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Quem é quem em Ghost in the Shell?

Descubra alguns fatos curiosos acerca da franquia

Por Rafael Sanzio - 29 Mar 2017 às 10:53h

O filme A Vigilante do Amanhã – Ghost in the Shell é uma adaptação cinematográfica do anime/mangá Ghost in the Shell e será uma versão “ocidental” da obra de Masamune Shirow. Essa última observação se deve ao fato que provavelmente o diretor Rupert Sanders e os roteiristas Jamie Moss e William Wheeler, apesar de demonstrarem respeito ao material original, eles darão sua própria visão para a história de Major (Scarlett Johansson). E quem somos nós para dizer alguma coisa se o próprio anime de 1995 tomou suas liberdades em relação à fonte original, como por exemplo, mudar a personalidade da protagonista.

Se você não conhece o anime ou mangá, mas gostaria de entender a história original dos personagens ou ao menos saber o quão bem será a adaptação, listamos aqui a história deles baseado nos nomes que aparecem nos créditos do filme com Scarlett Johansson – e tomando como base a série e o longa animado de Ghost in the Shell.

Major Motoko Kusanagi

A personagem na série é bem mais parecida com a versão original do que no longa animado. Na série ela é mais sorridente, sua sexualidade é mais explorada e o relacionamento com os outros membros da equipe é divertido – menos imaturo que no mangá. Contudo, durante as missões ela é eficaz e séria. No longa a personalidade dela é bem mais reservada, e constantemente ela lida com as questões filosóficas envolvendo sua condição naquele mundo.

O passado de Kusanagi é mais explorado na série, com flashbacks envolvendo a infância da personagem, mostrando que ela não possui um corpo humano desde criança – após um acidente. Sim, dentre todos os membros do Setor 9 ela é a “menos” humana, com um corpo completamente cibernético e com apenas o cérebro humano. O que geralmente é a grande questão: se tenho apenas um cérebro humano, seria eu, um ser humano? Ou preciso de um corpo humano para ser considerado um?

No longa de 1995 ela demonstra interesse em sair do Setor 9, o que é um problema observado por Batou, já que ele diz que o corpo dela precisa de manutenções providas pela empresa que faz as melhores cibernéticas de todos do Setor 9, e se ela sair, a empresa vai querer o material de volta, ou seja, não vai sobrar muito de Motoko se sair da agência.

Batou

O personagem veio da Força de Autodefesa Terrestre Japonesa como um guarda de elite, de acordo com a série. Foi lá que ele recebeu o implante cinza dos olhos, equipamento padrão do serviço de defesa. Ele serviu na Quarta Guerra Mundial e foi mandado para a América do Sul com Motoko Kusanagi.

Segundo em comando do Setor 9, ele também foi o segundo membro a ser recrutado por Major para lá. Seu comportamento é bem-humorado e temperamental. Ele geralmente se revolta com injustiças e crueldade, mas também não tem paciência com novatos, geralmente pegando no pé de Togusa. Ele solta bastante piadas, ao ponto de no meio da missão, durante conversas mentais da equipe, soltar piadinhas sobre a revolta das gueixas robôs por melhores salários.

No longa animado ele é bem mais sério, contudo, possui o equivalente de destaque como na série – possuindo em ambas versões um relacionamento de confidência com a protagonista, e em ambos os casos, com uma tensão romântica entre os dois. Outro relacionamento, explorado na série, é seu carinho pelos robôs Tachikomas e por ser o único a tratá-los como indivíduos.

Togusa

O novato dentro do Setor 9 e um dos poucos com quase nenhum implante cibernético, ele tem um cyber cérebro e só. No longa animado Motoko explica que esse foi um dos motivos para chamá-lo para a agência. O fato dele não ter quase nenhum implante (o pessoal chama ele as vezes de uma pessoa Natural) e esse fato traz uma imprevisibilidade a equipe, já que para Major ser especialista demais garante uma morte lenta e os tornam previsíveis. Ela também o chamou por ter um ótimo currículo na polícia e ser um detetive sem histórico de corrupção. Por sinal, o fato de não ter tido uma experiência militar como os outros deixa Togusa um pouco inseguro durante as missões.

Ele também é um homem de família, curiosamente na série adicionaram um filho a mais para o personagem. Se Batou é temperamental, Togusa demonstra muito mais, principalmente por ser menos robô que seus colegas. Para completar sua separação com tecnologia, ele adora usar uma Mateba Autorevolver, um revolver de seis tiros que ele prefere usar do que armas automáticas por ter medo que durante a ação sua arma possa emperrar.

Daisuke Aramaki

O chefe do Setor 9 é bem mais ativo politicamente e estrategicamente do que no longa animado – no longa de Mamoru Oshi ele é bem mais passivo aos acontecimentos. Enquanto que na série há tempo suficiente para demonstrar seu brilhantismo estratégico, influência com políticos e várias cartas na manga. Ele é extremamente leal à sua equipe e já colocou sua carreira em risco para garantir a sobrevivência deles. Junto com Togusa, os dois são os mais “humanos” fisicamente na equipe.

O curioso do filme que virá é que Takeshi Kitano, que será o Aramaki, aparece atirando em alguém. Ou seja, essa versão do personagem será bem mais ativa fisicamente e em combate do que das outras mídias.

Ishikawa

Um dos primeiros membros do Setor 9, serviu com Batou e Motoko na América do Sul. Também é um dos mais velhos da equipe, e aparentemente não possui tantos implantes cibernéticos, visto que em um dos episódios da série levou um bom tempo para se recuperar após um atentado.

Ele também não parece ser muito voltado para o combate, servindo mais de apoio para levantar informações importantes e é especialista em tecnologia. Ele também é fã de revistas em quadrinhos de super-heróis dos EUA.

Saito

Na série ele com certeza tem mais presença do que no longa animado e serve como o atirador de elite da equipe. Ele com certeza tem um olho cibernético e um braço cibernético, ele perdeu ambos durante a Quarta Guerra Mundial servindo como mercenário em, talvez, confronto com Major – não dão certeza se foi verdade. O olho cibernético é ligado a um satélite que permite tiros com uma precisão incrível.

Borma

O especialista em explosivos da equipe. Serviu para a Força de Autodefesa Japonesa como especialista em demolições e provavelmente daí conhece Batou e Motoko. Do grupo ele é o que mais chega perto em porte físico de Batou, carregando armas pesadas e também tendo o mesmo implante cibernético nos olhos, só que com uma cor diferente. Ele geralmente faz dupla com os outros membros em situações diferentes, tornando-o um personagem versátil e durante os episódios da série mostra que ele também é especialista em vírus, sendo capaz de criar vacinas em pouco tempo.

Hideo Kuze

Esse personagem surgiu na série animada como um suspeito de integrar o grupo terrorista Individual Eleven. Seu passado liga-se com o de Motoko, já que ele também tem um corpo ciborgue completo, com a diferença que ele escolheu um rosto esculpido, fazendo com que sua boca não se mova quando ele fala.

Segundo a série os dois estiveram no mesmo acidente de avião quando crianças e ele foi convencido, ao se relacionar com a Motoko criança, que também deveria fazer o tratamento para ter o corpo ciborgue – o corpo dele ficou completamente paralisado com exceção do braço esquerdo, que ele utilizava para fazer origamis.

Quando adulto ele se envolveu com questões de imigração e com a situação de campos de refugiados, querendo encontrar um lugar para eles. Sua solução era levar os refugiados para o cyberespaço, deixando seus corpos para trás.

Fatos curiosos da franquia

Não será o filme que imita Matrix

Por mais que alguns jovens possam interpretar ao verem o trailer ou mesmo o filme, não foi Ghost in the Shell que copiou algumas cenas de Matrix. As irmãs Wachowski beberam muito da fonte de animes e entre eles estava o longa animado de Ghost in the Shell. Isso é bastante perceptível na cena do tiroteio no prédio dos Agentes da Matrix, com as colunas sendo destruídas por tiros, o mesmo acontece no combate entre Motoko e o tanque que protege o Mestre dos Fantoches.

O recluso Masamune Shirow

O criador da aclamada obra Ghost in the Shell e que proporcionou o legado para as várias versões da história não é alguém que curte os holofotes. Dificilmente ele concede entrevistas e sua imagem não é algo de se achar na internet. Ele trabalha sem assistentes em um ritmo lento e próprio.

A diferença entre as versões

O mangá, o longa animado, a série e o filme com atores reais tem várias diferenças entre si. Já mencionamos várias delas acima, mas vale ressaltar que a essência da história de Shirow está em todos, o que mais se destaca nas mudanças é o tom e o fato de nenhum se conectar entre si.

No mangá o clima é bem mais descontraído, havendo sim os dilemas acerca da humanidade e a tecnologia, mas o autor se deixa levar pelo exagero em demonstrar a sexualidade da protagonista através da sua pouca roupa – ou falta dela – e investir em momentos como em um tiroteio em que as balas rasgam suas roupas. Além disso, ele se permite o uso de onomatopeias e exageros de expressões para trazer o cômico em vários momentos – deixando os personagens bem imaturos.

O longa animado de Mamoru Oshii e Kazunori Itô toma a liberdade de ser bem mais sério e filosófico, transformando a protagonista em alguém sem muita conexão com os outros e sempre com o olhar distante. Seja contemplando sua condição ou o seu futuro incerto.

Já a série, Stand Alone Complex, de Kenji Kamiyama, une os dois elementos, ficando mais parecido com o mangá – apesar de não exagerar na comédia nem no sexo (apesar de ter ângulos gratuitos da bunda de Motoko ou seios).

O filme com Scarlett Johansson decide investir no passado de Major, na verdade, na busca dela por esse passado e na necessidade da personagem em saber quem é, como se descobrir de onde ela veio, mostrando que ela teve um corpo humano, confirmasse sua existência como um ser humano e não apenas um robô que possui um cérebro humano.