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Black Sails – 4ª temporada: Primeiras impressões

Série sobre piratas de Nassau volta com mesmo tom e visual outrora estabelecidos

Por Carla Braga - 30 Jan 2017 às 16:52h

Com a chegada da quarta e última temporada de Black Sails neste domingo (29), através do capítulo XXIX, fica bastante evidente que a preparação realizada no ano anterior não foi à toa. Chegou a hora do inevitável confronto entre os piratas de Nassau e o governo britânico, por mais que ambas as partes tenham tentado se convencer do contrário no passado. No entanto, por mais evidente que o clímax da trama esteja, é difícil imaginar que a Era de Ouro dos piratas chegará ao fim com o término da série do canal Starz.

XXIX – escrito por Jonathan E. Steinberg & Robert Levine, os criadores de Black Sails, e dirigido por Lukas Ettlin – não deixa claro quanto tempo depois da season finale da terceira temporada é ambientado, mas algumas caracterizações, como a de Billy (Tom Hopper), apresentam mudanças sutis, sugerindo que alguns meses separam um episódio do outro. Ou seja, o capítulo não perde tempo mostrando as preparações para o confronto com o atual governo de Nassau e nos apresenta logo de cara o antecipado embate sugerido no ano anterior.

Muito, porém, mudou nesse meio tempo. Enquanto somos apresentados novamente aos personagens, percebe-se que tensões, iniciadas em episódios passados, aumentaram bastante. O já mencionado aqui Billy, por exemplo, está ganhando cada vez mais autonomia enquanto tenta dar, ironicamente, evidência a outro colega de pirataria, John Silver (Luke Arnold). Este, por sua vez, possui papel de destaque no episódio mesmo aparecendo apenas por alguns minutos nele – atenção para a cena inicial do capítulo narrada por Flint (Toby Stephens).

Quanto à luta central de XXIX, é cabível mencionar aqui, sem estregar os seus segredos, que ela foi muito bem dirigida por Ettlin. O cineasta cria um visual rico para a sequência e consegue frustrar expectativas; ao mesmo tempo em que mantém a nossa atenção, com muitas sequências explosivas, desperta uma sensação de esperança até mesmo nos mais pessimistas e utiliza-se com inteligência do oceano e cenário litorâneo, que cercam o confronto, para criar uma atmosfera calma, mas ainda assim catastrófica.  

Nesse meio tempo, com um flashback picante inclusive, somos apresentados novamente a maior parte dos personagens principais, estejam eles nos navios ou em terra firme, com algumas surpresas em relação a alguns deles. Infelizmente, não foi a vez de novo do icônico personagem Barba Negra (Ray Stevenson) ser devidamente explorado pela trama. Isso tudo enquanto fica evidente que a liderança pirata não é mais realizada por apenas um homem (Flint), mas sim por um trio – as consequências disso com certeza servirão de combustível para os vindouros capítulos.

No balanço, o quarto ano de Black Sails começa com um episódio forte e bem feito, que possui tom e visual em sintonia com os instalados pela produção no passado e que, portanto, parece fazer parte da temporada anterior por mais que seja ambientado alguns meses depois dela. Senti falta, por outro lado, de mais inovações narrativas, que teriam destacado ainda mais o episódio dos demais. A série possui capítulos mais marcantes e criativos, a exemplo do seu anterior. Porém, XXIX nos entrega o que esperávamos conferir, com algumas pitadas de reviravoltas bem-feitas.

Resta agora descobrir ao longo da temporada qual será o destino final dos carismáticos protagonistas de Black Sails. O fim deles implicará no fim de uma Nassau independente ou será que eles conseguirão derrotar a marinha inglesa?