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Descubra as principais menções a musicais clássicos em La La Land

Notou algumas, mas deixou escapar outras? Quer ver o filme preparado? Vem cá!

Por Carla Braga - 18 Jan 2017 às 16:51h

Da sequência de abertura até o seu final, La La Land – Cantando Estações (confira nossa crítica) é uma homenagem à Era de Ouro dos musicais hollywoodianos (e alguns europeus). Inclusive, o filme estampa a ligação com seus antecessores logo na cena inicial dos créditos quando anuncia que foi rodado em CinemaScope, tecnologia abandonada pela indústria cinematográfica nos anos 60. Essa “era” dourada ocorreu entre as décadas de 30 e 60 e deu origem a filmes e estrelas icônicas adoradas até hoje, como Gene Kelly e Ginger Rogers, mas sofreu uma queda significativa com o despontamento dos anos 70.

De lá para cá, o musical como gênero foi quase extinto, permanecendo quase sempre apenas na mente dos cinéfilos, até que sofreu um revival no começo dos anos 2000. No entanto, ele retornou mudado, e nenhuma produção havia resgatado e adaptado para os dias atuais tão bem a atmosfera e segmentos de dança dos musicais da Era de Ouro como La La Land conseguiu. A produção de Damien Chazelle possui temática e tomadas clássicas dos antigos musicais e também realiza inúmeras menções a eles – algumas delas surgem de forma explícita, outras não. De qualquer forma, compilamos logo abaixo os principais musicais mencionados ao longo da narrativa de La La Land. Será que você captou todas as referências?

Cantando na Chuva (1952)

Começamos com uma das menções mais fáceis de ser notada em La La Land. Afinal, não seria Cantando na Chuva o musical mais famoso (logo, reconhecível) da história do cinema? O icônico filme foi coreografado e dirigido por Stanley Donen e Gene Kelly, este também estrelou o projeto, e é comumente lembrado como o melhor musical já feito. Quanto ao seu protagonista, Kelly, a estrela mais importante para o musical como gênero cinematográfico, foi um artista completo (algo essencial para se sair bem em musicais). Sendo dançarino, ator, cantor, diretor, produtor e coreógrafo, ele inseriu inúmeras inovações no modelo, que acabaram transformando os musicais hollywoodianos por completo; a exemplo de ser considerado o único responsável por transformar o balé em algo comercialmente aceitável.

Chazelle, portanto, não tentou esconder sua principal fonte de inspiração para o longa e inseriu vários detalhes sutis nele para homenagear o clássico de 1952. De início, o encontro entre Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling) em uma festa na área da piscina de uma casa, onde o protagonista está tocando em uma banda dos anos 80 vestido com uma roupa de bombeiro, lembra o encontro de Don (Kelly) e Kathy (Debbie Reynolds) em Cantando na Chuva. Ainda nessa sequência, Mia solta que é “uma bombeira de verdade”, enquanto que Kathy fala que ela é “uma atriz de verdade”. Os dois casais acabam se apaixonando.

Outra menção um pouco menos sutil ao clássico acontece durante a linda e engraçada faixa A Lovely Night, em que a dupla canta e dança em frente a uma vista linda de Los Angeles. Quando Sebastian faz um giro rápido em torno de um poste de iluminação, fica difícil não lembrar da clássica cena em que Kelly faz o mesmo em Cantando na Chuva. Além disso tudo, também há um momento em que Mia e Sebastian passam por uma sequência de cenas sendo filmadas em sets de filmes, algo que lembra a cena em que Don e o amigo Cosmo (Donald O’Connor) fazem o mesmo e a sequência final de La La Land possui elementos que lembram muito a sequência Broadway Melody, de Cantando na Chuva, especialmente as cores vermelho e amarelo em destaque, os letreiros em neon e o surgimento dos diretores de elenco

Sinfonia de Paris (1951)

A sequência final de La La Land também se utilizou de outra fonte de inspiração: o clássico Sinfonia de Paris. Durante o epílogo, a temática parisiense no desing dos sets e nos figurinos gritam referências ao filme também protagonizado por Gene Kelly. Inúmeros dançarinos usam calças e blusas de mangas curtas pretas como a roupa que Kelly veste durante um número de balé de Sinfonia de Paris, por exemplo, e a sequência fantasiosa de La La Land possui como um todo um toque de surrealismo, que também lembra a parte de balé do clássico. A locação perto do rio Sena do epílogo ainda é bastante perto da utilizada por Kelly e Leslie Caron durante a canção Our Love is Here to Stay.

Os Guarda-Chuvas do Amor (1964)

Conhecemos os protagonistas de La La Land um de cada vez. Primeiro somos apresentados à perspectiva de Mia no trânsito para depois conhecermos a de Sebastian. Algo parecido acontece no começo de Os Guarda-Chuvas do Amor, musical francês clássico estrelado por Catherine Deneuve e Nino Castelnuovo, já que, logo de início, Guy (Castelnuovo) assume os vocais durante o seu dia-a-dia para depois conhecermos o trabalho e personalidade de Geneviève (Deneuve). Na mesma linha, a trama de La La Land é dividida em estações do ano anunciadas com letreiros na tela, não muito diferente do que ocorre no longa francês. Ah, e quando Mia aponta a janela em que uma cena de Casablanca foi filmada, há uma porta com a palavra Parapluies – presente no título original de Os Guarda-Chuvas do Amor (Les Parapluies de Cherbourg em francês). Mas, além disso tudo, também há outra pequena conexão entre as produções que estragaria o final de La La Land para quem ainda não o conferiu, portanto, ela ficará de fora aqui.

Os musicais de Ginger Rogers e Fred Astaire

Durante a canção A Lovely Night e quando Mia e Sebastian dançam no Observatório Griffith, as duas sequências soam e aparentam ter saído de algum musical de Ginger Rogers e Fred Astaire – a dupla trabalhou em vários musicais juntos sempre revelando capacidades absurdas como dançarinos e estigmatizando para sempre os seus nomes e imagens na história do gênero em Hollywood. A letra de A Lovely Night em si, em que os protagonistas fingem não estar se apaixonando um pelo outro enquanto se apaixonam um pelo outro, parece ter sido inspirada no segmento Never Gonna Dance, de Ritmo Louco (1936), musical estrelado por Rogers e Astaire. Em outro momento do mesmo clássico, durante a faixa A Fine Romance, Astaire acompanha Rogers ao carro dela – como Gosling faz com Stone!

Além disso, o sutil detalhe de Mia tirar o salto alto e colocar um calçado de sapateado para começar a dançar em A Lovely Night parece estar conectado com o fato dos talentos de Astaire sempre terem sido mais mencionados mais do que os de Rogers, até que alguém ressaltou muito bem que a atriz fazia tudo o que o seu colega fazia enquanto estava de salto alto.

Duas Garotas Românticas (1967)

A performance colorida e animada da abertura de La La Land é ambientada em uma BR engarrafada, tornando o entediante (e truncado) tráfego de Los Angeles em um palco temporário de alegria. Essa sequência lembra bastante a de abertura do clássico francês Duas Garotas Românticas, do aclamado Jacques Demy, em que inúmeros figurantes saem dos seus caminhões para dançar no meio da estrada.

Charity, Meu Amor (1969)

Someone in the Crowd é a música para sair de casa de La La Land, e a paleta de cores (cada uma das personagens usa um vestido de cor diferente, vermelho, azul, amarelo e verde) utilizada não é ao acaso. Ela existe para fazer uma alusão bastante clara ao segmento There’s Gotta Be Something Better Than This, do musical Charity, Meu Amor. A coreografia do segmento da produção moderna não é tão elaborada e difícil como a do musical de 1969, mas a forma como as personagens andam na rua e balançam seus vestidos como se fossem Charity (Shirley MacLaine), Nickie (Chita Rivera) e Helene (Paula Kelly) deixa a conexão bem evidente.

Cinderela em Paris (1957)

Em um determinado ponto do desfecho musical de La La Land, Mia surge segurando balões de várias cores em frente de um recorte de papelão do Arco de Triunfo, o que é uma menção à sessão de fotos que Jo, eternizada por Audrey Hepburn, faz em Cinderela em Paris.

Melodia da Broadway de 1940

Ainda durante o epílogo de La La Land, surge outra menção a outro clássico musical. Quando Mia e Sebastian despontam dançando valsa em frente a um fundo em preto e branco com pontos brilhantes, que lembram estrelas, vem à tona o cenário semelhante em que Astaire e Eleanor Powell sapateiam a canção Begin the Beguine no musical Melodia da Broadway de 1940

E aí, ficou faltando aqui algum outro musical clássico mencionado em La La Land? Pode falar pra a gente qual foi nos comentários logo abaixo!