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As principais curiosidades do Oscar 2017

Recordes históricos, diversidade, tensões, piadas e muito mais!

Por Carla Braga - 24 Fev 2017 às 16:57h

A edição deste ano da premiação mais importante do cinema norte-americano, o Oscar, acontecerá neste domingo (26) durante o Carnaval e promete fazer muitos foliões cinéfilos pausarem as festividades para conferir a cerimônia. Mas, antes do esperado evento acontecer, que tal se atualizar sobre as curiosidades por trás não só da celebração em si, mas dos indicados também! Sem falar que o Oscar 2017 promete ser muito mais politizado do que costuma ser com um presidente recém-eleito como Donald Trump!

Atores negros foram indicadas em todas as categorias de atuação pela primeira vez

Comumente criticada pela falta de diversidade entre seus nomeados e, consequentemente, vencedores, a premiação finalmente indicou atores negros em todas as suas categorias de atuação em sua edição de 2017 – um marco para a história! 

Os seis intérpretes homenageados nas quatro categorias são: Ruth Negga, indicada a Melhor Atriz por Loving; Viola Davis, indicada a Melhor Atriz Coadjuvante por Um Limite Entre Nós (Fences); Denzel Washington, Melhor Ator por Um Limite Entre Nós (Fences); Naomie Harris, Melhor Atriz Coadjuvante por Moonlight: Sob a Luz do Luar; Mahershala Ali, Melhor Ator Coadjuvante por Moonlight; e Octavia Spencer, Melhor Atriz Coadjuvante por Estrelas Além do Tempo. Além desses seis, ainda há Dev Patel, ator britânico de ascendência indiana, indicado a Melhor Ator por Lion: Uma Jornada para Casa. 

Além das categorias principais, há diversidade nas demais

Bradford Young é o primeiro afrodescendente indicado na categoria de Melhor Fotografia do Oscar pelo trabalho fenomenal que fez em A Chegada; Joi McMillon é a primeira mulher negra indicada em Melhor Edição pelo filme Moonlight; quatro dos cinco documentários indicados neste ano foram feitos por cineastas negros; Kimberly Steward é a segunda produtora afrodescendente da história a ter um longa indicado na categoria Melhor Filme, com Manchester À Beira Mar; além de muitos outros profissionais. 

La La Land empatou com Titanic e A Malvada com 14 indicações 

A esta altura do campeonato, você deve ter, no mínimo, ouvido falar em La La Land, musical de Damien Chazelle. O longa foi sucesso de crítica e bilheteria (inclusive, ainda está em cartaz no Brasil) e levou catorze indicações – presente em todas as categorias mais importantes, como Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro, Melhor Ator, Melhor Atriz e por aí vai. Façanha que só outras duas produções tinham realizado antes: A Malvada, clássico dos anos 50 de Bette Davis, e o drama biográfico relativamente mais recente Titanic. Confira todos os indicados a premiação deste ano aqui.

Primeiro serviço de streaming indicado em uma categoria principal

Premiações da televisão, como o Emmy e Globo de Ouro (este também engloba filmes), já se renderam à qualidade das produções de serviços de streaming como Netflix, Hulu, Amazon e afins, mas agora chegou a vez da Academia reconhecê-las de uma vez por todas. Manchester À Beira Mar foi distribuído nos Estados Unidos por ninguém menos do que a Amazon e foi uma das produções mais indicadas ao Oscar 2017, com seis nomeações, incluindo categorias principais, como Melhor Ator, Melhor Filme e Melhor Direção. 

A pessoa que mais foi indicada sem nunca ter vencido recebeu mais uma nomeação 

O Oscar 2017, dentre tantos outros detalhes, trouxe a 21ª nomeação para o sonoplasta e diretor de som Kevin O’Connell (Até o Último Homem), que é a pessoa mais indicada pela Academia que nunca levou uma estatueta para casa.

Várias atrizes hollywoodianas rejeitaram protagonizar Elle

Nicole Kidman, Sharon Stone, Julianne Moore e Diane Lane foram todas cotadas para estrelar o complicado drama de estupro e vingança Elle, do cineasta Paul Verhoeven, mas todas negaram a oportunidade. Marion Cotillard e Carice van Houten quase toparam o trabalho, mas acabaram negando o controverso roteiro também. A única atriz norte-americana que teria tido coragem para topar o papel, acredita o diretor, teria sido Jennifer Jason Leigh, mas ele achou que ela seria uma presença artística acima de tudo, enquanto estava em busca de um nome mais forte.

Detalhe: Isabelle Huppert, a atriz francesa que acabou protagonizando Elle, já levou um Globo de Ouro pelo seu trabalho e é a favorita para levar o Oscar de Melhor Atriz neste ano.

Diretor de O Apartamento está proibido de ir ao Oscar por Donald Trump

Não que isso faça muita diferença para o brilhante cineasta iraniano Asghar Farhadi, que levou um Oscar no passado por sua obra-prima A Separação e foi nomeado por O Apartamento na categoria Melhor Filme Estrangeiro neste ano, que já disse que não desejava ir para a premiação de qualquer forma. Isso porque Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, proibiu em janeiro deste ano que cidadãos de sete países, incluindo o Irã, entrassem nos Estados Unidos por 120 dias. A parte mais irônica nisso tudo é que a temática mais discutida nos longas do diretor é a empatia; algo que Trump claramente não tem.

Jimmy Kimmel vai arrasar com a cara de Matt Damon

Jimmy Kimmel, que possui um dos talk shows mais assistidos e recheado de convidados famosos no ar nos EUA, será o apresentador do Oscar deste ano. Ele é amigo íntimo de vários atores, como Ben Affleck e Emily Blunt, então dá para esperar piadas ferrenhas em cima deles. Mas um nome em particular sofrerá mais: Matt Damon.

O ator estará na cerimônia porque foi um dos produtores de Manchester À Beira Mar, filme indicado a seis estatuetas, mas Kimmel não quer que ele vá: “Ele está nomeado, injustamente claro, por produzir. Você sabe que ele não produz nada – talvez lixo em casa. Se ele cometer o erro de entrar naquele teatro, isso será abordado. Ele deveria ficar em casa na noite do Oscar”.

Claro que tudo não passa de uma brincadeira antiga entre os dois, que fingem se odiar há mais de uma década no programa de Kimmel, o que só torna a pseudo feud ainda mais maravilhosa. Veja um exemplo disso aqui:

Críticas ferrenhas a Donald Trump – claro!

Como não comentar sobre o ódio que a pessoa de Donald Trump exala e o perigo que ele representa para o mundo inteiro? Até o Grammy foi politizado neste ano! Mesmo que Kimmel quisesse evitar o assunto, o que ele definitivamente não quer, já que tira onda pesada do empresário charlatão há anos, ele não teria como. Mas as críticas ao presidente e as mensagens de igualdade étnica, de gênero e classe partirão de todos os lados, não só do apresentador da cerimônia, tornando o Oscar 2017 muito mais politizado do que suas versões anteriores.

Outras premiações da temporada, como o Globo e Ouro e SAG Awards, são provas disso e trouxeram discursos épicos da parte dos seus hosts e vencedores. Exemplos disso seguem abaixo: 

David Harbour, o Jim Hopper de Stranger Things, no SAG Awards:

 

 

Meryl Streep, a grande homenageada do Globo de Ouro 2017:

Discurso que levou o (em tese) ocupado presidente a criticá-la nas redes sociais, a exemplo do tuíte, que segue abaixo:

 

 

Lin-Manuel Miranda pode ser a 12ª pessoa a conseguir o EGOT

EGOT é uma sigla para Emmy, Grammy, Oscar e Tony – as quatro principais premiações do entretenimento norte-americano. Ou seja, conseguir o EGOT é ser premiado por, pelo menos, um prêmio em cada uma dessas quatro premiações, e apenas onze pessoas conseguiram realizar isso até agora. Caso Lin-Manuel Miranda, indicado a Melhor Canção Original por How Far I'll Go, música que compôs para Moana, leve um Oscar para casa, ele será a 12ª pessoa a conquistar o EGOT. Mas vale frisar que, além de um Emmy, Grammy e Tony, ele também já tem um Pullitzer

Viola Davis é a primeira negra a ser indicada três vezes ao Oscar

A já mencionada aqui e sempre maravilhosa Viola Davis entrou para a história em 2017 como a mulher afrodescendente que mais recebeu indicações ao Oscar quando foi noemada a Melhor Atriz Coadjuvante por Um Limite Entre Nós (Fences), a terceira da sua carreira. Infelizmente, três ainda é um número baixo; ainda mais se comparado ao maior número de indicações que uma mulher branca já levou: vinte.

Pois é, a icônica (e amiga de Viola Davis) Meryl Streep é a atriz recordista de indicações ao Oscar. E, tudo bem, sabemos que Streep tem 67 anos enquanto que sua amiga tem 51, mas, quando a veterana atriz tinha a idade de Davis, ela já carregava nas costas doze nomeações – quatro vezes o número que sua colega igualmente talentosa detém. Dá para compreender que, apesar do recorde de Davis ser importante, ele revela a disparidade de oportunidades que ainda existe na indústria do cinema. 

Amy Adams não foi indicada e ainda precisará apresentar uma categoria

A grande esnobada pelo Oscar 2017 foi, sem sombra de dúvidas, Amy Adams, que entregou não só uma atuação merecedora de indicação, mas DUAS neste ano. A atriz, que foi indicada três vezes sempre na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante ao longo da carreira, merecia ter sido nomeada por Melhor Atriz principalmente pelo seu trabalho em A Chegada, mas também entregou uma atuação memorável em Animais Noturnos – filme esnobado em geral pela Academia.

Para pisar mesmo no orgulho da atriz, os produtores do evento ainda a convidaram para apresentar uma categoria não revelada, mas que não será nenhuma de atuação, já que os vencedores do ano anterior sempre as apresentam. Adams não podia negar o pedido, já que deve querer um Oscar algum dia e precisa manter boas relações com a Academia, e teve que aceitar o pedido.