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As participações mais marcantes de David Bowie no cinema

Em 10 de janeiro de 2016, há exatamente um ano, morria legendário músico e ator

Por Carla Braga - 10 Jan 2017 às 16:54h

Nesta terça (10), completa-se o primeiro aniversário de morte do icônico David Bowie, um dos artistas mais inovadores e influentes de todos os tempos. O músico inglês, chamado por muitos de o Camaleão do Rock, deixou-nos cedo demais no dia 10 de janeiro de 2016 aos 69 anos de idade após uma batalha de dezoito meses contra um câncer de fígado. O artista, no entanto, escolheu manter a doença em segredo até o dia da sua morte, trabalhando constantemente durante a luta contra o câncer e gravando Lazarus, o seu álbum final, criado como despedida para os fãs e lançado apenas dois dias antes da sua despedida - conheça mais sobre o legado e trajetória terráquea de Bowie aqui.

A forma como o músico lidou com a pior notícia que um ser vivo pode receber não foi nenhuma novidade se analisarmos o histórico de vida dele. Além de cantor, ele foi compositor, produtor, marido, pai e também ator. Bowie era incansável e tinha um talento nato para a performance, sendo natural que explorasse o mundo cinematográfico. Compilamos, portanto, sem ordem específica as atuações mais marcantes do artista em filmes, que sempre poderão ser conferidos todos nós e pela posterioridade.

O Homem que Caiu na Terra (1976)

Por mais que o personagem Ziggy Stardust, criado por Bowie no começo da sua carreira musical, seja super influente até hoje, ele de fato teve uma vida curta e já tinha surgido e desaparecido há algum tempo quando o artista foi escolhido para estrelar O Homem que Caiu na Terra - o seu primeiro trabalho como protagonista. Na realidade, o personagem de Thomas Jerome Newton foi inspirado no The Thin White Duke (Duque Magro e Branco em português), que viria a ser a última grande persona do músico. O filme de Nicolas Roeg é quase uma meditação acerca da alienação da vida moderna e seus métodos para nos entorpecer e tornou-se um cult clássico quase imediatamente após a sua estreia nos cinemas. Um ótimo exemplo para as gerações futuras entenderam o legado de Bowie.

Fome de Viver (1983)

O longa de terror erótico Fome de Viver é uma história sobre um triângulo amoroso entre uma médica especializada no sono e em pesquisas sobre envelhecimento e um casal de vampiros. Um dos primeiros do gênero vampiro, o filme de Tony Scott criou uma dos personagens mais trágicos que Bowie teve a oportunidade de viver nos cinemas e também um dos mais ideais para ele. John é uma criatura linda, amoral e imortal e é uma pena que se torne algo tão marginalizado à medida que progride na história.

Labirinto - A Magia do Tempo (1986)

A fantasia musical de aventura Labirinto - A Magia do Tempo conta com Bowie para encarnar o seu principal antagonista: Jareth, o rei dos duendes. Apesar de ter recebido críticas mistas na época em que foi lançada, a produção tornou-se um clássico da aventura infantil, graças, principalmente, à atuação marcante do seu vilão. O filme, como é um musical, conta ainda com canções entoadas pelo músico, que participou de forma íntima da produção do longa como um todo.

Absolute Beginners (1986)

O ano de 1986 foi importante para a carreira de Bowie nos cinemas, já que, além de Labirinto, ele também entregou uma atuação memorável em Absolute Beginners (1986), musical de rock fantástico e dramático. A produção foi, praticamente, um completo fracasso de crítica e bilheteria, com músicas bem mais ou menos e atuações ruins, mas a magnífica cena em que o músico inglês desponta quase consegue redimir o projeto como um todo.

O Grande Truque (2006)

O thriller dramático O Grande Truque, de Christopher Nolan, conta com a pequena, porém marcante presença de Bowie na pele do físico, inventor e engenheiro sérvio Nikola Tesla! O próprio Nolan afirmou que não conseguia pensar em mais ninguém para o importante papel e pegou um avião para se encontrar com o artista e convencê-lo de que ele precisava aceitar o trabalho, que havia recusado inicialmente. O músico acabou topando encarnar a legendária figura, criando uma sensação interessante de que Tesla talvez tenha sido um pouco parecido com ele: envolvente, magnético e acima dos problemas mundanos dos homens.

Basquiat - Traços de Uma Vida (1996)

O aclamado artista Andy Warhol já foi vivido por ótimos atores, como Crispin Glover em The Doors, Guy Pearce em Uma Garota Irresistível e outros, mas é seguro dizer que, talvez, a melhor retratação dele nos cinemas chegou através de Bowie em Basquiat - Traços de Uma Vida, longa biográfico sobre a vida de Jean-Michel Basquiat dirigido por Julian Schnabel. Talvez porque os dois foram duas das forças criativas mais peculiares da segunda metade do século XX ou porque Bowie nutria uma admiração pelo colega, chegando a nomear a canção Hunky Dory em homenagem a ele. De todo jeito, vale à pena conferir o filme.

Apenas um Gigolô (1978)

O filme alemão Apenas um Gigolô, de David Hemmings, conta com um elenco de peso, como Kim Novak (Um Corpo que Cai), a atriz da era clássica hollywoodiana Marlene Dietrich (O Anjo Azul) no último trabalho da sua carreira cinematográfica e Bowie, claro, na pele do protagonista Paul Ambrosius von Przygodski. A produção recebeu críticas negativas ferrenhas, não encontrou o seu público na época e é o maior flop da carreira do músico, o que garantiu sua vaga nesta lista a nível de curiosidade.  

Furyo, em Nome da Honra (1983)

O drama de guerra Furyo, em Nome da Honra, dirigido por Nagisa Oshima, trouxe à tona umas melhores atuações de Bowie, provavelmente, porque foi também uma das mais atípicas para ele. A trama do longa lida com os relacionamentos que quatro prisioneiros estabelecem em um campo de concentração japonês durante a Segunda Guerra Mundial, e o músico encarna um deles: Cellier, um major da Nova Zelândia aprisionado no local. Bowie não era, sem sombras de dúvidas, a escolha mais óbvia para o papel, mas, ao dar vida a uma pessoa tão diferente de si, conseguiu provar que era sim um ótimo ator.

A Última Tentação de Cristo (1988)

Bowie não costumava trabalhar com diretores norte-americanos, mas, se fosse para escolher um deles, que fosse alguém tão talentoso como Martin Scorsese. Estranhamente escalado para encarnar Pôncio Pilatos em A Última Tentação de Cristo, produção íntima e controversa do aclamado cineasta sobre os dias finais de Jesus Cristo, o músico provou que não estava ali ao acaso. Imbuindo Pilatos com uma fala mansa e um pragmatismo político irritante, o artista possui uma cena, com o Cristo de Willem Dafoe, que é tão sutil, sedosa e inteligente como qualquer outra coisa que o músico já criou para sua carreira musical.

Zoolander (2001)

Na comédia Zoolander, de Ben Stiller, Bowie surge, justamente, quando o mundo precisa mais dele, parecendo mais um super-herói do glam do que qualquer outra coisa e oferecendo seus serviços como juiz para uma competição de desfile entre o protagonista e Hansel, personagem de Owen Wilson. A melhor parte nisso tudo é que o artista segue sem um pingo de ironia em seu corpo, pedindo que mergulhemos na ridícula sequência tanto quanto ele, e é o curioso comprometimento dele com sua versão caricaturada que torna sua participação memorável e, acima de tudo, hilária.

Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída (1981)

O famoso filme Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída, que adapta o livro de mesmo nome sobre Christiane F., retrata a cena de drogas da parte oeste de Berlim nos anos 70 e conta com a presença de Bowie, vivendo ele mesmo em cena e compondo a trilha sonora. Lembro de ter visto a produção, ainda aos treze anos e logo após ter lido o livro cedo demais para a minha pouca idade, e me perguntado quem era aquela figura no vinil da protagonista e, sem seguida, no show ao vivo para o qual ela vai. Todo o universo do filme (e livro) é bastante marcante, ainda mais se você é uma pré-adolescente vivendo em um universo completamente diferente do de Christiane, e a presença de Bowie nele apenas acrescenta um ar ainda mais místico à experiência de assisti-lo.