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As 10 teorias conspiratórias mais interessantes de The OA

Complexa mitologia e season finale misteriosa desencadearam várias conspirações

Por Carla Braga - 19 Jan 2017 às 13:46h

Inspiradora e genial ou infantil e bizarra? The OA (leia nossa crítica aqui) tem dividido opiniões entre quem a assistiu desde a sua chegada à Netflix no dia 16 de dezembro. Os que a amaram conseguiram enxergar uma beleza poética em suas entrelinhas, que existe sem dúvidas, mas muitos outros não conseguiram mergulhar na mitologia (como os movimentos) da produção – absurda demais para tal tarefa. Mas acredito que ambos os lados conseguem atingir em consenso em relação a um aspecto do seriado: há muito mais significado na história do que ela aparenta ter inicialmente. Com isso, quero dizer que a trama abre margem para várias possibilidades, teorias e significados obscuros, que ainda não foram explorados e, muito menos, explicados.

Criamos então uma lista com essas suspeitas conspiratórias oriundas e escondidas nos oito primeiros episódios da série. Curioso(a) para transformar a forma como você enxerga The OA?

Prairie está doente e internada, logo, tudo não passa de uma alucinação

Uma das teorias mais complexas e debatidas online pelos fãs da série é a de que Prairie (Brit Marling) está internada em uma instituição psiquiátrica, e o que vemos na série são apenas frutos das alucinações dela. Existem três principais dicas que podem sugerir isso. De início, há paralelos inegáveis entre os eventos ocorridos no subsolo da casa do Dr. Hap (Jason Isaacs) e os da vida da protagonista após o seu reaparecimento, como personagens e eventos de ambos os arcos narrativos parecerem estar se espelhando. Basta prestar atenção nos sete minutos da primeira temporada, que são bastante parecidos com os sete anos que Prairie passa encarcerada, o que pode ser ela apenas repetindo a sua história de novo e de novo em sua cabeça.

Em seguida, há o fato de que, quando Homer (Emory Cohen) finge estar apagado para olhar os dados coletados por Hap, ele escuta os áudios da sua experiência quase de morte, que soam bastante parecidos com o que vemos em seguida – Homer sendo perseguido por corredores brancos de, talvez, um hospital por homens não vistos, que gritam para ele, enquanto sirenes soam da parede. Na gravação de Hap, dá para escutar o seguinte diálogo:

“Homer: Eu sou Homer.

Homem: O seu nome não é Homer. Olhe para mim. Você conhece o Dr. Roberts?”.

O verdadeiro Homer Roberts seria um médico de verdade e a pessoa que conhecemos como Homer um paciente da mesma instituição que Prairie estaria internada? Por fim, a tomada final da série nos mostra Prairie com o cabelo preso e bagunçado e usando, ao que parece, pijamas em uma sala de fundo branco quando chama por Homer. Esta cena poderia ser ela tendo um momento de lucidez no hospital.

Elias não é quem pensamos que ele seja

Somos apresentados a Elias (Riz Ahmed), um consultor do FBI que trabalha com Prairie no intuito de ajudá-la, logo no começo da série e somos levados a acreditar que ele é uma pessoa inocente e alheia a tudo o que está acontecendo com ela. Mas a presença dele na casa da protagonista no episódio final, quando Afonso French (Brandon Perea) descobre os livros, que teriam a inspirado a inventar toda a história, em uma caixa embaixo da cama dela, soa bastante suspeita. A possibilidade mais crível no momento é que Prairie não é “louca” de verdade, mas que o FBI sabe da existência de anjos e está tentando acobertá-los ao pintá-la como tal; Elias não só estaria ajudando o governo neste plano como seria o responsável por ter plantado os livros de forma óbvia no quarto dela. Na boa, ela realmente teria deixado os livros, que nem parecem ter sido abertos uma vez na vida (quando alguém faz pesquisa, acaba marcando páginas e detonando o livro), tão a vista se o tivesse utilizado para inventar a história? E por que Elias pareceu tão preocupado com a possibilidade de mais pessoas estarem na casa, fora ele e French? O timing também não faz sentido. Graças a Steve (Patrick Gibson), Prairie recebe Internet e, no mesmo dia ou no seguinte, ela começa a contar sua história para o grupo de adolescentes. Não houve tempo para ela encomendar, receber e ler todos os livros a tempo de ainda criar uma história.

Homer teria sido criado por THE OA à imagem de French

Se você não acredita que Elias plantou os livros e acha que The OA inventou tudo, compilando informações que adquiriu através da leitura deles, esta teoria pode fazer sentido para você. Apesar de Homer parecer real, a cena da season finale em que French se transmuta em Homer em frente a um espelho levantou algumas sobrancelhas (e suspeitas). Isso pode ter acontecido simplesmente porque French se identificou com a história de Homer e se enxergou nele. Mas, estranhamente, no episódio Champion, ele se mete em uma briga com Steve e acaba com uma cicatriz na testa. Dois capítulos depois, em Paradise, Homer ganha uma cicatriz semelhante. Seria possível então que The OA utilizou a cicatriz de French como inspiração para inventar uma história sobre Homer?

Prairie pode estar em coma

Semelhante à teoria de que Praire está internada em um hospício, esta afirma que ela sofreu mesmo uma experiência de quase morte, mas que, desde então, nunca acordou. A personagem estaria em coma em um hospital, o que daria outra explicação para a cena final do último episódio da temporada, mas também implicaria que tudo o que vimos até agora não passou de um sonho da personagem. Esta suspeita fica melhor ainda quando a ideia de sonho lúcido entra em cena. E se Prairie souber que precisa atravessar uma fronteira (despertar) e está tentando, à toda hora, voltar para a sua realidade/consciência?

The OA já estaria em outra dimensão

Há quem acredite que OA já está em outra dimensão – a que acompanhamos na série quando ela reaparece nos dias atuais. Quando perguntam por que ela pulou da ponte, ela diz que estava tentando voltar para “eles”, o que abre escopo para a ideia de que algo aconteceu entre a cena em que ela é abandonada na estrada e a que ela surge na ponte. Inclusive, algo poderia ter acontecido até antes disso tudo; o grupo de sequestrados teria conseguido abrir um portal para outra dimensão, e OA teria passado por ele para uma dimensão alternativa, a que somos apresentados quando a série começa. Talvez seja por isso que as buscas dos garotos online (sobre os fatos narrados pela protagonista) não trazem muitos resultados. OA estaria, então, tentando desesperadamente voltar a sua dimensão original para ajudar os amigos, que ainda estariam presos. Isso também explica o porquê dela achar que a polícia não conseguiria ajudá-los.

Três dimensões diferentes já podem ter aparecido

Esta teoria acaba complementando a anterior com a ideia de que há três dimensões: a que Prairie reencontra sua família, a que a mantém sequestrada por Hap e a que o grupo vai parar quando morre pelos experimentos de Hap e encontra Khatun. As duas primeiras seriam realidades paralelas, com timelines espelhadas. Para suportar esta teoria, voltamos para a ideia de que os sete minutos finais da série espelham os sete anos de aprisionamento da protagonista – a cafeteria da escola e as celas da prisão são fechadas por vidro, o antagonista surgindo de forma sutil e sorrateira e um personagem central perseguindo um carro enquanto implora para não ser deixado para trás. Ainda há o incidente de French ver Homer refletido no espelho com uma cicatriz igual a sua e o de BBA (Phyllis Smith) ter desenhado um cubo envolta do desenho que encontra no quadro branco de uma sala de aula, sugerindo que ela sabe que está presa dentro de uma dimensão.

The OA pode nunca ter sido cega de verdade

O motivo para a cegueira de Prairie é também foco para muitas teorias em busca do que está acontecendo de verdade na série. Para muitas pessoas, que preferem deixar o lado sobrenatural de lado neste aspecto em particular, a protagonista voltou a enxergar porque sua cegueira nunca foi irremediável, mas sim fruto da sua imaginação ou um sintoma psicossomático – quando fatores sociais e psicológicos afetam processos orgânicos do corpo das pessoas – para lidar com o trauma do acidente de ônibus ocorrido na sua infância.

Rachel pode ser uma agente secreta do FBI

Uma das teorias de Tha OA que mais soa improvável de primeira, mas que vai subindo no nosso conceito quanto mais pensamos sobre ela é esta aqui. Rachel (Sharon Van Etten) é uma das cativas de Hap e, por mais que sua linda voz seja uma evidência de que ela tenha passado por uma experiência de quase morte, ela nunca recebe um movimento e nunca pratica com os outros; o mais estranho é que a razão para isso não é debatida pelos demais na série. A personagem também não aparece sendo testada por Hap apesar de haver fitas no escritório dele com o seu nome e, em um determinado ponto, todas as plantas da cela dela surgem mortas. O que nos leva para a teoria em questão: seria Rachel uma agente do FBI sobrevivente de uma experiência de quase morte infiltrada no experimento do cientista para coletar material sobre o assunto?

Mas a maior pista de que Rachel pode estar envolvida com o FBI está escondida para todos verem. No prédio do FBI, dá para ver uma palavra grande em braile na parede, o que não faz sentido. Não há necessidade para uma palavra em braile estar tão alta na parede e, acima de tudo, tão grande. Será que ela não está lá para ser lida pelos cegos, mas sim pelos fãs da série com conhecimento da língua dos cegos? Segundo o usuário do Reddit mporso, a palavra em braile significa Rachel.

O segredo por trás da season finale

Os minutos finais da season finale de The OA são o que importa no capítulo – para o bem ou para o mal. E seu entendimento do final vai depender única e exclusivamente de você acreditar que as experiências de OA foram reais. Se você acredita nela, com o oitavo episódio, é explicado que as premonições sofridas pela personagem principal quando ela volta para casa são referentes ao tiroteio na escola e que ela estava preparando um grupo de cinco adolescentes para enfrentar a ameaça. Isso também implica que a morte de Prairie foi, provavelmente, um passo essencial do movimento para se locomover através de espaço e tempo para ver Homer de novo – por isso que Steve solta um “Está acontecendo” depois dela ser atingida. Os esforços deles conseguiram curar alguns dos ferimentos psicológicos do atirador, o suficiente para fazê-lo vacilar e ser impedido, e levá-la para Homer. Mas isso também implica que, caso a teoria dela estar internada em uma instituição seja verdadeira, ela acordou no hospital e não em outra dimensão.

Uma conexão com Stranger Things?

The OA e Stranger Things são duas séries originais da Netflix com temáticas de suspense e ficção científica que chegaram ao serviço de streaming no mesmo ano. Portanto, é normal que comparações tenham sido feitas. Enquanto que a produção dos irmãos Duffer se saiu melhor na crítica, a de Brit Marling apresentou uma mitologia mais complexa. De todo jeito, há similaridades inegáveis. Ambos os seriados possuem mulheres extraordinárias com capacidades sobrenaturais como protagonistas (Prairie e Eleven); abordam suas narrativas de formas inovadoras; enfatizam a temática de conectar as pessoas; exploram a inocência infantil (perseguindo monstros na floresta ou contando histórias em círculo em uma casa abandonada); e por aí vai. A própria Netflix assumiu que existem ligações entre as duas e divulgou um clipe bem-humorado apontando algumas delas, como as protagonistas de ambas apresentarem narizes sangrando de vez em quando, terem sido ratos de laboratório em algum ponto (sempre envolvendo capacetes e água para chegar a outra dimensão). Olha só o vídeo em questão:

O ponto alto disso tudo chegou nos comentários do vídeo quando alguém apontou um mega easter egg de Stranger Things em The OA: no quarto episódio, Jesse (Brendan Meyer) conversa com a irmã enquanto ambos assistem à TV. O que está passando? Stranger Things! As conexões e o easter egg podem ser apenas a Netflix reconhecendo a similaridade entre suas produções... Ou algo a mais. Será que os universos das séries ainda se conectarão no futuro?