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As várias caras de Link em The Legend of Zelda

Em 21 de fevereiro de 1986 era lançado no Japão o primeiro jogo

Por Rafael Sanzio - 22 Fev 2017 às 11:47h

Shigeru Miyamoto e Takashi Tezuka criaram uma das franquias da Nintendo mais queridas e diversificadas: The Legend of Zelda. O jogo foi lançado no Japão para o Nintendo Entertainment System em 21 de fevereiro de 1986 e desde então traz diversos games da franquia principal e inovando na maneira de apresentar a história de Link e Zelda. Algumas vezes infantil, outras com uma pegada trágica, outras de horror, e muitas com o clima de aventura épica de fantasia. Nesses 31 anos tivemos várias versões do personagem em termos de estrutura dos jogos e jogabilidade. O Fique Ligado resolveu elencar essa evolução na franquia principal, sem se ater na ordem cronológica – porque aí já complica mais – mas perceber como a Nintendo está disposta sempre a inovar e trazer uma cara nova ao consagrado herói.

The Legend of Zelda (1986)

O visual do jogo era bastante simples, mas possuía quatro tipos diferentes de gênero: ação, RPG, quebra-cabeça e aventura. Ao mesmo tempo que o jogo estava sendo feito, Miyamoto e Tezuka, junto com Toshihiko Nakago, estavam fazendo Super Mario Bros. Tanto que alguns elementos dos jogos eram passados para o outro e outras eram “tomadas”, como por exemplo as barras de fogo giratórias do Mario, que na verdade eram do jogo The Legend of Zelda, mas Miyamoto achou melhor ficar com as aventuras do encanador.

Zelda era diferente pelo ponto de vista empregado, algo mais exploratório visto de cima. E sua trama era não-linear, onde o jogador tinha que encontrar as 8 masmorras para poder enfrentar o vilão Ganon – isso em uma época onde não tinha lá muitas dicas e você realmente tinha que se basear pelo mapa que vinha com o jogo.

Link aqui não tinha tanta personalidade, mas sua orelha pontuda dava ao menos a entender que ele era algum tipo de elfo... ou duende.

The Legend of Zelda: A Link to the Past (1991)

Agora com toda força gráfica do Super Nintendo, o visual do jogo ganhou uma melhoria significativa, com um cenário bem mais colorido e bonito. Link continuou meio rechonchudo, mas agora ganhou um colorido roxo nos cabelos.

O jogo apresentou várias novas formas de combate, como o ataque giratório e a inclusão da famosa arma Master Sword. Além disso tivemos a interessante interação entre o mundo da Luz e das Trevas, desde a mudança de cenário à transformação do personagem em um coelho rosa que não mais apresentava suas habilidades para vencer os desafios.

Eu não me recordo se no primeiro jogo havia galinhas, mas aqui começava a psicótica aventura de alguns jogadores em querer matar essas criaturas no jogo. A história ganhou uma melhoria significativa, com uma trama linear e condução do jogo pelas interações com outros personagens e diálogos que indicavam os caminhos que o jogador deveria seguir. Hyrule ganhou muito mais personalidade, com suas masmorras ganhando nomes ao invés de apenas números.

The Legend of Zelda: Link’s Awakening (1993)

A sequência de A Link to the Past foi feita para o Game Boy, e apesar de ser recebida bem pela crítica, muitos acharam ruim o visual monocromático da primeira versão do jogo, tanto que ela teve um remake para o Game Boy Color em 1998.

A ideia do jogo continua a mesma, a jogabilidade também e o ponto de vista aéreo também. O divertido sobre essa produção é a forte influência do seriado Twin Peaks sobre o desenvolvimento do jogo. Tezuka disse que os criadores do jogo queriam que os personagens da ilha onde Link acordava também tivessem o mesmo tom misterioso que os personagens da série.

The Legend of Zelda: Ocarina of Time (1998)

O primeiro jogo da franquia com o visual 3D. Utilizando a engine de Super Mario 64, o jogo pôde apresentar várias outras maneiras de combate e os quebra-cabeças ficaram bem mais complexos.

O que se destacou em termos de jogabilidade foi o sistema de mira, no qual o jogador pode, com o apertar do botão, prender a mira em um inimigo e assim focar seus ataques e movimentação baseado em seu alvo – o sistema influenciou outros jogos de ação que vieram em seguida.

O sistema de câmera deixou de ser, de forma principal, a visão aérea, graças ao uso do 3D. Uma mecânica que surgiu foi a montaria, quando Link fica adulto ele pode montar Epona, pelo nome, provavelmente uma égua.

The Legend of Zelda: Majora’s Mask (2000)

O último jogo da franquia no Nintendo 64. A trama é bem sombria, onde o vilão é uma máscara amaldiçoada que possui Skull Kid. A trama é dramática, com aquela cena conhecida da lua em rota de colisão com Hyrule.

Em termos de jogabilidade, os jogadores devem repetir os mesmos três dias durante a trama e Link tem em sua disposição várias máscaras que mudam sua forma e que possibilitam fazer várias tarefas.

A dificuldade do jogo chamou a atenção, visto que para novatos o jogo era frustrante por não ter tantas opções de save points e assim, só quem realmente dominou Ocarina of Time poderia partir para essa nova aventura.

The Legend of Zelda: Oracle of Seasons e Oracle of Ages (2001)

Acusados de querer lucrar ao estilo Pokémon, com dois jogos sendo lançados ao mesmo tempo, na realidade, diferente dos jogos dos monstrinhos, as diferenças entre eles eram maiores. Seasons é baseado em jogo de ação e Ages em quebra-cabeças.

Os gráficos e sons são bem parecidos com A Link to the Past, voltando a visão aérea da aventura.

The Legend of Zelda: The Wind Waker (2002)

Quando foi anunciado o visual assustou alguns. Um Link cartunesco, usando a técnica cel shading para renderizar uma imagem 3D para parecer um desenho 2D. Quando foi lançado, foi aclamado pela crítica e o visual conquistou o público.

O jogo continha momentos onde o jogador velejava pelo oceano e momentos com os conhecidos combates. Com masmorras desafiadoras e geralmente para passar de uma era necessário usar uma arma recentemente encontrada.

The Legend of Zelda: Four Swords Adventures (2004)

O jogo da franquia mais malsucedido comercialmente. Talvez por sua proposta despretensiosa, com um visual inspirado em A Link to the Past, o jogo permite 1 a 4 jogadores simultaneamente, mas as limitações de jogabilidade afugentaram muitos. Por exemplo, foi o primeiro jogo da franquia a não apresentar uma janela de inventário adicional e com limitação de um item secundário por jogador.

Em contrapartida o multiplayer é divertido, contendo também um modo de batalha entre os jogadores.

The Legend of Zelda: The Minish Cap (2004)

Neste aqui Link ficou louro e o visual lembra bastante desenho animado, com uma visão aérea da ação do jogo. A novidade é a habilidade do personagem diminuir de tamanho para encarar certos desafios.

The Legend of Zelda: Twilight Princess (2006)

O primeiro da série a ganhar uma classificação para adolescentes. O jogo apresenta temas e personagens mais maduros e entra na vibe do protagonista virar lobo – Sonic deve ter se inspirado nele.

Em termos de jogabilidade os controles e gráficos estão bem atualizados e com um visual mais maduro – seguindo a história e o público que quer atingir. A câmera é móvel. No mundo do Crepúsculo o personagem vira um lobo poderoso com habilidades diferentes.

The Legend of Zelda: Phantom Hourglass (2007)

Desenvolvido exclusivamente para o Nintendo DS, o jogo é uma sequência para o The Wind Waker, utilizando os mesmos gráficos e estilo visual. Sua diferença principal, e diferente de toda a série, é que os controles são feitos apenas pelo touch screen. Ele usa também o microfone do console, tendo que fazer barulhos altos quando surgem criaturas com grandes orelhas e gritar para chamar a atenção de outras.

O multiplayer do jogo é uma disputa entre times, com um sendo Link tentando levar pedaços da Triforce de um lugar para outro e os outros são os fantasmas tentando atacá-lo.

The Legend of Zelda: Spirit Tracks (2009)

Também similar ao Phantom e também para o Nintendo DS, o jogo apresenta pela primeira vez a parceria jogável entre Zelda e Link.

The Legend of Zelda: Skyward Sword (2011)

Voltando ao visual mais sério, o jogo é fortemente baseado na utilização do Wii MotionPlus. Usando os movimentos do jogador para utilizar as espadas e, se bem me lembro, até pescar.

The Legend of Zelda: A Link Between Worlds (2013)

Originalmente pensado para ser um remake de A Link to the Past para o Nintendo 3DS, Miyamoto foi convencido para transformar o jogo em uma sequência.

Apesar de a princípio o visual ser algo semelhante aos primeiros jogos, em termos de posição de câmera – mas utilizando os gráficos 3D. O jogo entrega uma nova habilidade bem chamativa, com o personagem virando uma pintura e desafios tendo que ser pensados através e fora das paredes das masmorras.

The Legend of Zelda: Tri Force Heroes (2015)

Uma mistura entre Between Worlds e Four Swords, utilizando os gráficos de um e a ideia do multiplayer do outro – mas dessa vez com três jogadores, tendo que trabalhar em conjunto, e dessa vez literalmente, criando um totem de Links para encarar vários desafios.

The Legend of Zelda: Breath of the Wild (2017)

O mais recente jogo da franquia que ainda virá. Praticamente com a proposta de ser um game de mundo aberto com um visual incrível, tanto para Wii U como para a novidade Nintendo Switch. O visual do protagonista deixa de ser algo Robin Hood ou duende para algo mais parecido com o indígena – a ideia parece que o mundo que antes conhecíamos está devastado e Link acordou nesse futuro.