunidense já tinha se acostumado em existir sob um intenso grau de anonimato e em escolher seus parceiros (fraternais e românticos) apenas no mundo mágico, e a MACUSA continuava firme e forte, impondo penalidades graves nos bruxos que interferissem no anonimato da comunidade. Inclusive, fenômenos mágicos, como fantasmas, poltergeists e criaturas fantásticas, eram muito menos toleradas na América do Norte devido aos riscos que essas criaturas poderiam causar para a manutenção do anonimato da comunidade.

Nessa década, a escola de magia Ilvermorny florescia há mais de dois séculos e já era considerada uma das maiores instituições de ensino de magia do mundo. Como consequência da educação fornecida em grande escala pela escola, todos os bruxos e bruxas eram proficientes no uso da varinha.

P.S.: Newt desembarca em NY, onde a sede da MACUSA se situa, em 1926, quando a Lei Seca reinava absoluta nos EUA, ou seja, era proibida a fabricação, comércio, transporte, exportação e importação de bebidas alcoólicas no mundo no-maj, mas isso não se aplicava para o mundo mágico!  

Caça às Bruxas em 1926

Na época em que Newt desembarca em NY e deixa escapar, acidentalmente, as criaturas que colecionava em sua mala, existia uma instituição chamada Nova Sociedade Filantrópica de Salem (NSPS),formada por um grupo de no-majs fanáticos, que visava destruir e expor os bruxos e bruxas da América do Norte. A NSPS era liderada pela no-maj extremista Mary Lou Barebone e, provavelmente, vai chegar no encalço de Newt e seus amigos ao longo do filme. Ah, e vale frisar que um dos filhos adotivos de Mary Lou é Credence Barebone, o personagem de Ezra Miller, que deverá ser um bruxo importante para a história!