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Entrevistamos Glenn Fabry, capista de Preacher, na CCXP Tour

Britânico fala o que acha da série de TV e comenta trabalhos com Neil Gaiman

Por Carla Braga - 19 Abr 2017 às 15:04h

A CCXP Tour Nordeste, primeira versão da CCXP – Comic Con Experience fora de São Paulo, aconteceu entre 13 e 16 de abril em Recife onde reuniu milhares de pessoas com a presença de vários artistas nacionais e internacionais do mundo do cinema, das séries televisivas, dos videogames e dos quadrinhos. Glenn Fabry, quadrinista britânico vencendor do Eisner e conhecido pelo seu trabalho detalhado e realístico, incluso.

No último dia do evento, tive a oportunidade de trocar umas palavrinhas com o cara sobre o que ele tem achado da adaptação de Preacher, quadrinhos cujas capas icônicas ele ilustrou por anos e ganhou série de TV em 2016, da sua extensa parceria com o aclamado autor Neil Gaiman e, por incrível que pareça, do nosso tão amado bolo de rolo – iguaria de origem pernambucana que teve um estranho destaque ao longo da CCXP Tour, sendo sempre ofertada como presente para os convidados estrangeiros.  

Fique Ligado: Como tem sido a sua experiência na CCXP Tour até agora?

Fabry: Tenho adorado. Todo mundo tem sido muito legal. Tenho andado por aí e olhado o trabalho das pessoas e esses tipos de coisas. Me surpreendi! Todo mundo é bom demais. Vocês precisam baixar os seus padrões para eu poder competir em um nível mais justo.  

Fique Ligado: O que você tem achado de Recife?

Fabry: Eu andei pela praia por um curso de uma hora assim que cheguei aqui, mas estava quente demais – pelo menos, para mim! Eu venho de Belfast [capital da Irlanda do Norte], que é sempre fria e chuvosa. Andei pela praia daqui e, dentro de quinze minutos, eu tinha derretido. Também peguei uma gripe. Venha para o Brasil, pegue a gripe!

Fique Ligado: O que você tem achado da adaptação televisiva de Preacher?

Fabry: Acho que a série de Preacher está indo muito bem. Você sabe, tudo foi aprovado por Garth Ennis, o escritor de Preacher, porque a equipe de continuidade da série mandou para ele os roteiros para que ele desse direções sobre o que sentia que não estava condizente com os padrões dele. Eu conheci Dominic Cooper em Filadélfia, EUA, e ele é um cara muito legal. Ele e Ruth Negga são atores brilhantes, e o cara que vive Cassidy, Joseph Gilgun, é perfeito. Eu diria 130% perfeito, mas isso não é matematicamente possível.

Fique Ligado: Eu sei que você já teve algumas parcerias com Neil Gaiman, que é um autor que admiro bastante. Como foi a experiência de trabalhar com ele?

Fabry: Eu apenas o vi umas quatro vezes na vida e foram há algum tempo já, mas, sei lá, ele simplesmente parece gostar de mim porque continua voltando e me pedindo para fazer coisas. Eu estava, na realidade, atrasado com o deadline de outro projeto quando aceitei trabalhar no livro Endless Nights [da série Sandman], então eles tiveram que me convencer de que eu me encaixaria no projeto, e o livro se tornou a graphic novel mais bem-sucedida de todos os tempos. Depois disso, Neil decidiu que iria começar a escrever filmes porque as pessoas estavam os oferecendo a ele, Coraline, Stardust e agora a série American Gods. Há essa coisa sobre o que ele faz: ele escreve algo uma vez, aí ganha uma série, um quadrinho e um filme a partir dessa única coisa.

Fique Ligado: Você trabalhou em Neverwhere [série de TV de Gaiman que ganhou livro e HQ em seguida] com ele também, correto?

Fabry: Sim! O livro foi tão bem-sucedido que a editora Vertigo estava pedindo para que ele escrevesse algo novo sobre o universo. Aparentemente, ele disse ‘não tenho tempo, estou escrevendo esses filmes, por que vocês não dão Neverwhere para Glenn Fabry?’. Então acabei trabalhando cerca de três anos nisso.

Fique Ligado: Glenn, por fim, queria saber se você já provou bolo de rolo, um bolo típico de Pernambuco, estado onde fica Recife!  

Fabry: Eu tenho certeza que alguém trouxe um bolo para mim ontem e me disse que eu deveria provar porque era maravilhoso, mas ainda não o comi. Estou curioso!