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Os melhores filmes de ficção científica que você precisa conferir

A Chegada nos inspirou a criar lista com vinte clássicos modernos e antigos

Por Carla Braga - 28 Nov 2016 às 13:56h

O filme A Chegada (leia nossa crítica aqui), de Denis Villeneuve (Incêndios, Sicario: Terra de Ninguém), estreou nos cinemas nacionais na última quinta (24) e já superou as expectativas (bastante altas) do público e crítica em sua maioria. Com um estilo visual etéreo bem executado e uma história intrigante e surpreendente, o filme estrelado pela talentosa Amy Adams é um ótimo exemplo de quando o gênero ficção científica é colocado de forma correta em prática.

Quase tão antiga quanto a própria indústria cinematográfica, a ficção científica se tornou, extremamente, popular na segunda metade do século 20 – após o sucesso estrondoso da franquia Star Wars. De lá para cá, o sci-fi já foi bastante diluído e, muitas das suas produções, foram apenas blockbusters de ação com alguns elementos fantásticos; ao invés de examinações profundas e provocativas do mundo em que vivemos. Mas claro que isso não implica que longas de ficção científica de qualidade não tenham sido lançados ao longo das décadas, com a última década e meia em particular vivenciado um reflorescimento do gênero! Confira abaixo a lista que curamos com os melhores exemplos disso:

Metrópolis (1927)

Metrópolis – o filme clássico de ficção científica de Fritz Lang – não é apenas um favorito pessoal, mas também um dos melhores longas já criados do gênero e fonte de inspiração para tantos outros desde o seu lançamento em 1927. Os críticos odiaram a obra-prima de Lang quando ele foi exibido, mas, desde então, ele se tornou o sci-fi mais imitado da história do cinema. Cidades gigantes, cientistas malucos e pesadelos distopianos são três de vários elementos bebidos da fonte Metrópolis e a visão de Lang para cidades de arranha-céus e estradas elevadas estabeleceu o modelo padrão para cidades futuristas.

Ex-Machina (2010)

O filme britânico de suspense e ficção científica Ex-Machina, do diretor Alex Garland, recebeu um Oscar na categoria Efeitos Visuais, mas, apesar da sua trama também não ter sido homenageada, ela merece ser frisada aqui! O sci-fi contém ainda atuações memoráveis da parte de Domhnall Gleeson, Oscar Isaac e Alicia Vikander, uma atmosfera interessante, trilha sonora excelente e direção e roteiro impecáveis! Ex-Machina foca mais nas ideias do que nos efeitos especiais, ironicamente, mas ainda possui um visual polido e sofisticado! Sem dúvidas, é um dos melhores longas de sci-fi feitos nos últimos anos (ao lado de A Chegada).

2001: Uma Odisseia no Espaço (1968)

Em1963, Stanley Kubrick já era uma das mentes mais científicas a fazer sucesso por trás das câmeras. Fez sentido, então, ele ter imergido em quatro anos de produção para trazer à tona uma ficção científica digna dos seus padrões. O resultado? Impressionante. Os visuais de 2001: Uma Odisseia no Espaço são impressionantemente realistas até hoje em dia – imagine para a época então – e é meio louco imaginar que um longa, que foi lançado para ser conferido em massa, possua um final tão aberto (e incrível), que permite muitas especulações. Uma Odisseia no Espaço é aquele clássico que qualquer pessoa fã de ficções científicas precisa ter visto para se considerar um fã de verdade do gênero!

Ela (2013)

Ela (2013) prova o ponto de que que, quase sempre, as melhores produções de sci-fi são as que mesclam o gênero com outros. O adorável longa de Spike Jonze é tanto um romance indie, focado na jornada por autoconhecimento do protagonista, como uma bela de uma ficção científica. O filme é estrelado por Joaquin Phoenix em uma das atuações mais legais do ator, que já possuía uma carreira brilhante, e contém a voz marcante de Scarlett Johansson – a presença da atriz no filme torna-se quase tão marcante quanto a do protagonista. Inclusive, o trabalho de Johansson em Ela criou uma repercussão inédita na história: foi a primeira vez que um trabalho de dublagem em um longa foi considerado para a temporada de premiações. Além disso tudo, o visual de Ela é excepcional com sua abordagem setentista para um futuro não tão distante.

Brazil - O Filme (1985)

Com Brazil - O Filme, Terry Gilliam (Monthy Python, Os Doze Macacos) conjura um mundo retrô/futurístico, cuja história acontece, em sua maioria, em escritórios e espaços industriais mais parecidos com catedrais. A trama é ambientada no futuro, mas os figurinos e referências a filmes (Metópilis, Casablanca) são um aceno para o passado. De qualquer forma, seja no futuro ou não, o cerne da produção é a eterna batalha entre o livre arbítrio e os moldes da sociedade – além da trama nos dar um tapa na cara sobre como a nossa confiança em tecnologias e burocracia indica um futuro nada legal para o qual caminhamos. Ah, e ainda há quem fale que o filme de Gilliam tenha sido uma crítica velada à ditadura do Brasil, que chegou ao fim no ano do lançamento da produção.

Interestelar (2013)

O controverso Interestelar recebeu reações polarizadas quando chegou aos cinemas em 2013, com algumas pessoas alegando que ele foi um dos piores filmes de Christopher Nolan e outras adorando a visão do cineasta. Quando a poeira baixou, opiniões mais controladas surgiram, e podemos todos concordar que Interestelar é um sci-fi bastante ambicioso, que ganha pontos ao mesclar o gênero com elementos de amor e a efemeridade do tempo linear em que vivemos. Interestelar é o tipo de ficção científica que vai apenar ganhar admiradores com o passar do tempo apesar dos seus elementos bregas e mal explicados.

Star Wars Episódio V: O Império Contra-Ataca (1980)

A primeira sequência de Star Wars, Star Wars Episódio V: O Império Contra-Ataca é um ótimo exemplo de como se pode pegar uma fórmula simples, mas bem-sucedida de ficção científica e transformá-la em algo emocionalmente impactante, filosoficamente rico e, acima de tudo, extremamente empolgante!O Império Contra-Ataca é um filme que balanceia humor com personagens carismáticos, sentimentos profundos e um ótimo espetáculo e é o melhor exemplo da trilogia original de George Lucas.

Expresso do Amanhã (2013)

O estranho e magnífico Expresso do Amanhã, de Bong Joon-ho, pode ser uma adaptação de um quadrinho, mas ainda consegue manter-se seguramente distante do estigma de ser um blockbuster – apesar de ser protagonizado por Chris Evans. Assim como Metrópolis, Expresso do Amanhã é uma alusão à luta de classes, com sua civilização distópica vivendo em um trem, que viaja sem destino em meio a uma Terra devastada. Infelizmente, o filme não se saiu tão bem nos cinemas, o que apenas aumenta a hype de que ele acabará se tornando um clássico cult nos vindouros anos.

Blade Runner (1982)

Considerado um desastre durante sua temporada nos cinemas em 1982, Blade Runner apresentou uma visão neon para um futuro próximo estrelada por um anti-herói, cuja moral parece ser ainda mais equivocada do que a dos vilões que precisava caçar. Apenas anos depois o público começou a entender do que Blade Runner se tratava exatamente. O filme não era apenas um longa de ação distópico com visuais incríveis, mas uma análise envolvente do significado da vida, moralidade, memória, criação e natureza.

Solaris (2002)

Solaris, ficção científica calma e envolvente de Steven Soderbergh, precisou de algum tempo para sair da sombra do seu brilhante, mas bastante diferente antecessor criado pelo cineasta Andrei Tarkovsky. Solaris é uma história complicada, escorregadia, filosófica e questionadora que, graças ao inteligente estilo de Soderbergh, nunca nos deixa perdidos nos seus labirintos.

Alien, o Oitavo Passageiro (1979)

Alien, o Oitavo Passageiro transformou o modelo criado por Star Wars, mantendo os efeitos especiais de ponta (para a época) e o senso de um universo ocupado, mas tornando tudo um pouco mais real, grotesco e, logo, mais humano. O longa possui um imaginário cinza, sombrio e um tanto freudiano (criaturas fálicas, ovos pulsantes, a cena de nascimento e por aí vai) e ainda é uma aula épica para a criação bem-sucedida de tensão no cinema.

Distrito 9 (2009)

Neill Blomkamp parece ter chegado ao topo logo com Distrito 9, já que ainda não conseguiu repetir o seu feito desde então. O sci-fi nos apresenta à ideia de que alienígenas podem chegar com desvantagem à Terra, abrindo margem, mais uma vez, para mostrarmos nossas garras em relação à dominância racial. Distrito 9 é uma metáfora clara para a nossa intolerância racial, social e econômica – ainda mais se pararmos para pensar que a história é ambientada na África do Sul, país marcado pelo Imperialismo, Apartheid e conflitos raciais. A qualidade da produção ainda se eleva mais com um pequeno detalhe: ela foi de baixo orçamento e, mesmo assim, bem feito pra caramba!

Contatos Imediatos de Terceiro Grau (1977)

A descoberta de vida alienígena pode se tornar a experiência religiosa mais próxima que algumas pessoas poderiam ter, e Contatos Imediatos de Terceiro Grau, filme de Steven Spielberg, consegue abordar esse ponto de forma legal sem recorrer para táticas mais baratas, como sustos ou intimidação. Contatos Imediatos de Terceiro Grau é um longa que desperta nossa capacidade de admiração, criatividade e descoberta de forma simples, mas eficaz. Os efeitos especiais podem estar datados, principalmente se voltarmos os olhos para as criaturas do final, mas isso consegue ser superado graças a uma história muito bem construída até o momento em que elas aparecem.

Looper: Assassinos do Futuro (2012)

Looper: Assassinos do Futuro, sci-fi de Rian Johnson, possui apenas três anos de idade, mas já é um clássico atemporal do gênero. O filme começa de forma genérica, com a premissa batida de uma máquina que permite viajar no tempo, mas a sua segunda metade, que introduz a personagem de Emily Blunt e o seu peculiar filho, eleva a qualidade da trama, deixa resultados satisfatórios e levanta indagações importantes acerca do nosso destino e sacrifícios que precisam ser feitos para um bem maior.

O Exterminador do Futuro (1984)

Feito com um pouco mais de US$ 6 milhões de dólares e sem muitas expectativas, O Exterminador do Futuro é um caso raro para o gênero de ficção científica, já que foi sucesso de bilheteria e crítica quando foi lançado em 1984. Caso você tenha conseguido chegar em 2016 sem ter visto o longa, a história dele nos apresenta a um androide assassino em pele sintética (Arnold Schwarzenegger) enviado ao passado para matar Sarah Conor (Linda Hamilton), mãe do vindouro salvador da humanidade. O longa possui uma história complexa e bem elaborada que fisga a atenção até mesmo de quem tem dificuldades em assistir a ficções científicas.

No Limite do Amanhã (2014)

No Limite do Amanhã prova o importante ponto de que nem sempre um blockbuster precisa ser ruim em termos de história. O longa de Doug Liman aproveita-se da persona de Tom Cruise, colocando o ator na pele de um cara em uma batalha invencível contra uma raça alienígena, fazendo o personagem do ator viver e morrer no confronto de novo e de novo (uma alusão à carreira dele?). Mas o principal trunfo do longa é a presença de Emily Blunt e sua personagem, a Anjo de Verdun, que muda a regra do jogo.

Matrix (1999)

A ideia existencial por traz de Matrix (1999) de que todos nós somos apenas engrenagens de uma máquina gigante e de que a vida não passa de um sonho é interessante e bem sci-fi por si só, mas a produção clássica cibernética das irmãs Wachowskis vai além disso, já que não só questiona o significado da vida, mas a própria existência dela. O filme ganhou duas sequências, que não conseguem superá-lo, e é um clássico moderno que você já deve ter conferido, mas precisa estar nesta lista.

THX 1138 (1971)

Escrito e dirigido por George Lucas antes de Star Wars, THX 1138 narra a história de duas pessoas em uma sociedade distópica, reflexo de uma visão pessimista do futuro, em que a sociedade é vigiada por androides, obrigada a consumir drogas e onde toda a forma de emoção é proibida. Na época em que foi lançado, em 1971, o sci-fi foi mal recebido, não obtendo sucesso de bilheteria. Após a consagração de Lucas com Star Wars, THX 1138, um filme considerado difícil pela maior parte do público, foi ganhando renome aos poucos e, hoje em dia, é considerado um cult do gênero.

Minority Report - A Nova Lei (2002)

Ambientado em um futuro em que a polícia é capaz de impedir assassinatos antes que eles aconteçam apenas para o chefe de investigação, vivido por Tom Cruise, ser obrigado a fugir quando o seu nome surge como vindouro assassino, Minority Report - A Nova Lei provou ser muito mais do que um blockbuster quando chegou aos cinemas em 2002, mas sim uma história extremamente inventiva, que se desenvolve para uma pegada mais filosófica e moral, como qualquer boa ficção científica faz!

Lunar (2009)

Toda geração tem um (ou mais) sci-fi, que chega como quem não quer nada das mãos de um cineasta estreantes e que possui uma áurea semelhante a dos clássicos; e o século 21 não foi diferente, já somando vários assim. Mas nenhum foi tão satisfatório e merecedor de ser revisto várias vezes como Lunar, ficção científica concebida e executada de forma brilhante por Duncan Jones (filho de David Bowie) em 2009. A história do astronauta solitário em uma estação de mineração do lado escuro da Lua, com apenas o computador da estação (dublado por Kevin Spacey) como companhia, mas que acaba descobrindo que não está tão sozinho assim passa por mudanças sutis de humor e prende a atenção mesmo refletindo o tédio da vida do protagonista.