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Desvendando a carreira e a figura carismática de Neil Gaiman

Aclamado escritor começou a ter suas obras adaptadas em séries com American Gods

Por Carla Braga - 31 Jan 2017 às 16:19h

Neil Gaiman. Um autor que, se você não conhece, já deve ter ouvido falar sobre em algum ponto da sua vida – ainda mais se curtir graphic novels e obras de ficção fantástica. Eu, no entanto, consegui realizar a façanha de viver dezessete anos sem ter escutado falar no nome do cara, que hoje em dia é o meu escritor favorito. De todo jeito, Gaiman nasceu em Portsmouth, na Inglaterra, e, como muitos outros escritores antes e depois dele, Gabriel Garcia Márquez vem logo à tona, trabalhou como jornalista antes de se sentir preparado para migrar para o status de autor. Até que, em 1984, enquanto aguardava o metrô em uma estação londrina, deparou-se com uma edição de Monstro do Pântano, de Alan Moore, a leu rapidamente e sentiu que, o que fosse que faltava para ele escrever algo não-jornalístico, não faltava mais. Havia chegado a hora.

A vida profissional do escritor 

No curso de mais de trinta anos, o britânico imergiu no mundo dos quadrinhos, tornando-se rapidamente famoso por lá. Ainda em 1987 foi contratado pela DC Comics para um trabalho e tanto. A editora queria que ele reimaginasse a sua própria maneira um personagem antigo, Sandman – personificação antropomórfica do sonho que é conhecida por inúmeros outros nomes, como Morfeu. A série foi lançada entre 1989 e 1996 e tornou-se não só um sucesso catastrófico para o modelo das graphic novels, mas também um dos títulos mais lucrativos para a DC. Com Sandman, Gaiman – listado hoje em dia pelo Dicionário de Biografia Literária como um dos dez melhores escritores pós-modernos – tornou-se uma figura cultural icônica.

Mas Gaiman não permaneceu apenas no mundo dos quadrinhos, lançando vários livros (alguns ilustrados, outros não) ao longo da sua carreira. Belas Maldições, escrito em parceria com Terry Pratchett e lançado em 1990, foi o primeiro da carreira do autor. Neste ano, na véspera para o volume completar 27 anos, foi anunciado que ele vai virar uma série da Amazon e que o próprio Gaiman será o showrunner e roteirista da produção. Infelizmente, Pratchett não está mais vivo para ver o livro ganhar uma adaptação. O excelente e engraçado Belas Maldições (Good Omens) narra a aproximação do Apocalipse de forma cômica, revelando uma confusão durante o nascimento do Anticristo, que acaba sendo criado por uma família norte-americana normal e desenvolvendo sentimentos positivos pela Terra, enquanto que um falso filho do Diabo é criado no seu lugar.

O segundo livro do inglês (e primeiro solo) se chama Lugar Nenhum. Lançado em 1996 como uma adaptação da minissérie de mesmo nome que criou para a BBC, o volume contém bem mais detalhes do que o seriado e já foi revisado duas vezes pelo seu criador. Em 1999, foi a vez do livro ilustrado Stardust ser publicado, mas dá para encontrar versões sem figuras também, que ganhou um filme estrelado por Claire Danes e Charlie Cox em 2007 e que não faz justiça à obra original.

Dois anos depois, em 2001, Deuses Americanos (American Gods no original), vencedor de vários prêmios importantes da literatura, como o Hugo, Nebula e Bram Stoker, chegou às lojas para se tornar o maior best-seller da carreira do escritor até então. O livro, que completará quinze anos na metade de 2017, vai ganhar uma aguardada série em abril deste ano protagonizada por Ricky Whittle na pele do querido Shadow Moon – um ex-presidiário que sai da cadeia apenas para se ver imerso em uma luta entre Deuses antigos e novos.

Ainda existem vários outros volumes, como Coraline (2002), que completou quinze anos de lançamento na última terça, dia 24 de janeiro, O Livro do Cemitério (2008) e O Oceano no Fim do Caminho (2013), que tudo indica receberão suas devidas adaptações, com Gaiman envolvido nelas, muito em breve; vide “tudo indica” como “eu espero ansiosamente por isso”.

A vida pessoal de Gaiman

A gente sabe que a vida pessoal de um escritor não é tão relevante (e interessante assim), mas se você, assim como eu, pira em saber sobre a vida de artistas que admira, continue lendo isto aqui. O básico, que muitas fãs já sabem, é que Gaiman não mora na Inglaterra há um bom tempo. O escritor fixou residência em Wisconsin, nos Estados Unidos, em 1992 para ficar mais perto da família da sua então esposa (agora ex), com quem tem três filhos, Michael, Holly e Madeleine. Ele se separou por volta de 2004, mas só oficializou o divórcio perto de 2008, e de lá para cá também passou a dividir seu tempo nos estados de Massachusetts e Nova York.

Em 2009, ele começou a namorar a peculiar e inteligente compositora, cantora, pianista, escritora e artista visual Amanda Palmer, formando um casal bem interessante. Hoje em dia, eles vivem um casamento aberto, Gaiman adotou um dos nomes do meio dela, MacKinnon, e os dois têm um filho de menos de dois anos chamado Anthony.

Outro detalhe interessante sobre Gaiman é que ele sempre menciona a existência de deuses em seus livros, então sempre me peguei indagando se ele acreditava neles de fato ou não. Segundo suas obras, entidades existirão enquanto houver alguém que creia nelas. Uma forma poética de enxergar a coisa, mas que não condiz exatamente com a realidade do escritor. Ele possui ascendência polonesa judia e de outros países judeus do leste europeu, mas os seus pais eram, na realidade, nomes importantes da cientologia, prática que ele enxerga apenas como da sua família, não sua (ainda bem).

Eu acho que podemos dizer que Deus existe no universo da DC. Eu não me levantaria e bateria um tambor para a existência de Deus neste universo. Eu não sei. Acho que existe provavelmente uma chance meio a meio. Não importa muito para mim”, já disse Gaiman sobre suas crenças.

Depois de tudo isso, dá para concordar que Gaiman é um escritor e tanto com um carisma (tanto nas linhas que escreve como entorno de si) evidente. Ele é ativo no Twitter, amigo do Alan Moore e Tori Amos, adepto de um visual formado por completo por peças pretas, fanático por Doctor Who, militante pelos direitos dos refugiados globais e um mega de um escritor ainda na ativa e que ainda escreverá muito mais! O próximo lançamento dele será o Norse Mythology, agendado para 7 de fevereiro de 2017 lá fora e aguardado para março no Brasil.