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Powerless – 1ª temporada: Primeiras Impressões

Série descompromissada diverte pelas suas referências e humor

Por Rafael Sanzio - 03 Fev 2017 às 15:43h

Sabe aquele momento quando seu amigo comenta sobre seu herói favorito ou filme de herói favorito e você tem o prazer mórbido de apontar os defeitos daquilo que ele mais gosta? Se você nunca fez isso, você é uma ótima pessoa, mas se você já fez sabe que é divertido brincar de encontrar furos na história ou até mesmo imaginar como certas coisas afetariam quem não está em destaque na HQ. Como por exemplo, imaginar como deve ser difícil para o pessoal dos prédios limpar as teias do Homem-Aranha (eu sei que elas se dissolvem depois de certo tempo).

Não pelo lado dos furos, mas a Marvel já fez isso com a graphic novel Marvels, ao colocar as histórias conhecidas sob o ponto de vista de um fotografo. Agora, na TV, temos Powerless, uma série de comédia focada nos cidadãos comuns que precisam sobreviver a um mundo de super-heróis da DC Comics. Como isso afetaria a sociedade? Bem, as respostas sérias sobre essa pergunta não serão encontradas aqui, mas o humor repõe qualquer necessidade disso.

Neste primeiro episódio, Wayne or Lose, somos apresentados de forma rápida a protagonista da série, Emily Locke (Vanessa Hudgens), uma jovem idealista que vivia em uma cidade sem grandes problemas para serem tratados por super-heróis e decide ir até Charm City, uma cidade um pouco maior – com direito a vilões e super-heróis próprios. Ela começa a trabalhar em uma filial da Wayne Security, empresa responsável por criar produtos para proteger os cidadãos da cidade dos perigos provenientes de um mundo com superseres, e terá que conquistar várias coisas para ser reconhecida, começando por sua equipe.

A ideia do programa é divertida por si mesma, já que ao mesmo tempo que não si leva a sério e nem ao mundo dos super-heróis, ela é cheia de referências e utiliza-se do cânone da DC Comics livremente. O dono da Wayne Security é primo de Bruce Wayne e o herói é utilizado tanto para mover a trama como para fazer piadas, mas a necessidade de sua presença é nula. A mesma coisa acontece com outros super-heróis e vilões mencionados, apesar de que eles também exageram nas piadas, o que exige a suspensão de descrença do nosso lado nerd – visto que não dá para realmente fazer janelas de kryptonita assim tão facilmente!

O elenco está muito bem e possui uma pegada parecida com Community – e olha só, Danny Pudi está na série. Vanessa Hudgens faz o papel da otimista, mas sem ser caricata demais ou doce demais. A equipe de desenvolvedores dos produtos possui suas próprias características e o roteiro destaca cada um deles durante a trama. Alan Tudyk está hilário como Van Wayne, e promete ser essencial para equilibrar o lado positivo da protagonista.

Com apenas 22 minutos de duração para cada um dos seus apenas 10 episódios, a série tem material e tempo equilibrado para entregar algo ao menos divertido, mas fica a dúvida se poderá se prolongar por mais temporadas – por ser da Warner quem sabe os outros super-heróis da casa possam fazer uma aparição? O problema é que por esse primeiro episódio, o clima da série não parece ser o mesmo das outras e seria bem diferente – como um universo paralelo – se Oliver Queen visitasse a cidade, por exemplo.

Powerless é como se fosse aquele filme de comédia ou série que satiriza os filmes de super-herói, mas sem ter medo de ser processado, ou seja, as piadas vão ser realmente direcionadas e as referências bem mais nítidas.