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The Walking Dead – O que achamos da 7ª temporada até agora

Negan é o vilão que a série precisava, mas os roteiristas voltam à lengalenga

Por Rafael Sanzio - 12 Dez 2016 às 14:14h

A série The Walking Dead entrou em seu hiato da sétima temporada após a mid-season finale que ocorreu ontem, dia 11 de dezembro, na Fox. Nós já comentamos sobre o primeiro episódio do novo ano e lá falamos que era muito cedo para definir um clima para a nova história – bem, depois de oito episódios, já dá para ter uma ideia.

Ao que parecem os roteiristas dessa temporada não aprenderam com os erros do passado, entregando alguns episódios que, de fato, servem para apresentar novos personagens, mas possuem uma trama bem rasa, como o enfadonho Swear e Go Getters. Sim, é preciso entregar novos rostos, novas comunidades para a grande guerra que está por vir, mas o que foi entregue não foi o melhor – principalmente na história focada em Tara (Alanna Masterson). A garota tem até a veia cômica certa, mas aconteceu algo desde seus tempos áureos na temporada da Prisão até aqui.

Negan (Jeffrey Dean Morgan), apesar de ser um dos melhores personagens da sétima temporada, traz um problema que os roteiristas transformaram em novela: Rick (Andrew Lincoln) com medo. Há muito tempo o personagem de Lincoln não sentia medo, era o Evil Rick, “isso não é uma democracia” entre tantas outras coisas. Por mais que seja interessante mostrar esse sentimento retornando, nota-se que no roteiro ele foi espremido para enrolar alguns episódios a mais até Evil Rick retornar ao mundo dos vivos. Essa vontade desnecessária de chutar cachorro morto, reforçar o que não precisava ser reforçado, é o que deixa a série tão fraca as vezes.

Pensando nisso, nessa capacidade de o roteiro não conseguir criar uma história única sem enrolação, é que percebemos que as melhores temporadas são aquelas com episódios com histórias únicas e focadas em questões morais e de sobrevivência, ao invés de serem apenas sementes para dar suporte a todo um arco.

Mas há sequências realmente inspiradas, como Daryl (Norman Reedus) sofrendo na prisão ao som da música Easy Street e a grande odisseia de intimidação e roubo do personagem Dwight (Austin Amelio) para conseguir seu sanduíche em uma determinada manhã.

Fiquem calmos, mas, mesmo Negan sendo um ótimo personagem e um vilão no mínimo diferente, a atuação de Jeffrey Dean Morgan precisa tomar cuidado para não virar caricata demais – há cacoetes que se repetem, que são naturalmente trejeitos criados pelo ator para dar personalidade ao vilão, mas que o tornam previsível demais, como por exemplo, sua requebrada de cintura e inclinação para trás, com mudança de tom de voz, toda vez que fica animado. Além disso, o jeitão sorridente e amigável pode ser algo estranho para um cara mal vestir, pois aí vem o imprevisível, contudo, quando ele fica irritado é o momento menos tenso da cena – pois não é crível. Nas HQs há a vantagem dos traços nas expressões e balões de fala que conseguem reproduzir bem uma faceta raivosa de Negan quando o momento exige – já que se utiliza da imaginação do leitor. Mas Dean não consegue criar uma face raivosa e maníaca o suficiente para temermos – é mais fácil ficar com medo do seu sorriso.

Um personagem já existente que cresceu em nosso conceito foi o padre Gabriel (Seth Gilliam), que abraçou totalmente a religião Rick Grimes e não temos mais nenhum sinal daquele irritante covarde. É muito bem-vinda essa evolução e aos poucos outros membros da comunidade também ganham seu destaque – provavelmente para serem mortos depois e sentirmos algo em relação a isso.

A metade dessa temporada também acalmou nossos ânimos em relação a adaptação da HQ, com o relacionamento entre Negan e Carl (Chandler Riggs) sendo mantido, bem como não suavizar tanto em relação ao harém do vilão – havia chances de a série não querer tocar em um assunto delicado como esse.

A mid-season finale, Hearts Still Beating, veio para pôr um ponto final na lengalenga da primeira parte da sétima temporada, fechando pontas soltas e prometendo uma sequência de episódios decisivos – bem, isso se não inventarem de enrolar novamente apenas para expurgar mais uma vez no final.