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5 motivos pelos quais Logan não é um filme de super-herói

Filme entrega uma experiência diferenciada para o gênero

Por Rafael Sanzio - 03 Mar 2017 às 16:38h

Logan (leia a crítica aqui) estreou no Brasil em 2 de março e nos entregou uma produção diferenciada. Não apenas mais violento, como em Deadpool e O Justiceiro: Em Zona de Guerra, mas com uma profundidade nunca antes vista em um filme de super-herói baseado em uma HQ famosa como X-Men. Essa originalidade é tão peculiar que, para mim, ao final do filme, não assisti uma produção do gênero super-heróis, e sim um road movie que se apropria de alguns elementos desse universo.

Apresentamos então cinco motivos pelos quais Logan não é um filme de super-herói, apesar de haver motivos para que ele também seja um:

1. Fugindo do gênero

Apesar de haver vários estilos de filmes, com ação, aventura, terror, os filmes de super-herói podem ser considerados como um gênero à parte. A grande maioria deles envolve histórias de origem, grandes eventos, heróis uniformizados, vilões que se equiparam aos mocinhos e uma estrutura bem mais fantasiosa.

Contudo, Logan definitivamente foge do gênero, preferindo focar nas emoções e em um passado não contado dos personagens, optando por focar no presente e nas reações de seus protagonistas. De como Logan (Hugh Jackman) está sofrendo fisicamente e emocionalmente, tanto pela tragédia de sua vida como do Professor Xavier (Patrick Stewart). Esse relacionamento, essas marcas profundas e a perspectiva de ser jogado para dentro de uma nova família, são os verdadeiros vilões do filme para o personagem. Uma abordagem bem mais adulta do que os outros filmes do gênero se utilizam.

O diretor James Mangold declarou que foi proposital que alguns acontecimentos fossem lembrados e retratados de forma corriqueira, de uma distância segura para que o filme não se tornasse um filme dos X-Men.

2. Não é uma adaptação de uma HQ

Por mais que exista personagens conhecidos como o próprio Wolverine, Xavier e novos como a X-23 e o grupo dos Carniceiros, não há uma necessidade de ser uma adaptação fiel dos quadrinhos. Até mesmo o arco Velho Logan passa longe da proposta que a revista trazia e seus eventos, não é um show de referência como os demais filmes de super-heróis ou personagens bem adaptados. Você pode até mesmo me falar que a franquia X-Men também não adaptava fielmente, mas em seu favor existia o fato de ser bem fantasioso o seu universo.

A própria trama lembra ao público que não pretende ser uma história em quadrinhos em uma telona, com Logan criticando os gibis dos X-Men que Laura (Dafne Keen) tanto preza.

3. A violência que afastará crianças

Não que seja uma exclusividade do filme, mas boa parte dos filmes de super-heróis evitam passar de um nível da censura – para não afastar as crianças. Essa relação com a violência poda bastante os filmes de super-heróis, tendo que, no máximo, se contentar com a tática dos minions sem rosto ou robôs, que podem ser estraçalhados sem pudor algum.

A violência em Logan deixa tudo mais real, a mortalidade dos personagens – incluindo o próprio Logan – e como ele mesmo fala, no mundo real pessoas morrem. O próprio drama dos protagonistas se torna mais crível, não é apenas um dilema de ordem física, mas moral. A violência gerada por alguém que não tem controle de si, e não estou falando de Wolverine. Em comparação a outros filmes de super-heróis violentos, como Deadpool, no filme do mercenário tagarela os personagens usam uniformes, ele quebra a quarta parede e seu humor alivia a tensão das mortes.

4. Influência de filmes fora do gênero

Como falado anteriormente, os filmes de super-heróis se classificam em um gênero próprio com características próprias. Dificilmente você verá influências tão nítidas de outros filmes, fora da caixa, dentro dessas produções. Você consegue ver Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida em Capitão América: O Primeiro Vingador e Curtindo a Vida Adoidado em Deadpool, mas nesse novo filme de Wolverine as influências definem o que o filme é.

O faroeste Os Imperdoáveis tem um personagem chamado English Bob, que possui uma série de façanhas descritas em livros e se revela como um farsante. Quase da mesma forma como Logan, que apesar de ter sido realmente dos X-Men, os quadrinhos podem não ter sido verdadeiros sobre o que ele fez e sobre quem ele é. Outro faroeste que moldou o filme é Os Brutos Também Amam, girando em torno da questão acerca das marcas que um homicídio deixa em você.

Mas nem tudo precisa ser violência, e outra influência para o filme é a pérola Pequena Miss Sunshine, com uma família disfuncional tentando sobreviver a uma viagem na estrada. Bem como o trio liderado por Logan.

Com isso em mente, é bem claro que o filme pende na balança para filmes como faroeste, road movie e drama do que necessariamente ser mais um filme de super-herói.

5. Não se apega a franquia

Seja Marvel ou DC e até mesmo os outros estúdios, há a necessidade de se criar um vínculo entre os seus filmes, que podem até parecer individuais, mas um gancho aqui e ali fazem referências aos filmes passados ou deixa espaço para outros no futuro.

Logan não se compromete com nada, nem de dar um sentido a linha temporal da franquia X-Men ou dar mote para outros filmes. Ele não se preocupa em ter cena pós-crédito e suas referências aos outros filmes são quase nulas – não há um easter-egg para os fãs dos quadrinhos ou da franquia pularem de emoção.

O filme verdadeiramente se trata como uma produção solo, sendo uma ótima definição o termo solitário. Está sozinha entre tantos outros filmes espalhafatosos ou infantis, contando uma história com início, meio e fim e sem podar suas arestas, com pontas que machucam e magoam.

Um filme para renovar o gênero ou apenas mostrar que o gênero dos super-heróis não é algo tão engessado, que pode ser desbravador ou ousado – que pode ter se iniciado com adaptações de HQs independentes, como Kick-Ass, mas mostrou seu potencial em um de grande orçamento como Logan.